
A Alliança Saúde e Participações, uma das maiores empresas brasileiras de medicina diagnóstica, protocolou nesta terça-feira (5/8) um pedido de homologação de seu plano de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente R$1,1 bilhão em dívidas. A companhia informou que a medida tem caráter exclusivamente financeiro e não altera a prestação de serviços aos pacientes nem os contratos mantidos com operadoras de saúde, seguradoras, cooperativas médicas e colaboradores.
O plano foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e já conta com a adesão de 83 credores, que representam cerca de 54% dos créditos sujeitos à negociação, percentual suficiente para atender ao quórum previsto na legislação para homologação da recuperação extrajudicial. Segundo a empresa, as negociações com os demais credores continuam em andamento.
A reestruturação prevê diferentes modalidades de pagamento, incluindo a conversão de créditos em ações da companhia, parcelamento das dívidas e condições específicas para fornecedores estratégicos e proprietários de imóveis alugados pela empresa. A expectativa da administração é reduzir o nível de endividamento, fortalecer a estrutura de capital e recuperar a capacidade de investimento.
Presença consolidada na Bahia
A notícia ganha relevância na Bahia porque a Alliança mantém uma operação expressiva no estado por meio da Delfin Inteligência Diagnóstica, uma das principais marcas do setor de diagnóstico por imagem da região Nordeste.
A rede possui unidades em Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas e Santo Antônio de Jesus, oferecendo exames de imagem, análises clínicas e medicina diagnóstica. Fundada em Salvador em 1986, a Delfin tornou-se uma das empresas de referência no segmento antes de integrar a Alliança.
Além da operação privada, o grupo também atua na rede pública estadual por meio da Rede Brasileira de Diagnósticos (RBD), responsável por serviços de diagnóstico em hospitais como o Hospital Geral do Estado (HGE), Hospital Roberto Santos, Hospital Geral de Vitória da Conquista, Hospital Geral Prado Valadares, Hospital Geral de Camaçari, Hospital Menandro de Faria, Hospital Geral Luís Viana Filho, em Ilhéus, além do Centro Estadual de Oncologia (Cican) e outras unidades da Secretaria da Saúde da Bahia.
Reestruturação busca reduzir alavancagem
Segundo a companhia, a recuperação extrajudicial integra um processo de reorganização financeira iniciado após a mudança de controle acionário, assumido pelo empresário baiano Nelson Tanure em 2022.
Entre as alternativas oferecidas aos credores está a conversão dos débitos em participação acionária na empresa. De acordo com a Alliança, mais de 92% do valor dos créditos dos credores que já aderiram ao plano optaram por essa modalidade, sinalizando confiança na recuperação do grupo.
A empresa também pretende captar novos recursos para reforçar o caixa, alongar o perfil das dívidas e criar condições para retomar sua trajetória de crescimento.
Atualmente, a Alliança está presente em 13 estados, reúne mais de 120 unidades de atendimento, cerca de 5 mil colaboradores e aproximadamente 1,2 mil médicos parceiros, atuando nas áreas de diagnóstico por imagem, análises clínicas, medicina nuclear, exames genéticos e vacinação.
Setor de saúde vive ciclo de reestruturação
O pedido de recuperação extrajudicial da Alliança Saúde ocorre poucas semanas após outro movimento semelhante no setor. Em julho, a Oncoclínicas do Brasil, um dos maiores grupos especializados em tratamento do câncer da América Latina, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$5,1 bilhões em dívidas financeiras.
Assim como a Alliança, a companhia informou que o processo tem caráter exclusivamente financeiro e não compromete o atendimento aos pacientes nem o funcionamento de suas unidades.
Na Bahia, a Oncoclínicas mantém uma ampla rede de atendimento por meio da CAM (Centro de Assistência Multidisciplinar) e de unidades próprias em Salvador e Lauro de Freitas. Já a Alliança atua no estado com a rede Delfin Inteligência Diagnóstica e presta serviços de medicina diagnóstica em diversos hospitais da rede pública estadual.
Embora os dois processos tenham motivações e estruturas distintas, eles refletem um momento de reorganização financeira entre grandes grupos de saúde, que buscam reduzir o endividamento, alongar prazos de pagamento e fortalecer a estrutura de capital sem interromper suas operações.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
A recuperação extrajudicial da Alliança não representa uma paralisação das atividades da empresa, mas evidencia os desafios enfrentados por grupos de saúde que passaram por ciclos acelerados de expansão nos últimos anos.
O aumento dos custos financeiros, a necessidade de reorganização do endividamento e a busca por maior eficiência operacional têm levado empresas do setor a renegociar passivos sem recorrer, necessariamente, à recuperação judicial tradicional.
No caso da Alliança, a forte presença na Bahia amplia o interesse regional pela reestruturação. A manutenção dos serviços prestados tanto na rede privada quanto em hospitais públicos estaduais será um dos principais pontos acompanhados pelo mercado e pelos usuários do sistema de saúde.
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