A Cambuci S.A., dona das marcas Penalty e Stadium, começou 2026 com crescimento de receita e lucro, mesmo em meio a um cenário de pressão inflacionária, juros elevados e retração do consumo no varejo brasileiro. A empresa, que mantém forte presença industrial na Bahia, encerrou o primeiro trimestre com receita líquida de R$99,2 milhões, alta de 1,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O lucro líquido da companhia somou R$19,7 milhões entre janeiro e março, avanço de 3,1% frente ao primeiro trimestre de 2025. A margem líquida também apresentou leve melhora, passando de 19,5% para 19,9%.
A empresa atribui o desempenho à recuperação do volume de vendas em março e à estratégia de ampliar a participação de produtos com maior valor agregado no portfólio. O movimento ajudou a elevar a margem bruta da companhia para 51,1%, acima dos 49,3% registrados um ano antes.
Apesar do crescimento operacional, a margem Ebitda recuou de 23,9% para 20,7%, refletindo principalmente o aumento dos investimentos em marketing e trade marketing. Ainda assim, o Ebitda permaneceu elevado, em R$20,5 milhões.
A companhia destacou que o ambiente econômico segue desafiador. Segundo a administração, a inflação, o endividamento das famílias e os efeitos do conflito geopolítico envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã pressionaram o varejo e os custos industriais no período, especialmente em matérias-primas ligadas ao petróleo, combustíveis e fretes.
Mesmo com esse cenário, a empresa preservou forte posição de caixa. A Cambuci encerrou março com caixa líquido de R$56,3 milhões, índice de liquidez corrente de 3,68 vezes e geração operacional de caixa positiva em R$1,1 milhão. No trimestre, a companhia também distribuiu R$6 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) e realizou investimentos de R$4,1 milhões.
Bahia no centro da estratégia industrial
A Bahia segue como peça-chave na estrutura produtiva da companhia. A Cambuci mantém duas unidades industriais no estado: em Itabuna, onde fabrica bolas esportivas, e em Itajuípe, dedicada à produção de uniformes, meias e equipamentos esportivos. As plantas fazem parte da estratégia industrial da empresa no Nordeste, que inclui ainda uma unidade em Bayeux, na Paraíba.
Considerada a maior fabricante brasileira de artigos para futebol, a companhia aposta na combinação entre produção nacional e complementação do portfólio com produtos importados para manter competitividade em diferentes cenários econômicos.
A administração informou ainda que segue executando um plano de crescimento para os próximos cinco anos, iniciado no fim de 2025, mas adota postura de cautela para os próximos meses diante das incertezas econômicas e da pressão sobre o consumo.
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