A Embasa fechou 2025 com números robustos – e com um recado claro: o saneamento na Bahia virou uma operação de escala, caixa e estratégia. A companhia registrou receita operacional líquida de R$5,05 bilhões, alta de 6,9% sobre 2024, impulsionada pela expansão da base de clientes, com mais 102 mil ligações de água e 75 mil de esgoto, aumento do volume faturado e reajustes tarifários autorizados pela Agência Reguladora de Saneamento Básico do Estado da Bahia. O crescimento veio acompanhado de rentabilidade: o lucro líquido alcançou R$1,01 bilhão, com margem de 19,9%, enquanto a margem Ebitda ficou em 25,2%.
Do lado dos investimentos, a Embasa acelerou. Foram R$1,739 bilhão aplicados em 2025, com foco na expansão e modernização dos sistemas – R$910 milhões em abastecimento de água, R$708 milhões em esgotamento sanitário e R$121 milhões em desenvolvimento institucional. A estratégia ganhou reforço com a captação de R$7,3 bilhões via Novo PAC 2025, destinados a 42 projetos estruturantes com potencial de impacto sobre mais de 9 milhões de baianos.
A estrutura operacional também impressiona: são 416 sistemas de água em 368 municípios, atendendo cerca de 10,6 milhões de pessoas, e 440 sistemas de esgoto em 122 municípios, com cobertura para aproximadamente 5 milhões de habitantes. Um alcance que coloca a companhia como peça-chave da infraestrutura básica do estado.
Nem tudo, porém, veio sem pressão. Os custos avançaram, especialmente com pessoal, que cresceram 12% no ano, puxados por reajustes salariais, aumento das despesas médicas e novas contratações. Ainda assim, a empresa manteve disciplina financeira, ampliou ativos para R$13,47 bilhões e teve sua classificação de risco elevada pela Moody’s Local Brasil.
“O encerramento do ciclo estratégico 2021–2025 consolida um modelo de gestão orientado à eficiência, à sustentabilidade econômico-financeira e à governança responsável, preparando a companhia para um novo ciclo de desafios e oportunidades”, disse o presidente da companhia, Gildeone Almeida Santos, no relatório da administração.
Por que isso importa
Os resultados da Embasa vão além de um balanço positivo. Eles mostram um setor em transformação. O saneamento deixou de ser apenas serviço público e passou a operar sob lógica de investimento intensivo, eficiência e escala – pressionado pelo novo marco regulatório e pela meta de universalização.
A combinação de crescimento de receita, alta rentabilidade e expansão de investimentos indica que a companhia conseguiu alinhar três vetores críticos: demanda crescente, capacidade de execução e acesso a capital. Isso não é trivial em um setor historicamente marcado por restrições fiscais e baixa capacidade de investimento.
Outro ponto-chave é o peso da regulação. Os reajustes tarifários tiveram papel central no desempenho financeiro, reforçando como o equilíbrio econômico das concessionárias depende de decisões regulatórias consistentes. Sem isso, a conta simplesmente não fecha.
Há também um vetor estratégico relevante: o acesso a recursos do Novo PAC. A captação bilionária posiciona a Embasa para um novo ciclo de expansão, mas também aumenta a pressão por entrega. Em saneamento, investimento anunciado precisa virar obra – e obra precisa virar cobertura.
Por fim, o movimento da companhia dialoga com um desafio estrutural maior: garantir infraestrutura básica em um estado com grande dispersão territorial e desigualdade de acesso. Nesse contexto, eficiência operacional, inovação (como novas tecnologias de tratamento) e segurança energética passam a ser diferenciais competitivos – e não apenas operacionais.
No fundo, o balanço de 2025 revela uma empresa financeiramente sólida, mas, sobretudo, um setor que entrou de vez na agenda estratégica do desenvolvimento econômico. E isso muda o jogo.
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