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Capa Química & Petroquímica

Guerra eleva incerteza global, mas indústria química brasileira mantém oferta

Abiquim afirma que contratos e capacidade instalada garantem suprimento

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
01/04/2026
em Química & Petroquímica
Tempo de Leitura: 3 minutos
A A
Indústria química

Indústria química tem capacidade ociosa elevada, enquanto importações avançam e pressionam produção nacional (Foto: Freepik)

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A  Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim)  entrou no debate sobre os impactos do conflito no Oriente Médio com um recado direto ao mercado: não há risco de desabastecimento de produtos químicos no Brasil no curto prazo. Segundo a entidade, apesar da volatilidade global provocada pela escalada de tensões na região, as análises mais alarmistas que circularam recentemente não refletem a dinâmica real do setor. Isso porque a indústria química opera majoritariamente com contratos de médio prazo, o que reduz a transmissão imediata de oscilações de preços e garante previsibilidade no fornecimento.

Na prática, o cenário doméstico é até oposto ao de escassez. O Brasil convive hoje com elevada ociosidade industrial. Em 2025, o nível médio chegou a 41% – o pior patamar em três décadas – e, em alguns segmentos, como intermediários para plásticos, ultrapassa 45%. Há, portanto, capacidade instalada suficiente para atender à demanda interna mesmo em um cenário de restrição de importações. “Temos ampla capacidade disponível na produção de resinas termoplásticas (incluindo PE, PP e PVC)”, diz comunicado distribuído pela entidade.

A avaliação da Abiquim indica que o principal desafio da indústria química brasileira não está na oferta, mas na competitividade. O setor enfrenta custos elevados de energia e gás natural, além de pressões regulatórias e concorrência externa considerada desleal.

Esse quadro ajuda a explicar um movimento recente: o aumento expressivo das importações. Historicamente, o Brasil importa entre 25% e 30% das resinas que consome. Esse percentual, porém, saltou para cerca de 46% entre 2024 e 2025, ampliando ainda mais a ociosidade das plantas nacionais.

De acordo com a entidade, esse avanço das importações não tem relação direta com o conflito no Oriente Médio. A maior parte dos produtos vem de regiões como Estados Unidos, China e outros países asiáticos, além do Egito — mercados que, até o momento, não enfrentam impactos logísticos relevantes decorrentes das tensões geopolíticas.

Abiquim

Setor testado — e aprovado

Em nota distribuída à imprensa, a  Abiquim também recorre ao histórico recente para reforçar sua posição. Durante o auge da pandemia de Covid-19, entre 2021 e 2022, o setor conseguiu manter o abastecimento de insumos essenciais, mesmo diante de uma crise global sem precedentes.

A combinação de produção nacional, estoques e importações complementares evitou rupturas no fornecimento para cadeias críticas, como alimentos, saúde e embalagens – um indicativo de resiliência que, segundo a entidade, se mantém no cenário atual.

Preços sob pressão, mas sem distorções imediatas

No campo dos preços, a entidade reconhece que há pressão global, puxada principalmente pela alta do petróleo. Ainda assim, avalia que o conflito é recente e não há dados suficientes para medir sua extensão sobre custos e competitividade.

A leitura é que, historicamente, momentos de volatilidade tendem a impactar toda a cadeia produtiva, sem necessariamente gerar ganhos extraordinários para a indústria química.

O que está em jogo

O posicionamento da Abiquim joga luz sobre um ponto central: o risco imediato não é falta de produto, mas perda de espaço da indústria nacional.

Com capacidade ociosa elevada e avanço das importações, o setor pressiona por medidas de defesa comercial, como instrumentos antidumping e mecanismos de correção de desequilíbrios concorrenciais.

No fim, o alerta é claro. Em um ambiente global instável, garantir oferta não é o problema –  o desafio real é preservar a competitividade de quem produz no Brasil.


Leia também: Conheça o plano da Embasa para blindar o esgoto de Salvador

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Tags: AbiquimAssociação Brasileira da Indústria QuímicaBrasilChinaEstados Unidosindústria química
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