
A indústria calçadista baiana ganhou espaço no mercado internacional em junho e alcançou a terceira posição entre os maiores exportadores de calçados do Brasil. O estado superou São Paulo e Paraíba no ranking mensal da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), sustentado por um aumento tanto no volume embarcado quanto na receita obtida com as vendas externas. No mês, a Bahia exportou 337,3 mil pares, alta de 7,8% em relação a junho de 2025. A receita chegou a US$6,33 milhões, crescimento de 11,4%. O desempenho também refletiu uma valorização do produto baiano: o preço médio passou de US$18,15 para US$18,76 por par, o maior entre todos os estados exportadores do país.
O resultado contrasta com o cenário nacional. Enquanto a Bahia ampliou receita e embarques, o Brasil exportou mais pares, mas arrecadou menos. Em junho, as exportações brasileiras cresceram 18,1% em volume, porém a receita caiu 15,7%, consequência da redução de 28,6% no preço médio do calçado exportado, que recuou para US$7,29 por par.
Na prática, a indústria nacional vendeu mais, mas precisou reduzir preços para manter competitividade no mercado externo. A Bahia seguiu caminho diferente, preservando valor agregado e ampliando receita. A Bahia respondeu por 10,7% da receita nacional obtida com exportações de calçados em junho, atrás apenas do Rio Grande do Sul (50,2%) e do Ceará (16,4%).

Semestre difícil
O bom desempenho de junho, entretanto, não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas ao longo do ano.
Entre janeiro e junho, as exportações baianas somaram US$29,48 milhões, queda de 27,3% frente ao mesmo período de 2025. O volume embarcado recuou 23,6%, passando de 2,15 milhões para 1,64 milhão de pares. O preço médio também diminuiu, embora de forma mais moderada, com retração de 4,9%, para US$ 17,87 por par.
O cenário brasileiro continua desafiador. No acumulado do semestre, o país exportou 49 milhões de pares, com receita de US$ 408,2 milhões, quedas de 7% em volume e 17,9% em faturamento na comparação com os seis primeiros meses de 2025.
Ao mesmo tempo, cresce a pressão das importações. Segundo a Abicalçados, o Brasil importou 25,9 milhões de pares no semestre, alta de 15,9%, com forte predominância de produtos asiáticos. A China, o Vietnã e a Indonésia concentraram a maior parte dos embarques destinados ao mercado brasileiro.
Para o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, o setor enfrenta um cenário de dupla pressão. “A indústria brasileira enfrenta simultaneamente um mercado interno pressionado, perda de receita externa e aumento da concorrência importada”, afirmou. Segundo estimativas da entidade, o avanço das importações impediu a criação de cerca de 7,8 mil empregos diretos na indústria calçadista apenas no primeiro semestre.
Cenário exige cautela
Junho trouxe uma boa notícia para a Bahia, mas ainda não uma mudança de tendência.
A subida para a terceira posição no ranking nacional mostra que o estado conseguiu ampliar sua presença no mercado externo justamente em um momento em que grande parte da indústria brasileira precisou reduzir preços para continuar exportando. O fato de a Bahia manter o maior valor médio por par do país indica um posicionamento diferente, baseado em produtos de maior valor agregado.
Por outro lado, os números do semestre revelam que o setor ainda trabalha para recuperar o terreno perdido. A queda superior a 27% na receita evidencia que um único mês positivo não compensa um início de ano mais fraco.
O segundo semestre será decisivo para confirmar se junho marcou apenas um ponto fora da curva ou o início de uma recuperação mais consistente das exportações baianas de calçados.
O que fica dessa história
✓ Junho mostrou reação. A Bahia ampliou receita, embarques e conquistou a terceira posição entre os maiores exportadores de calçados do país.
✓ A competitividade veio pelo valor, não pelo desconto. Enquanto o Brasil reduziu fortemente o preço médio para vender mais, o calçado baiano manteve o maior valor por par entre todos os estados.
✓ O desafio continua sendo recuperar o semestre. O desempenho de junho é um sinal positivo, mas ainda insuficiente para compensar as perdas acumuladas nos primeiros seis meses do ano.
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