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Capa Radar da Indústria
Embasa

A ECP é a maior estação de tratamento de esgoto da Bahia, respondendo por 65% do esgoto coletado de Salvador

Conheça o plano da Embasa para blindar o esgoto de Salvador

Estatal baiana vai implantar um sistema de armazenamento de energia por baterias (BESS) na Estação de Condicionamento Prévio do Rio Vermelho

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
01/04/2026
em Radar da Indústria
Tempo de Leitura: 5 minutos
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Radar

A Embasa decidiu blindar o coração do saneamento de Salvador contra os humores da rede elétrica. A estatal, que lucrou mais R$1 bilhão no ano passado,  vai implantar um sistema de armazenamento de energia por baterias (BESS, na sigla em inglês) na unidade do Rio Vermelho.

O local escolhido é estratégico: a Estação de Condicionamento Prévio (ECP) da Lucaia, que processa nada menos que 65% do esgoto da capital e atende a mais de 2 milhões de pessoas.

embasaPara além da inovação tecnológica, o movimento é uma resposta pragmática ao custo da ineficiência.

Operando 24 horas por dia para bombear efluentes a mais de 2,3 km mar adentro, a estação não pode se dar ao luxo de oscilações. Nos últimos 10 anos, foram 7  interrupções no fornecimento de energia no local.

Falhas no fornecimento de energia elétrica, mesmo que breves, podem comprometer processos críticos como aeração, bombeamento e desinfecção, resultando em impactos ambientais significativos e riscos à população.

O que quer a Embasa?

Com as baterias, a Embasa busca o que o jargão do setor chama de “confiabilidade no suprimento”. Traduzindo: não ficar na mão da concessionária de energia e, de quebra, aliviar a conta de luz ao injetar carga nos horários de pico, quando a tarifa explode.

O BESS (Battery Energy Storage System) é um sistema de armazenamento de energia que utiliza baterias (geralmente íon-lítio) para guardar eletricidade, permitindo seu uso posterior. Ele funciona carregando durante períodos de baixo custo ou alta geração renovável (solar/eólica) e descarregando durante picos de demanda ou falta de energia

O sistema apresenta diversas vantagens em relação a sistemas convencionais de geração de emergência, como geradores a diesel.  Algumas delas:

  • É capaz de entrar em operação imediatamente após a detecção de falha na rede elétrica, evitando interrupções nos processos da ECP;
  • Por não utilizar combustíveis fósseis, o BESS contribui para a redução de emissões de gases poluentes e ruídos;
  • Menor necessidade de manutenção e ausência de consumo de combustível;
  • Integração com fontes renováveis

Modelo para outros segmentos

No bastidor, o setor industrial baiano observa o projeto com lupa. Se o modelo de “seguro-energia” da  Embasa  parar de pé em uma superestrutura como a Lucaia, o caminho estará pavimentado para que grandes players de Camaçari e do CIA, por exemplo, acelerem seus próprios projetos de armazenamento para fugir dos gargalos da rede.

No fundo, a iniciativa da Embasa joga luz sobre uma mudança de mentalidade: energia deixou de ser apenas insumo e passou a ser ativo estratégico. Em um cenário de maior pressão sobre o sistema elétrico, eventos climáticos extremos e crescimento da demanda, depender apenas da rede já não basta.

E quem sair na frente nessa corrida – seja com baterias, seja com gestão inteligente –  tende a ganhar competitividade em um mercado cada vez mais pressionado por custo e confiabilidade.

Inpasa muda o jogo do etanol na Bahia

AInpasa iniciou a operação da sua unidade em Luís Eduardo Magalhães, consolidando um investimento de R$1,3 bilhão e inaugurando uma nova fase para a agroindústria regional. Com capacidade para processar 1 milhão de toneladas de grãos por ano, a planta vai  produzir, por ano, 470 milhões de litros de etanol, além de 245 mil toneladas de DDGS e 23 mil toneladas de óleo vegetal.

Mais do que números, o movimento tem peso estrutural: a Bahia deixa de ser importadora para se posicionar como exportadora de biocombustíveis, elevando o nível de competitividade de toda a cadeia do agronegócio.

É a indústria chegando onde antes só havia produção primária.

A operação também injeta dinamismo na economia local. Foram cerca de 2.500 empregos na construção e mais de 450 postos diretos na operação, com prioridade para mão de obra da região  – um sinal claro de interiorização do desenvolvimento.

Com as unidades no Nordeste, a Inpasa reforça sua posição global e consolida um modelo que integra energia, alimento e escala industrial.

No pano de fundo, está a corrida por biocombustíveis e a busca por uma matriz mais limpa,  com o milho do Oeste baiano ganhando protagonismo nesse jogo.

No fim, o recado é direto: quando indústria e agro se encontram, o resultado é mais valor agregado e menos dependência.

O gol contra da Arena

Tem algo curioso –  e revelador –  no balanço de 2025 da Arena Fonte Nova. Enquanto o Bahia viveu, no ano passado,  um dos seus melhores anos recentes, com títulos, boa campanha no Campeonto Brasileiro e presença internacional, o resultado financeiro da concessionária seguiu na direção oposta.

A receita até cresceu, chegando a R$89,3 milhões. Mas o custo operacional disparou – saltou de R$36 milhões para R$53 milhões em um ano. Resultado: prejuízo ampliado para R$15,8 milhões (uma alta de 42% sobre o ano anterior).

E não foi por falta de movimento. Em 2025, a arena recebeu mais de 1,5 milhão de torcedores em 46 jogos (4ª maior média do país) e outros 358 mil em eventos, incluindo shows de Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil.

A equação escancara um ponto sensível: estádio cheio não garante conta no azul. Custos elevados, operação complexa e investimentos constantes continuam pesando.

No fim, a Arena Fonte Nova entrega público, agenda e relevância urbana. Mas o modelo de negócio ainda cobra seu preço.


Radar da Indústria é uma coluna semanal sobre os movimentos que moldam a indústria e a economia da Bahia. Aqui, investimentos, negócios, energia, infraestrutura e política econômica são analisados sem maquiagem. O foco está no que muda o jogo – e no que trava o desenvolvimento. Com informação, bastidor e leitura crítica, o Radar aponta riscos, oportunidades e contradições. Porque entender a indústria é entender o futuro do estado.


Leia também: Copene: entre vapor, empregos e um modelo que ficou no passado

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Tags: BahiaBESSEmbasaenergiaetanolFonte NovaInpasamilho
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