
A colombiana Ecopetrol deu nesta terça-feira (5) mais um passo para consolidar sua expansão no mercado brasileiro de petróleo e gás. Em leilão realizado na B3, a estatal adquiriu 116,1 milhões de ações da Brava Energia, equivalentes a aproximadamente 25% do capital social da companhia, desembolsando R$2,67 bilhões. Com a liquidação financeira prevista para 17 de agosto, a Ecopetrol concluirá também a compra de um bloco adicional de ações negociado em abril com acionistas de referência da Brava. Somadas as duas operações, a empresa colombiana passará a controlar 51% do capital votante da petroleira brasileira, em uma transação avaliada em cerca de R$ 5,5 bilhões.
O leilão marcou a etapa decisiva da oferta pública de aquisição (OPA) iniciada em abril e encerrada após o cumprimento das exigências regulatórias previstas para a operação.
Mercado aderiu à oferta
Segundo a Ecopetrol, a oferta registrou forte adesão dos investidores, permitindo a aquisição integral da participação pretendida no mercado pelo preço de R$ 23 por ação, valor estabelecido no edital da OPA.
Para financiar a aquisição, a companhia informou que utilizará inicialmente uma linha de crédito de curto prazo contratada por sua subsidiária financeira na Suíça. A intenção é substituir esse financiamento posteriormente por uma combinação de dívida de longo prazo e aportes de capital, preservando os indicadores de alavancagem e a classificação de risco da empresa.
A aquisição do controle da Brava representa um dos maiores movimentos de internacionalização da Ecopetrol nos últimos anos e amplia significativamente sua presença no Brasil.
Com a operação, a estatal colombiana incorpora ao seu portfólio ativos relevantes de exploração e produção em terra e no mar, fortalecendo sua atuação em um dos mercados considerados estratégicos para o crescimento da companhia.
Para a Brava, a entrada da Ecopetrol como acionista controladora abre um novo ciclo societário. A empresa informou que continuará mantendo o mercado informado sobre os próximos desdobramentos da operação após a conclusão da liquidação financeira.
Quem é a Brava Energia?
Com presença na Bahia, a Brava Energia é hoje a maior produtora privada de petróleo e gás do Brasil. Com uma carteira diversificada que inclui ativos onshore, offshore, midstream e downstream, a companhia encerrou 2025 com uma produção média de cerca de 81 mil barris de óleo equivalente por dia (kboe/d) e reservas provadas de 459 milhões de barris de óleo equivalente (MMboe) – números que a colocam em posição de destaque no setor nacional.
Na Bahia, a empresa possui campos de produção de óleo e gás natural em terra na Bacia do Recôncavo. Os principais campos deste complexo são: Água Grande e Candeias. Possuí ainda 45% de participação em Manati, um dos maiores campos de gás natural não associado no Brasil.
Gigante regional em expansão
Com sede em Bogotá, a Ecopetrol é controlada pelo governo colombiano e responde por uma produção robusta de cerca de 750 mil barris de óleo equivalente por dia. Atua em toda a cadeia de hidrocarbonetos – da exploração ao refino e distribuição – e vem ampliando presença em energia renovável e transmissão elétrica.
A empresa opera mais de 350 campos, possui duas refinarias com capacidade combinada de 450 mil barris/dia e uma extensa malha logística de mais de 5 mil quilômetros de dutos.
A presença da Ecopetrol no Brasil não é novidade. Por meio de sua subsidiária Ecopetrol Óleo e Gás do Brasil Ltda., a companhia já atua na Bacia de Santos. Entre 2021 e 2022, em consórcio com a Shell Brasil, que detém 70% e é operadora, a Ecopetrol adquiriu 11 blocos offshore na região sul da bacia, com participação de 30%.
A empresa também detém 30% não operado em Gato do Mato e Sul de Gato do Mato, campos adquiridos da Shell em 2019. A decisão final de investimento foi tomada em março de 2025, com a primeira produção prevista para 2029. A aquisição da Brava representa, portanto, um salto qualitativo e quantitativo na estratégia brasileira da Ecopetrol.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
A aquisição do controle da Brava vai além de uma simples troca de acionistas. Ela reforça uma tendência observada no setor de petróleo da América Latina: grandes empresas nacionais buscam ampliar sua presença regional para diversificar ativos, reservas e fontes de receita.
Para a Ecopetrol, o Brasil passa a ocupar um papel ainda mais estratégico. O país reúne alguns dos ativos mais competitivos da indústria mundial de petróleo, especialmente em águas profundas, além de oferecer oportunidades de crescimento em campos maduros e novas áreas exploratórias.
A Brava, por sua vez, ganha um controlador com elevada capacidade financeira e experiência operacional, fator que pode acelerar investimentos e ampliar a competitividade da companhia em um mercado cada vez mais concentrado.
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