A indústria de materiais de construção voltou a crescer em maio, revertendo a retração registrada no mês anterior e reforçando a expectativa de recuperação gradual da atividade ao longo de 2026. Segundo o Índice Abramat, o faturamento deflacionado do setor avançou 0,8% na comparação com abril, considerando os dados dessazonalizados.
O resultado foi impulsionado principalmente pelos materiais básicos, que registraram crescimento de 1,6% no período, enquanto os materiais de acabamento permaneceram estáveis. O desempenho sugere uma recomposição da atividade após os impactos observados em abril, quando o aumento dos custos de combustíveis e derivados do petróleo, somado às incertezas do cenário internacional, pressionou a operação das empresas e contribuiu para a retração do faturamento.
Na comparação com maio de 2025, o faturamento da indústria apresentou recuo de 1,0%. O desempenho acumulado no ano ainda reflete um ambiente econômico marcado por juros elevados e por uma acomodação da demanda em alguns segmentos da construção civil. Entre os grupos de materiais, os básicos permaneceram estáveis na comparação anual, enquanto os de acabamento registraram retração de 2,6%.
Apesar da melhora observada em maio, os indicadores acumulados mostram que o setor ainda segue em processo de recomposição. Nos cinco primeiros meses do ano, o faturamento deflacionado da indústria registra retração de 3,7%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses apresenta queda de 3,8%.
Alerta
Na projeção anual, apesar de apresentar crescimento de 1,9%, a Abramat traz sinais de alerta que podem impactar esse crescimento, como a performance abaixo do previsto do Programa Reforma Casa Brasil, pressões inflacionárias na cadeia e desempenho geral da economia e da demanda. A expectativa está apoiada na recuperação gradual da atividade da construção civil e na capacidade da indústria de manter níveis consistentes de operação mesmo diante de um cenário econômico mais restritivo.
Para Mauro Franco, presidente executivo da Abramat, o resultado de maio traz sinais positivos, especialmente pela reação observada nos materiais básicos, segmento tradicionalmente associado ao ritmo das obras e da atividade da construção.
“O avanço registrado em maio mostra que a indústria continua encontrando espaço para reagir, mesmo em um ambiente que ainda exige cautela. O desempenho dos materiais básicos é particularmente relevante porque acompanha mais de perto o nível de atividade da construção e sinaliza uma retomada gradual após os desafios enfrentados no mês anterior”, afirma.
Segundo o executivo, a leitura dos indicadores ainda requer atenção em relação as expectativas da entidade para o ano.
“Apesar do avanço gradual nestes primeiros meses, a comparação acumulada mostra que ainda não recuperamos os patamares do ano passado, mostrando ainda um cenário que permanece desafiador para empresas e consumidores. Ao mesmo tempo, a sustentação dessa melhora gradual projeta a perspectiva de um crescimento moderado em 2026 em relação ao ano passado e demonstra a capacidade de recuperação da indústria e a resiliência da construção civil, setor tão relevante para a economia brasileira”, completa.
O Índice Abramat é um estudo mensal que acompanha o desempenho do faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção, com base em dados oficiais, pesquisas com associados e metodologia desenvolvida pela Ecconit.
Sobre a Abramat
A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) representa a indústria nacional de materiais e atua de maneira transversal junto a mais de 20 segmentos do setor, promovendo o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva, a conformidade de produtos e a representação de seus membros diante dos principais interlocutores públicos e privados do país.
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