
A economia baiana ganhou um importante sinal de fortalecimento da atividade produtiva em maio. Segundo dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o estado criou 7.159 empregos formais, resultado de 90.175 admissões e 83.016 desligamentos, alcançando o quinto maior saldo do país, atrás apenas de São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O destaque, entretanto, vai além da posição no ranking nacional. Pela primeira vez nos últimos meses, a soma das vagas abertas pela construção civil e pela indústria superou o desempenho do setor de serviços, tradicional líder na geração de empregos na Bahia.
Enquanto os serviços responderam por 2.828 novos postos, a construção criou 2.153 vagas e a indústria acrescentou 1.195 empregos, totalizando 3.348 novos vínculos formais – cerca de 18% acima do saldo registrado pelos serviços.
Dentro da indústria, a indústria de transformação respondeu por um saldo líquido de 594 vagas, com destaque para o segmento de fabricação de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, responsável pela abertura de 600 postos de trabalho no mês. Em sentido oposto, o segmento de couro, artefatos de couro, artigos para viagem e calçados eliminou 456 vagas, refletindo dificuldades enfrentadas por parte da cadeia industrial.
Na construção civil, o principal impulso veio da construção de edifícios, que gerou 1.110 empregos, movimento associado ao aquecimento do mercado imobiliário e ao lançamento de novos empreendimentos residenciais e comerciais. As obras de infraestrutura também contribuíram de forma significativa, com 951 novas vagas, impulsionadas por projetos como o VLT de Salvador e investimentos em saneamento.
Acumulado
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a Bahia mantém o bom desempenho e soma 45.294 empregos formais, ocupando novamente a quinta posição nacional. Os serviços lideram a geração de vagas no período, com 26.565 empregos, seguidos pela construção (13.141), indústria (7.030) e agropecuária (1.576).
O especialista em produção de informações econômicas, sociais e geoambientais da SEI, Luiz Fernando Lobo, porém, faz uma ressalva: “A geração de postos de trabalho com registro em carteira na Bahia continua evidenciando alguma perda de fôlego em 2026, visto que o saldo acumulado de janeiro a maio deste ano, com pouco mais de 45 mil novos postos, se mostrou inferior ao resultado para o mesmo conjunto de meses do ano passado, quando 60.621 novos vínculos empregatícios foram estabelecidos”.
Análise
Mais do que um bom resultado mensal, os números de maio revelam um movimento importante na composição do mercado de trabalho baiano.
Quando construção civil e indústria passam a gerar, juntas, mais empregos do que os serviços, o indicador sinaliza que parte do crescimento econômico está sendo sustentada por atividades ligadas ao investimento, à produção e à expansão da capacidade instalada. Em outras palavras, trata-se de um perfil de geração de empregos normalmente associado a ciclos de maior dinamismo econômico.
Para a indústria baiana, o resultado reforça a importância da manutenção de investimentos produtivos e de obras estruturantes capazes de ampliar a demanda por bens industriais
Na indústria, o avanço das contratações em segmentos ligados à cadeia de petróleo e biocombustíveis sugere maior intensidade operacional em atividades estratégicas para a economia baiana. Ao mesmo tempo, o desempenho negativo da indústria de couro e calçados mostra que a recuperação permanece desigual entre os diferentes ramos industriais, refletindo desafios como concorrência internacional, custos de produção e mudanças no consumo.
Na construção civil, o crescimento das admissões acompanha um momento favorável do mercado imobiliário e a continuidade de investimentos em infraestrutura. Além de gerar empregos diretos, esses setores costumam produzir efeitos multiplicadores sobre fornecedores de materiais, transporte, serviços especializados e comércio local.
Para a indústria baiana, o resultado reforça a importância da manutenção de investimentos produtivos e de obras estruturantes capazes de ampliar a demanda por bens industriais. Também evidencia o potencial de setores como petróleo e gás, construção pesada, habitação e saneamento para sustentar a geração de emprego formal nos próximos meses.
O principal desafio será transformar esse movimento em uma tendência consistente. Isso dependerá da continuidade dos investimentos privados, da execução dos projetos de infraestrutura em andamento e da capacidade da indústria de ampliar sua competitividade em um ambiente marcado por juros elevados e incertezas no cenário internacional.
No conjunto, os dados de maio mostram que a economia baiana não depende apenas do setor de serviços para criar empregos. O fortalecimento simultâneo da construção e da indústria representa um sinal positivo para a atividade produtiva e reforça o papel desses segmentos como motores do desenvolvimento econômico do estado.
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