A PetroReconcavo fechou um novo contrato de longo prazo com a Brava Energia para a venda do petróleo produzido no Ativo Potiguar, no Rio Grande do Norte. O acordo, que entra em vigor em 1º de outubro de 2026 e segue até 31 de dezembro de 2030, estabelece o compromisso de compra e venda de pelo menos 50% da produção líquida de petróleo dos campos abrangidos pelo ativo. Para a companhia, o principal efeito é dar maior previsibilidade à comercialização de uma parcela relevante da produção nos próximos anos.
O contrato também mantém aberta uma alternativa importante para a estratégia comercial da PetroReconcavo. Além do fornecimento à refinaria da Brava, a empresa poderá direcionar sua produção pelo Porto do Pecém, no Ceará. A combinação entre contrato de longo prazo e possibilidade de buscar outros canais de escoamento reduz a dependência de uma única rota comercial e dá à companhia maior flexibilidade para administrar sua produção conforme as condições de mercado.
O novo acordo substitui, a partir de outubro, os aditivos comerciais que estão atualmente em vigor. Segundo a PetroReconcavo, a nova estrutura aprimora a metodologia de precificação e incorpora mecanismos utilizados em outros contratos da companhia. Parte do preço continuará vinculada a indicadores de mercado relacionados à atividade de refino, aproximando a remuneração da produção das condições observadas no mercado.
A assinatura ocorre enquanto a PetroReconcavo mantém uma produção próxima de 24 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/dia). Em julho, foram produzidos 23,7 mil boe/dia, uma redução de 1,4% em relação a junho. O resultado foi afetado principalmente por uma parada programada de 12 dias na Estação de Compressores de Miranga e por problemas elétricos no complexo Sabiá.
Bahia sustenta produção estável
Embora o novo contrato esteja concentrado no Ativo Potiguar, os números de julho mostram um desempenho diferente entre as duas principais áreas de produção da PetroReconcavo.
No Ativo Bahia, a produção alcançou 11,8 mil boe/dia, praticamente estável em relação ao mês anterior. O resultado combina 6,4 mil barris de petróleo por dia e 5,3 mil boe/dia de gás natural.
A produção de petróleo baiana, porém, avançou 3,2% em julho. A alta veio do reparo e do retorno à produção de poços nos campos de Tiê e Remanso. O movimento ajudou a compensar parcialmente a queda na produção de gás, que recuou 2,7% no mês em razão da manutenção em Miranga.
O comportamento do Ativo Bahia é relevante para a leitura do resultado operacional porque mostra que a queda consolidada da companhia não veio de uma deterioração generalizada dos campos. No caso do petróleo baiano, houve crescimento em julho, enquanto os principais impactos negativos ficaram concentrados em eventos operacionais específicos.
Potiguar sente parada e problemas elétricos
No Ativo Potiguar, a produção caiu 3,2%, para 12 mil boe/dia. Desse total, 7,6 mil barris por dia foram de petróleo e 4,3 mil boe/dia de gás natural.
A produção de petróleo recuou 1,9% na comparação mensal. A empresa atribuiu o resultado às falhas no fornecimento de energia no complexo Sabiá e à estabilização de poços depois dos trabalhos de workover realizados em junho. Os efeitos foram parcialmente compensados pelo desempenho dos projetos de intervenção no campo de Livramento.
No gás natural, a queda foi maior, de 5,4%. Além dos eventos elétricos no Sabiá, a manutenção programada na Estação de Compressores de Miranga teve impacto direto sobre o volume produzido.
O quadro de julho, portanto, combina dois movimentos distintos: uma redução pontual da produção consolidada provocada por intervenções e ocorrências operacionais e, ao mesmo tempo, a construção de maior previsibilidade comercial para uma parcela relevante da produção potiguar.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
O contrato com a Brava tem importância que vai além da simples garantia de um comprador. Para uma produtora independente, assegurar antecipadamente a comercialização de ao menos metade da produção líquida de petróleo por mais de quatro anos reduz uma parcela da incerteza sobre a receita futura e permite planejar investimentos e operações com maior visibilidade.
A possibilidade de utilizar o Porto do Pecém, no Ceará, é outro ponto estratégico. A PetroReconcavo preserva uma rota alternativa de comercialização justamente porque o contrato não absorve toda a produção. Isso cria uma combinação entre volume contratado e exposição ao mercado, permitindo que a empresa mantenha parte da produção sujeita a outras oportunidades comerciais.
O movimento também reforça a importância da infraestrutura de refino e logística do Nordeste para os produtores independentes. A relação com a Brava conecta a produção do Ativo Potiguar a uma estrutura de processamento e, ao mesmo tempo, mantém aberta a possibilidade de utilização de uma das principais portas de saída da região para o mercado de combustíveis.
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