O BNDES aprovou financiamento de R$100 milhões para o Laboratório Teuto modernizar a fábrica de medicamentos genéricos de Anápolis, no Centro goiano. O recurso vai bancar a compra de equipamentos para a linha de envase de colírios e para as linhas de embalagem e compressão de comprimidos, além de reorganizar o fluxo de materiais e pessoas dentro da planta.
A modernização mira, especificamente, dois grupos de produtos: antidiabéticos e descongestionantes oftalmológicos. A escolha não é aleatória. São categorias de alto giro no mercado de genéricos – o diabetes é uma das condições crônicas mais prevalentes do país, e colírios têm demanda constante – o que faz de qualquer ganho de eficiência na linha de produção se traduzir rápido em volume adicional disponível para venda.
O projeto vai além de trocar máquina por máquina. Envolve ajustes de layout fabril, preparação de áreas e integração dos novos equipamentos aos sistemas já existentes na planta – o tipo de obra que, segundo a empresa, tem como objetivo elevar simultaneamente capacidade de produção e eficiência operacional.
O Teuto não é um laboratório qualquer no mercado de genéricos brasileiro. Está entre as sete maiores farmacêuticas do segmento no país, segundo o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico 2024, da Anvisa, e entre as cinco maiores farmacêuticas do Brasil, conforme levantamento da Close-Up International.
O portfólio da empresa soma mais de 573 produtos e 3,8 mil apresentações – de antitérmicos a anti-hipertensivos, passando por antimicrobianos e protetores gástricos. “Este aporte de R$ 100 milhões, realizado em parceria com o BNDES, fortalece nossa infraestrutura e amplia nossa capacidade de responder, com agilidade e escala, às necessidades da população brasileira com qualidade, viabilizando a implantação de novas tecnologias que impulsionam a modernização da indústria nacional, elevando os níveis de eficiência, qualidade e produtividade”, destaca Marcelo Leite Henriques, presidente do Laboratório Teuto.
Por que importa
Financiamento do BNDES para modernização fabril costuma sinalizar algo além do projeto pontual: aposta do banco público em capacidade instalada estratégica. Medicamentos genéricos são, por definição, um mercado de margem apertada, em que competitividade se decide na eficiência da linha de produção — quem produz mais rápido e com menos desperdício consegue precificar melhor. Um aporte de R$ 100 milhões nesse tipo de ativo tende a ampliar a fatia de mercado da empresa nos próximos anos, não apenas atualizar máquinas antigas.
Para Goiás, o investimento reforça a posição do estado como polo farmacêutico do Centro-Oeste — região que concentra parte relevante da produção nacional de genéricos, muito em função de incentivos fiscais estaduais que atraíram o setor nas últimas duas décadas.
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