
A história recente do extremo sul da Bahia se confunde com a trajetória da Veracel. Ao completar 35 anos de atuação, a companhia chega à marca consolidada como uma das maiores indústrias do setor de celulose do país e um dos principais vetores de desenvolvimento econômico da região, influenciando a geração de empregos, a formação de fornecedores, a arrecadação municipal e a preservação de áreas da Mata Atlântica.
Desde o início das atividades, em 1991, a empresa ampliou sua presença para 11 municípios baianos, estruturando uma cadeia produtiva que hoje reúne mais de 3,2 mil trabalhadores, entre empregados próprios e terceirizados. Ao redor da operação industrial instalada em Eunápolis, consolidou-se uma rede formada por transportadoras, prestadores de serviços, produtores rurais, empresas de manutenção, fornecedores industriais e pequenos negócios que movimentam a economia regional.
O grande divisor de águas dessa trajetória ocorreu em 2005, quando entrou em operação a fábrica de celulose em Eunápolis. Projetada inicialmente para produzir 900 mil toneladas anuais, a unidade passou por melhorias operacionais e hoje mantém uma capacidade média de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas por ano.
A produção acumulada também ilustra essa evolução. Em 2023, a empresa atingiu a marca de 20 milhões de toneladas de celulose, dois anos antes do cronograma inicialmente previsto. Atualmente, esse volume já supera 21 milhões de toneladas, consolidando a unidade entre as mais importantes da indústria brasileira de celulose.
“Construímos uma companhia que alia uma operação de classe mundial a uma relação permanente com o território. Chegar aos 35 anos significa reconhecer o que foi realizado até aqui e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade de continuar gerando valor para a Bahia, para as comunidades, para nossos acionistas e para a natureza”, afirma Alexandre Lanna, diretor-presidente da Veracel.
A fábrica mudou a economia de Eunápolis
Os impactos econômicos da chegada da indústria foram além dos portões da fábrica.
Um estudo elaborado pelo Observatório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (ieb) mostra que, entre 2005 e 2008, período posterior ao início da operação industrial, o Produto Interno Bruto (PIB) de Eunápolis cresceu 76,1%, enquanto a economia baiana avançou 42,7% no mesmo intervalo.
Os indicadores de emprego seguiram a mesma tendência.
O total de postos de trabalho no município aumentou 94,4%, enquanto o valor adicionado pela indústria registrou expansão de 267%. No segmento industrial, o crescimento do emprego chegou a 279%, índice muito superior aos 57,3% registrados na Bahia.
Mais recentemente, a movimentação econômica permanece relevante. Apenas em 2025, a Veracel contratou R$409,1 milhões em produtos e serviços de empresas instaladas na própria região, fortalecendo uma cadeia de fornecedores que vem se profissionalizando para atender às exigências técnicas, ambientais e de governança da indústria.
Uma cadeia produtiva que vai além da celulose
Ao longo das últimas décadas, a atuação da empresa extrapolou a produção industrial.
Projetos de desenvolvimento territorial passaram a estimular atividades como agricultura familiar, apicultura, meliponicultura, pesca artesanal e mariscagem. Atualmente, cerca de 1,7 mil famílias participam de iniciativas voltadas à geração de renda, assistência técnica e fortalecimento de pequenos empreendimentos rurais.
A companhia também desenvolve programas voltados para comunidades indígenas, associações locais e instituições de ensino, buscando integrar qualificação profissional, empreendedorismo e desenvolvimento regional.
Conservação ambiental
Uma das características que marcaram a implantação da Veracel foi a criação, ainda em 1998, da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, sete anos antes do início da produção industrial.
Com mais de 6 mil hectares, a reserva tornou-se uma das áreas privadas mais importantes para a conservação da Mata Atlântica no Brasil e recebeu reconhecimento da Unesco como Sítio do Patrimônio Mundial Natural.
Hoje, considerando todas as áreas sob sua gestão, a empresa mantém mais de 100 mil hectares de vegetação nativa preservada, adotando um modelo no qual há aproximadamente um hectare conservado para cada hectare de eucalipto destinado ao abastecimento industrial.
Essa estratégia ganhou novo impulso em 2025 com o Projeto Muçununga, desenvolvido em parceria com a Biomas, que prevê a recuperação de 1,2 mil hectares em oito municípios do sul baiano por meio do plantio de aproximadamente 2 milhões de mudas de espécies nativas.
A logística também evoluiu ao longo desse percurso. Em 2015, a empresa passou a utilizar exclusivamente o transporte marítimo para levar a celulose do Terminal Marítimo de Belmonte, na Bahia, ao Portocel, no Espírito Santo.
Os próximos desafios
Depois de consolidar sua posição entre as principais produtoras de celulose do país, a Veracel direciona seus investimentos para uma nova etapa marcada pelo uso intensivo de tecnologia.
Ferramentas de inteligência artificial, monitoramento remoto, análise de dados e modelos preditivos vêm sendo incorporados às operações florestais e industriais com o objetivo de aumentar a produtividade, reduzir riscos operacionais e preparar a companhia para os impactos das mudanças climáticas.
Ao mesmo tempo, a empresa aposta no fortalecimento da bioeconomia, na economia circular e na qualificação de profissionais como pilares da estratégia para as próximas décadas.
Análise
Poucas empresas conseguiram alterar de forma tão significativa a dinâmica econômica de uma região quanto a Veracel fez no extremo sul da Bahia.
Mais do que uma fábrica de celulose, a companhia ajudou a consolidar um ecossistema industrial baseado em logística, prestação de serviços, silvicultura, transporte, engenharia e fornecedores especializados. Esse efeito multiplicador explica por que municípios como Eunápolis passaram a registrar indicadores econômicos superiores à média estadual após a implantação da unidade industrial.
O desafio daqui para frente será diferente daquele enfrentado nas últimas três décadas. A agenda passa a combinar produtividade, descarbonização, inovação tecnológica e competitividade internacional, em um mercado cada vez mais pressionado por exigências ambientais e pela busca por produtos de origem sustentável.
O que fica dessa história
Os 35 anos da Veracel representam mais do que o aniversário de uma empresa. Eles ajudam a explicar como a indústria de base florestal se transformou em um dos pilares da economia do extremo sul da Bahia, gerando emprego, fortalecendo cadeias produtivas e colocando a região em posição de destaque no mercado global de celulose.
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