
Os investimentos superiores a R$60 bilhões previstos pela Petrobras no projeto Sergipe Águas Profundas (Seap) colocaram Sergipe entre as principais fronteiras de expansão da indústria brasileira de petróleo e gás. É nesse ambiente que será realizada, entre 29 e 31 de julho, em Aracaju, a quinta edição do Sergipe Oil & Gas (SOG26), evento que deve reunir cerca de 5 mil participantes, 90 expositores e os principais operadores, fornecedores e investidores do setor. Em entrevista exclusiva ao Webinar da Indústria, a embaixadora do evento, Elisa Pernisa, afirmou que o estado vive um momento decisivo para consolidar uma nova cadeia de negócios no Nordeste.
Segundo Elisa, Sergipe reúne hoje um conjunto de fatores que poucas regiões conseguem oferecer simultaneamente. “O estado possui uma combinação rara de recursos naturais, investimentos e planejamento de longo prazo. Há uma convergência entre projetos offshore, infraestrutura para escoamento e processamento de gás natural e oportunidades para toda a cadeia de fornecedores”, destacou. Para ela, a aprovação dos investimentos da Petrobras consolida Sergipe como “um dos principais polos de crescimento da indústria brasileira nos próximos anos”.
Apesar do protagonismo do projeto Seap, Elisa ressalta que o crescimento de Sergipe não representa uma substituição dos polos tradicionais da indústria de petróleo. “O Rio de Janeiro continuará sendo a principal referência do offshore brasileiro, e a Bahia vive um momento importante de diversificação energética. O que estamos vendo é uma expansão do mapa da indústria, tornando o Nordeste cada vez mais estratégico para a produção de petróleo, gás natural e para a transição energética”, afirmou.
Na avaliação da executiva, esse novo cenário amplia as oportunidades para empresas baianas, que já possuem tradição no atendimento à indústria de óleo e gás. “Quem atua na Bahia precisa enxergar o Nordeste como um mercado integrado, e não como estados isolados. A proximidade geográfica representa uma vantagem competitiva importante para fornecedores que desejam participar desse novo ciclo de investimentos”, disse. Ela acrescenta que este é o momento de conhecer as demandas do mercado e construir relacionamentos antes da abertura dos grandes contratos.

O evento
O crescimento do Sergipe Oil & Gas acompanha esse movimento. O evento evoluiu de um encontro voltado ao potencial do estado para uma plataforma de negócios, impulsionada pelos projetos já confirmados para a região. Além da feira de negócios, a programação inclui congresso técnico, rodadas de negócios, arenas temáticas, visitas técnicas e espaços dedicados à inovação, ESG e startups. Entre os destaques deste ano estão os debates sobre o projeto Seap, distribuição de gás natural, fertilizantes, descomissionamento de plataformas, logística offshore e qualificação profissional.
Para Elisa Pernisa, a rodada de negócios é um dos principais diferenciais da programação. “Ela aproxima fornecedores dos compradores e permite que empresas apresentem suas soluções diretamente aos responsáveis pelas contratações. É importante entender que dificilmente um contrato será fechado em uma reunião de 15 minutos, mas é exatamente ali que começam muitos dos relacionamentos comerciais que se transformam em negócios no futuro”, explicou.
Outro mercado que ganha espaço na programação é o de descomissionamento de plataformas, considerado um dos segmentos com maior potencial de crescimento no Nordeste. Segundo Elisa, o encerramento seguro das operações offshore exige engenharia especializada, serviços submarinos, logística, gestão ambiental e reciclagem de equipamentos. “O setor não vive apenas da exploração de novos campos. O ciclo completo dos ativos também gera uma ampla cadeia de oportunidades para empresas de diferentes portes”, observou.
Com expectativa de público recorde, o SOG26 reunirá empresas como Petrobras, Eneva, SBM Offshore, Carmo Energy, Sergás, TAG, VLI e outros importantes players do mercado. Mais do que acompanhar a expansão da indústria em Sergipe, o evento pretende consolidar o estado como um ambiente permanente de negócios para um setor que deverá concentrar alguns dos maiores investimentos industriais do país na próxima década.
E a Bahia?
O avanço de Sergipe não deve ser visto apenas como uma oportunidade para empresas sergipanas. O projeto Sergipe Águas Profundas tem potencial para reorganizar parte da cadeia de petróleo e gás do Nordeste, criando demanda por engenharia, logística, manutenção, automação, inspeção industrial, construção, tecnologia e serviços especializados.
Para a Bahia, o momento é estratégico. O estado possui uma das cadeias de fornecedores mais maduras do país e reúne experiência acumulada em décadas de atuação da Petrobras. Quem conseguir se posicionar desde agora poderá disputar contratos em um mercado que ainda está estruturando sua cadeia de suprimentos.
O WEBINAR DA INDÚSTRIA é um espaço de diálogo promovido pelo Indústria News para discutir os principais temas que impactam a indústria, a economia e os negócios. A cada edição, empresários, executivos, sindicalistas, pesquisadores, dirigentes e especialistas analisam desafios, oportunidades e tendências que ajudam a compreender os rumos do desenvolvimento industrial da Bahia e do Brasil.
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