
A terça-feira, 5 de maio de 2026, consolida um cenário de forte movimentação diplomática e fôlego econômico para o Brasil. Enquanto o Palácio do Planalto prepara as malas para um encontro estratégico nos Estados Unidos, o mercado financeiro reage com otimismo, levando o dólar a patamares de dois anos atrás. No Congresso, a pauta mineral ganha tração, sinalizando uma aposta agressiva na reindustrialização tecnológica através de terras raras.Aqui estão os seis fatos que você precisa conhecer antes de dormir.
Renegociação de dívidas
🟠 Veículo: Agência Brasil / Ministério da Fazenda
➡️ Título: Novo Desenrola é liberado e bancos já podem ofertar renegociação de dívidas
📊 Resumo: O governo federal regulamentou nesta terça-feira o Novo Desenrola Brasil, publicando a portaria normativa que libera as instituições financeiras a ofertar as condições do programa. A segunda edição do Desenrola já beneficiou cerca de 15 milhões de brasileiros desde 2023 e renegociou cerca de R$53 bilhões em dívidas. O programa, com duração de 90 dias, tem o objetivo de ajudar famílias brasileiras a sair da inadimplência, que atingiu 5,3% em março de 2026. A Medida Provisória permite usar até R$8,2 bilhões do FGTS para quitar dívidas em atraso. Podem participar brasileiros com renda de até cinco salários mínimos (R$8.105), com descontos entre 30% e 90% e taxa de juros limitada a 1,99% ao mês, em até 48 meses de prazo.
Análise: O Desenrola chega em momento delicado: a inadimplência das famílias ainda pressiona o consumo e o crescimento econômico. Com mais de 100 milhões de pessoas potencialmente elegíveis, o programa é a maior aposta do governo Lula para reduzir o endividamento sem elevar os gastos fiscais de forma direta. A novidade de usar o FGTS como ferramenta de quitação é inédita e pode gerar adesão expressiva — mas também debate sobre o impacto no fundo de garantia dos trabalhadores. O sucesso dependerá da capacidade dos bancos em processar rapidamente os pedidos e da disposição dos inadimplentes em retomar o crédito após limpar o nome.
Encontro Lula e Trump
🟠 Veículo: A TARDE / Metrópoles / CartaCapital
➡️ Título: Casa Branca confirma encontro de Lula e Trump na quinta-feira em Washington
📊 Resumo: O encontro entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o americano Donald Trump foi confirmado pela Casa Branca e acontecerá na próxima quinta-feira, 7, em Washington. Segundo o comunicado oficial, a reunião terá como foco temas econômicos e de segurança considerados estratégicos para ambos os países. A visita de Lula a Trump é articulada desde o encontro breve e amistoso dos dois líderes à margem da Assembleia Geral da ONU em setembro do ano passado. Em janeiro, acertaram a visita por telefone, mas a viagem foi adiada pelo foco do republicano no conflito com o Irã.
Análise: Este será o encontro mais relevante da política externa brasileira no atual mandato de Lula. Economia e segurança estão na pauta, mas o pano de fundo inclui tarifas comerciais, o sistema Pix (alvo de questionamentos americanos) e o alinhamento do Brasil no xadrez geopolítico pós-conflito EUA-Irã. O vice-presidente Geraldo Alckmin disse que o encontro deve servir para esclarecer o funcionamento do Pix e buscar um “ganha-ganha” entre os países. O êxito ou fracasso da reunião terá impacto direto sobre o câmbio e o ambiente de negócios no Brasil nas próximas semanas.
Dólar em queda
🟠 Veículo: Jornal de Brasília / RIC
➡️ Título: Dólar fecha aos R$ 4,91, menor valor desde janeiro de 2024
📊 Resumo: O dólar encerrou a sessão de hoje no menor valor em relação ao real desde janeiro de 2024, cotado a R$ 4,91. Depois do tombo desta terça, a desvalorização da moeda americana em 2026 passou a ser de dois dígitos: 10,51%. A combinação de melhora dos termos de troca com manutenção de taxa de juros atrativa deu suporte ao real. Operadores relataram também entrada de recursos estrangeiros para a bolsa e provável internalização de recursos por exportadores. “O mercado experimentou um alívio hoje com a continuidade do cessar-fogo e até com relatos de passagem de alguns navios pelo Estreito de Ormuz”, afirmou o economista-chefe da Group Holding USA, Fabrizio Velloni.
Análise: A queda do dólar reflete uma combinação de fatores externos — amenização da crise no Estreito de Ormuz e recuo do petróleo — com a sustentação da taxa Selic, que mantém o Brasil atrativo para o carry trade. Para a indústria, o câmbio mais baixo pressiona exportadores, mas alivia importadores de insumos. O nível de R$ 4,91 ainda está longe do patamar que tornaria o setor industrial mais competitivo globalmente, mas representa um alívio importante para a inflação de custos. O cenário pode se inverter rapidamente a depender do resultado do encontro Lula-Trump e do desfecho no Oriente Médio.

Minerais críticos
🟠 Veículo: TV Brasil / ND Mais / CNN Brasil
➡️ Título: Motta diz que pautará amanhã projeto sobre terras raras, e Planalto dá sinal verde
📊 Resumo: A votação do projeto que cria uma política nacional para minerais críticos e estratégicos, incluindo terras raras, foi adiada na Câmara dos Deputados após pressão de mineradoras por mais tempo para discutir o texto. A proposta era um dos principais itens da pauta desta terça-feira. Mas Hugo Motta garantiu que o placar será aberto na quarta. O projeto de lei 2.780/2024 institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas com produção inferior a 0,1% do total global, por falta de mapeamento geológico, licenciamentos travados e ausência de legislação clara para atrair investimentos.
Análise: O projeto de terras raras é um dos mais estratégicos da legislatura — e um dos mais disputados politicamente. A disputa central gira em torno da criação de uma estatal para gerir minerais críticos, a chamada Terrabras, defendida pelo PT, mas rejeitada pelo relator Arnaldo Jardim. Com o Brasil sentado sobre a segunda maior reserva mundial e os EUA detendo apenas 2,1% do total global, o Brasil tem uma janela histórica para negociar sua inserção nas cadeias produtivas de alta tecnologia. Votar esse projeto bem — ou mal — pode definir décadas de royalties, empregos e soberania industrial.
Eleições na Bahia
🟠 Veículo: A TARDE / Subúrbio Online
➡️ Título: Jerônimo ultrapassa 350 prefeitos aliados e consolida chapa para outubro
📊 Resumo: O governador e pré-candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), consolidou mais um avanço na base de apoio. Em evento realizado nesta segunda-feira em Salvador, mais 14 prefeitos da região Norte da Bahia reafirmaram o compromisso com o projeto governista, elevando para mais de 350 o número de gestores municipais que caminham com o petista — cerca de 84% das prefeituras do estado. A presença do senador Jaques Wagner e do ex-ministro Rui Costa ao lado do governador consolidou o desenho da chapa majoritária para 2026. O encontro incluiu um balanço do mandato, com destaque para a marca de 2.600 obras concluídas ou em execução no estado.
Análise: Com 350 prefeitos no bolso e uma chapa que promete reunir Jerônimo, Wagner e Rui Costa, o grupo governista baiano exibe músculo político de forma incomum a seis meses da campanha oficial. O desafio, porém, não é de quantidade, mas de composição: o PSD de Angelo Coronel ainda não tem espaço garantido na chapa majoritária, e a tensão sobre as duas vagas ao Senado pode rachar uma aliança construída ao longo de quase 20 anos. O cenário da oposição, liderado por ACM Neto, depende exatamente de que essa rachadinha se amplie.
Guerra
🟠 Veículo: Zero Hora / Reuters
➡️ Título: Trump anuncia suspensão de operação no Estreito de Ormuz
📊 Resumo: O presidente Donald Trump anunciou a suspensão temporária da “Operação Liberdade”, que fornecia escolta militar a navios comerciais no Estreito de Ormuz. Segundo Trump, a medida visa abrir caminho para uma nova rodada de negociações diretas com o Irã, tentando desarmar a crise que elevou os preços do petróleo nas últimas semanas.
Análise: A decisão é uma aposta de alto risco que pode acalmar o mercado de petróleo ou criar um vácuo de poder perigoso na região. Ao retirar o suporte militar, Trump pressiona o Irã a negociar, mas também coloca a responsabilidade da segurança marítima nas mãos de outros atores globais e das próprias empresas de logística. Para o Brasil, o reflexo é imediato no preço dos combustíveis; qualquer instabilidade resultante dessa mancha geopolítica pode reverter a queda do dólar e pressionar a inflação doméstica via Petrobras.
O MERCADO NESTA TERÇA-FEIRA (5/5)
- Ibovespa: +0,62% / Pontos: 186.753,82
- Dólar comercial no balcão: Compra: R$ 4,9114/ Venda: R$ 4,9119
- Dólar Turismo: Compra: R$ 4,6411/ Venda: R$ 5,09
- Euro Turismo: Compra: R$ 5,2876/ Venda: R$ 6,004
- Ouro: Cotação: US$ 4.568,50 a onça-troy (1 onça-troy equivale a 31,1035 gramas) / Variação: +0,77%
PARA ACOMPANHAR QUARTA-FEIRA (6/5)
1 –Encontro Lula-Trump (quinta-feira, 7): Quais serão os acordos firmados? A agenda inclui comércio, tarifas, Pix e posicionamento geopolítico. O tom da reunião vai ditar os próximos movimentos do câmbio e das relações bilaterais.
2 – Votação do projeto de terras raras na Câmara: Hugo Motta prometeu pauta para quarta. O imbróglio entre a criação da Terrabras (defendida pelo PT) e um marco mais liberal (defende o relator) definirá o posicionamento do Brasil em uma das disputas econômicas mais estratégicas do século.
3 – Reação dos Mercados: Veja se o dólar sustenta o patamar abaixo de R$ 5,00 após a euforia inicial com as medidas de crédito e as sinalizações políticas do dia.
O Giro das 21h volta amanhã. Boa noite!
Giro das 21h é produzido pela redação do Indústria News. Atualizado até às 20h30 de 5/5/2026
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