
A Irani Papel e Embalagem aprovou nesta quinta-feira (31), em reunião do Conselho de Administração, uma operação de R$750 milhões em novas captações de dívida, parte de uma estratégia que o mercado financeiro chama de liability management – a gestão ativa do endividamento de uma companhia para melhorar suas condições de pagamento sem alterar o volume total de dívida de forma relevante.
A lógica da operação é simples de entender, mesmo com o nome técnico: a Irani está trocando dívida mais cara por dívida mais barata. As novas operações, contratadas com bancos de relacionamento da companhia, saem a um custo médio de CDI + 1,16% ao ano. Em paralelo, a empresa aprovou a liquidação antecipada de cerca de R$158,6 milhões em dívidas que custavam CDI + 1,84% ao ano, uma diferença de 0,68 ponto percentual a favor da nova estrutura.
O novo endividamento tem prazo total de cinco anos, com carência de 24 a 30 meses antes do início dos pagamentos, e não exige garantias reais – nem imóveis, nem equipamentos, nem recebíveis vinculados à operação.
Para uma companhia industrial como a Irani, dona de fábricas de papel, papelão ondulado e embalagens, conseguir crédito sem oferecer ativos como garantia costuma indicar avaliação de crédito favorável por parte dos bancos financiadores.
O efeito prático da operação aparece em dois pontos do balanço da companhia. Primeiro, o prazo médio da dívida se alonga – parte do que vencia mais cedo agora se estende por até cinco anos, aliviando a pressão de caixa nos próximos exercícios. Segundo, o custo médio ponderado do endividamento cai, já que a nova dívida é mais barata que a que está sendo quitada.
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