A Raízen Energia vendeu a Usina Caarapó, em Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema por R$ 760 milhões. O contrato inclui, além da planta, a cessão da cana-de-açúcar própria e dos contratos com fornecedores vinculados à unidade, que juntos processaram 3,5 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26. O pagamento será feito à vista na conclusão da operação, ainda sujeita à aprovação do Cade.
A venda faz parte de um movimento de enxugamento de portfólio. Com a saída de Caarapó, a Raízen passa a operar 23 usinas, com capacidade de moagem de 69 milhões de toneladas por safra. A companhia não informou, no fato relevante, divulgado na manhã desta segunda-feira (20/7), qual era o número de usinas antes da operação, mas o texto deixa claro que o objetivo é simplificar operações e concentrar capital nos ativos de maior retorno.
É a lógica inversa de expansão que marcou o setor sucroenergético na última década, quando grupos como a própria Raízen compravam usinas para ganhar escala. Agora, a companhia formada pela joint venture entre Cosan e Shell sinaliza que nem todo ativo agrícola sustenta o mesmo nível de rentabilidade dentro de um portfólio de 23 unidades e que vender uma planta específica pode valer mais do que mantê-la operando.
Base de moagem
Para a Adecoagro, a aquisição amplia a base de moagem na região de Vale do Ivinhema, área que já concentra operações da empresa em Mato Grosso do Sul, um estado que vem ganhando peso na produção de cana do Centro-Oeste, historicamente dominado por São Paulo. Incorporar uma usina com fornecedores e área de cana já estabelecidos reduz o tempo de maturação do investimento, se comparado à construção de uma planta nova.
Para a Raízen, o movimento reforça uma estratégia declarada de foco em eficiência operacional, não apenas em volume processado. A empresa vem sinalizando ao mercado que prioriza retorno sobre capital investido em detrimento de tamanho de portfólio – uma mudança de postura relevante para investidores que acompanham a companhia na B3.
Recuperação
A Raízen protocolou, em março, na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. A dívida de R$ 65 bilhões coloca o movimento da Raízen entre as maiores reestruturações financeiras recentes do país no setor de energia, combustíveis e bioenergia. A empresa é uma das principais operadoras globais de etanol, açúcar, energia renovável e distribuição de combustíveis, o que torna qualquer mudança estrutural relevante para o mercado.
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