A indústria química e petroquímica da Bahia deu nesta quarta-feira (5) um novo passo na articulação em defesa da competitividade do setor. A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) lançou, em Salvador, o Comitê das Cadeias Química e Petroquímica (CCQP), colegiado que reunirá empresas, entidades empresariais e especialistas para construir propostas voltadas ao fortalecimento de uma das cadeias industriais mais importantes do estado.
A iniciativa surge em um momento em que o setor enfrenta desafios como o elevado custo do gás natural, a concorrência de produtos importados, a necessidade de ampliar a oferta de matérias-primas competitivas e os investimentos exigidos pela transição energética. O objetivo é transformar essas demandas em uma agenda permanente de diálogo com governos e instituições, buscando preservar a competitividade da indústria instalada na Bahia e criar condições para novos investimentos.
“O Comitê representa um dos setores mais importantes da indústria baiana, que possui diversos temas de interesse comum para toda a cadeia produtiva. Nossa expectativa é que esse espaço fortaleça o diálogo e contribua para ampliar a competitividade do segmento”, afirmou o presidente da Fieb, Carlos Henrique Passos, durante a cerimônia de instalação.
Agenda mira os principais gargalos do setor
Entre as prioridades definidas para o novo colegiado estão a ampliação da oferta de gás natural a preços competitivos, a defesa comercial diante do aumento das importações, a garantia de matérias-primas para a indústria, a agenda de descarbonização, a manutenção de instrumentos de incentivo ao setor, como o PRESIQ, além da discussão sobre o acesso ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR).
O comitê será presidido pelo diretor industrial da Braskem na Bahia, Carlos Alfano, tendo como vice-presidente o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro.
Para Alfano, o novo fórum representa uma oportunidade para reconstruir a competitividade de uma cadeia que historicamente ocupa posição estratégica na economia baiana.
“O trabalho do comitê será fundamental para discutir soluções relacionadas à competitividade das matérias-primas, à sustentabilidade, à transição energética e às políticas públicas. A Bahia abriga o maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul e precisamos criar condições para recuperar a competitividade do setor, adensar novamente a cadeia produtiva e preservar as empresas que já estão instaladas no estado”, destacou.
Articulação entre indústria e poder público
A Abiquim vê a criação do colegiado como um instrumento para aproximar o setor produtivo das políticas industriais voltadas ao desenvolvimento nacional.
Segundo André Passos Cordeiro, competitividade depende de planejamento e atuação conjunta entre empresas e governos.
“Competitividade industrial se constrói com diálogo permanente, visão de longo prazo e convergência entre setor produtivo e poder público. O Comitê representa uma oportunidade para transformar desafios em propostas concretas capazes de fortalecer a indústria química e petroquímica na Bahia e no Brasil”, afirmou.
Cadeia tem peso estratégico
A relevância do setor explica a mobilização promovida pela Fieb. Segundo dados da Abiquim, a Bahia concentra 35% da produção petroquímica brasileira, mantendo a liderança nacional no segmento. A cadeia responde por 22% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação baiana, além de exercer forte influência sobre diversos segmentos industriais, da indústria de plásticos à produção de fertilizantes, tintas, defensivos agrícolas e produtos químicos utilizados em diferentes cadeias produtivas.
Além da FIEB, integram o Comitê entidades como Abiquim, Cofic, Sinpeq e Quimbahia, além de empresas como Acelen, Bahiagás, Basf, Braskem, Cetrel, Copenor, Dow, Elekeiroz, Moeve, Petrobras, Proquigel/Unigel, Tronox, Unipar e Inoquímica.
Entre os temas prioritários da agenda de trabalho do Comitê estão:
- Competitividade do Polo Petroquímico de Camaçari;
- Ampliação da oferta e da competitividade do gás natural;
- Defesa comercial diante do avanço de importações predatórias;
- Garantia de matérias-primas em condições competitivas;
- Transição energética e fortalecimento da agenda de sustentabilidade;
- Manutenção de instrumentos de competitividade para o setor, como o PRESIQ;
- Discussão sobre os critérios de acesso ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR), considerado estratégico para a permanência e expansão da indústria química e petroquímica no Nordeste.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
A criação do Comitê ocorre em um momento particularmente importante para a indústria química brasileira. Nos últimos anos, o setor perdeu competitividade diante da elevação dos custos de energia e gás natural, da maior presença de produtos importados e da redução do adensamento da cadeia produtiva.
Na Bahia, onde está instalado o Polo Industrial de Camaçari – o maior complexo petroquímico integrado do Hemisfério Sul – esses desafios têm impacto direto sobre investimentos, empregos e arrecadação.
Ao reunir empresas, entidades representativas e lideranças da indústria em torno de uma agenda comum, a expectativa é fortalecer a interlocução com os governos e acelerar soluções para gargalos considerados históricos, especialmente na oferta de gás natural, na política industrial e na defesa da produção nacional.
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