A Petrobras ampliou sua carteira de combustíveis mais sustentáveis ao incorporar 5% de conteúdo renovável em dois produtos premium: o Diesel Podium, voltado a SUVs e picapes de uso pessoal, e o Diesel Verana, destinado a embarcações náuticas de lazer.
Com a nova formulação, os dois combustíveis passam a reduzir em cerca de 3% as emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida, sem exigir qualquer adaptação nos motores. O diesel renovável é produzido por coprocessamento de diesel mineral com óleo vegetal ou gordura animal, mantendo as mesmas especificações técnicas do diesel S10 tradicional.
O Diesel Podium, desenvolvido e testado pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), o foco segue sendo alto desempenho e proteção do motor. O combustível preserva potência, reduz desgaste de componentes, evita corrosão e formação de depósitos no sistema de combustão. O produto será comercializado inicialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Já o Diesel Verana, único diesel premium do país voltado exclusivamente ao mercado náutico de lazer, também recebeu o teor renovável. Testado em condições reais de operação no mar, o combustível oferece abastecimento mais rápido, menor formação de espuma, redução do odor característico do diesel marítimo e maior estabilidade química – um diferencial relevante para embarcações que passam longos períodos sem uso. O produto será disponibilizado no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.
Segundo o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, a iniciativa reforça a estratégia de expandir a atuação da companhia no segmento premium com soluções alinhadas à transição energética. “Estamos ampliando a oferta de produtos mais sustentáveis, sem abrir mão da qualidade, em linha com as demandas atuais da sociedade”, afirmou.
Os novos combustíveis são produzidos na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP).
O que está por trás dessa movimentação
A decisão da Petrobras vai além de um ajuste técnico no combustível. Ela revela uma mudança de abordagem comercial e estratégica.
Sustentabilidade como produto – não só discurso
- Ao inserir conteúdo renovável em combustíveis premium, a Petrobras testa um caminho pragmático para a transição energética: reduzir emissões sem exigir troca de frota ou investimentos adicionais do consumidor. Isso reduz barreiras de adoção e acelera escala.
Transição energética “realista”
- Em vez de apostar apenas em rupturas tecnológicas, a estatal avança no conceito de descarbonização incremental. Para empresários, isso sinaliza que o mercado seguirá demandando soluções híbridas – nem totalmente fósseis, nem 100% elétricas – por muitos anos.
Segmentação de mercado ganha peso
- SUVs, picapes e náutica de lazer são nichos de maior valor agregado. A Petrobras deixa claro que vê espaço para margem, diferenciação e fidelização mesmo em combustíveis líquidos, desde que o produto entregue desempenho + narrativa ambiental.
Cadeia produtiva em alerta
- O coprocessamento com óleo vegetal e gordura animal tende a ampliar a demanda por matérias-primas renováveis, abrindo oportunidades para fornecedores, logística, agronegócio e indústrias de insumos.
O sinal para o mercado
A mensagem é direta:
- combustíveis fósseis não desaparecem no curto prazo
- mas passam a competir também por pegada de carbono, eficiência e certificação ambiental
Para empresas, gestores de frota, operadores logísticos e fornecedores industriais, o recado é claro: a transição energética já está influenciando custo, posicionamento e competitividade – inclusive onde menos se esperava.
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