
A Braskem encerrou o segundo trimestre de 2026 ainda longe de um cenário de normalidade para a indústria petroquímica. Embora o aumento dos preços internacionais das resinas e dos produtos químicos tenha contribuído para melhorar as margens operacionais, a companhia voltou a registrar redução da utilização de suas plantas em praticamente todas as regiões onde atua, refletindo um ambiente de demanda enfraquecida, maior competição internacional e incertezas geopolíticas.
O retrato aparece no Relatório de Produção e Vendas divulgado pela companhia na noite desta quinta-feira. Os indicadores mostram que Brasil, Estados Unidos, Europa e México operaram abaixo do ritmo observado em diferentes períodos de comparação, confirmando que a recuperação do setor ainda ocorre de forma lenta e desigual.
No Brasil, a taxa média de utilização das centrais petroquímicas ficou em 70%, praticamente estável em relação ao primeiro trimestre, mas quatro pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
Segundo a empresa, a decisão de manter a produção em níveis próximos aos do trimestre anterior foi influenciada pela elevada volatilidade das matérias-primas provocada pelo conflito no Oriente Médio e pelas incertezas em torno da duração da crise na região.
Ao mesmo tempo, fatores estruturais continuam pressionando a operação brasileira. A Braskem cita menor disponibilidade de matéria-prima na central petroquímica do Rio de Janeiro, redução da demanda no Rio Grande do Sul e crescimento das importações de resinas, que reduziram as vendas de polietileno e PVC no mercado doméstico.
As vendas de resinas caíram 8% em relação ao segundo trimestre do ano passado, enquanto as exportações recuaram 23%, puxadas principalmente pelo menor embarque de polietileno.
Nos produtos químicos, a companhia também registrou retração nas vendas ao mercado brasileiro, reflexo da menor demanda e da redução da disponibilidade de alguns produtos. Em contrapartida, as exportações cresceram 55%, movimento explicado pela maior oferta de benzeno e cumeno para o mercado externo após a desaceleração do consumo doméstico.
Cenário internacional desafiador
Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa média de utilização das plantas de polipropileno caiu para 76%, três pontos percentuais abaixo do primeiro trimestre. A redução foi consequência de paradas programadas de manutenção de 35 dias em uma planta americana e outra de 32 dias na unidade de Wesseling, na Alemanha, iniciada em abril.
Mesmo assim, a demanda americana apresentou recuperação parcial, compensando parte da desaceleração observada na Europa, onde a cadeia de transformação continua reduzindo estoques diante do ambiente econômico mais cauteloso.
Quadro delicado no México
A taxa média de utilização das plantas caiu para apenas 43%, contra 55% no trimestre anterior. Segundo a Braskem, a redução decorre das “medidas adotadas pela Braskem Idesa para preservar liquidez financeira”, diante da menor oferta de etano tanto pela estatal mexicana Pemex quanto pelo terminal de importação.
Com menor disponibilidade de matéria-prima, as vendas de polietileno recuaram 11% frente ao trimestre anterior e 20% na comparação anual.
O único alívio veio das margens
Apesar do ambiente operacional mais difícil, a companhia registrou melhora significativa dos spreads petroquímicos – diferença entre o custo da matéria-prima e o preço de venda dos produtos – em praticamente todas as operações.
No Brasil, os spreads das resinas cresceram 82% frente ao primeiro trimestre e os dos principais químicos avançaram 98%. Houve melhora também nos Estados Unidos, Europa e México, impulsionada pela alta dos preços internacionais das resinas após a valorização do petróleo e da nafta provocada pelas tensões no Oriente Médio.
Esse movimento ajudou a compensar parte dos efeitos negativos da menor utilização das plantas e da desaceleração da demanda.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
O que aconteceu
A Braskem apresentou um segundo trimestre marcado por melhora das margens operacionais, mas ainda com produção limitada e menor utilização de suas plantas industriais. O desempenho confirma que a petroquímica mundial continua convivendo com demanda irregular, excesso de capacidade instalada e um ambiente internacional de elevada volatilidade.
Por que isso importa?
A Braskem ocupa posição estratégica na cadeia petroquímica brasileira e é a principal empresa do Polo Industrial de Camaçari. Quando suas plantas operam abaixo da capacidade, os efeitos se espalham por fornecedores de matérias-primas, empresas de transformação, logística e exportações.
O relatório também mostra que o desafio deixou de ser exclusivamente brasileiro. Brasil, Estados Unidos, Europa e México enfrentam limitações distintas, mas todas convergem para um mesmo cenário: a recuperação global da petroquímica ainda está longe – muito longe – de acontecer.
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