Depois da forte alta registrada em abril, os preços da indústria brasileira voltaram a recuar em maio. O Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado nesta segunda-feira pelo IBGE, mostrou queda média de 0,30% nos preços praticados pelas indústrias na porta de fábrica, sem a incidência de impostos e fretes. Apesar do recuo mensal, o cenário ainda é de alta no acumulado do ano. Entre janeiro e maio, os preços da indústria avançaram 4,80%, o quarto maior resultado para esse período desde o início da série histórica, em 2014. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada chegou a 1,99%.
O principal responsável pela retração de maio foi o setor de alimentos, que possui o maior peso no cálculo do índice. Os preços do segmento caíram 2,05%, influenciados principalmente pelo açúcar e pelo café.
Segundo o gerente do IPP, Murilo Alvim, a intensificação da safra de cana-de-açúcar provocou redução expressiva nos preços do açúcar, que recuaram mais de 10% no mês. O café também ficou mais barato, acompanhando o avanço da colheita.
Enquanto os alimentos ajudaram a conter os preços industriais, outros segmentos continuaram pressionando os custos da cadeia produtiva. A indústria de borracha e plástico registrou alta de 4,80% em maio, impulsionada pelo repasse do aumento dos derivados de petróleo observado nos meses anteriores.
Material plástico
De acordo com o IBGE, somente o grupo de produtos de material plástico acumula alta superior a 21% nos últimos três meses, refletindo o encarecimento das matérias-primas petroquímicas.
Outro destaque foi o setor de outros produtos químicos, que acumula valorização de 20,28% em 2026, seguido pelas indústrias extrativas (15,78%), borracha e plástico (14,78%) e refino de petróleo e biocombustíveis (8,27%).
Ao todo, sete das 24 atividades pesquisadas apresentaram queda de preços em maio. Entre as maiores variações do mês aparecem as indústrias extrativas (-5,90%), borracha e plástico (+4,80%), madeira (+3,08%) e outros produtos químicos (+2,14%).
Nas grandes categorias econômicas, os preços recuaram em praticamente toda a indústria. Os bens intermediários, que abastecem as cadeias produtivas e representam mais da metade do índice, caíram 0,29% e exerceram a maior influência sobre o resultado geral. Os bens de capital registraram retração de 0,21%, enquanto os bens de consumo recuaram 0,34%.
O IPP mede mensalmente a evolução dos preços recebidos pelos fabricantes brasileiros na venda de seus produtos, funcionando como um importante indicador da pressão de custos na indústria e das tendências que podem chegar aos preços ao consumidor nos meses seguintes.
Leia também: Ferbasa reforça produção sustentável com nova planta de carvão vegetal em Maracás

















