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Capa Química & Petroquímica
FAFEN - Polo Industrial de Camaçari - Ba.

Na prática, a Fafen-BA terá capacidade para produzir até 1.300 toneladas de ureia por dia, o equivalente a 5% do mercado nacional (Foto: Divulgação / Petrobras)

Fafen Bahia volta ao jogo e o Brasil reduz uma dependência crítica

Unidades da Bahia e Sergipe respondem por 20% da ureia nacional

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
13/01/2026
em Química & Petroquímica
Tempo de Leitura: 3 minutos
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A retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), em Camaçari, marca um ponto de inflexão na política industrial brasileira. Após concluir a manutenção no fim de 2025, a unidade entrou em fase de comissionamento de partida e deve iniciar a produção de ureia até o final de janeiro. O movimento recoloca a Bahia no centro de uma cadeia considerada estratégica para o país: a de fertilizantes nitrogenados.

O avanço na Bahia ocorre em paralelo à reativação da Fafen Sergipe, em Laranjeiras, onde a produção de amônia começou em 31 de dezembro e a de ureia foi iniciada no último dia 3. Juntas, as duas plantas somam investimentos iniciais de R$76 milhões – R$38 milhões em cada unidade – e já geram 1.350 empregos diretos e outros 4.050 indiretos.

Na prática, a Fafen-BA terá capacidade para produzir até 1.300 toneladas de ureia por dia, o equivalente a 5% do mercado nacional, além de amônia e Arla 32. A operação inclui ainda os terminais marítimos de amônia e ureia no Porto de Aratu, em Candeias, reforçando a logística industrial do estado. Em Sergipe, a capacidade chega a 1.800 toneladas diárias de ureia, cerca de 7% do consumo nacional.

Segundo o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, a reativação das duas unidades, somada à operação da Araucária Nitrogenados (Ansa), no Paraná, permitirá que a companhia responda por cerca de 20% de toda a demanda de ureia do país.

“Nossa expectativa é elevar a produção nacional para 35% nos próximos anos, com uma nova planta em construção no Mato Grosso do Sul”, afirmou. “Atualmente, toda a ureia consumida no Brasil é importada. Com a retomada da produção nacional, a Petrobras amplia a oferta do insumo no mercado interno, reduz a dependência externa e fortalece a cadeia produtiva do agronegócio”, enfatiza França.

fafen Sergipe
A Fafen de Sergipe tem capacidade de produzir 1.800 toneladas por dia de ureia

Por que isso importa

Hoje, praticamente 100% da ureia consumida no Brasil é importada. Isso expõe o agronegócio – um dos pilares da economia nacional – à volatilidade internacional, a choques geopolíticos e a gargalos logísticos. A reabertura das Fafens reduz essa vulnerabilidade, amplia a segurança de suprimento e devolve ao país capacidade produtiva em um insumo crítico.

Além do agro, a produção atende cadeias industriais como têxtil, tintas, papel e celulose, além da fabricação de Arla 32, essencial para a redução de emissões veiculares. Há, portanto, impacto econômico, ambiental e industrial em uma mesma decisão.

O que está por trás da estratégia

A retomada das Fafens também dialoga com a política de gás natural da Petrobras. A ureia tem o gás como principal matéria-prima, e a produção local amplia as alternativas de alocação do insumo, gerando valor ao longo da cadeia.  Segundo William França,  “trata-se de uma ação estratégica, já que o processo [fabricação de ureia] utiliza o gás natural como principal matéria-prima, ampliando as alternativas de alocação do gás produzido pela companhia e gerando valor para a indústria, o setor agrícola e o país”.

Sinal para o mercado

Para o mercado, o sinal é claro: a Petrobras volta a ocupar um papel ativo na reconstrução da base industrial brasileira. Para estados como Bahia e Sergipe, trata-se de mais do que reabrir fábricas –  é recuperar protagonismo, empregos qualificados e infraestrutura logística. Já para o país, a mensagem é estratégica: reduzir dependências externas em insumos críticos deixou de ser discurso e voltou a ser política pública.

A Fafen Bahia não é apenas uma planta retomada. É um indicativo de que o Brasil começa a redesenhar sua soberania industrial – começando pelo que alimenta o campo, a indústria e a economia.


Leia também: Chadler: a fábrica de chocolate que ‘perfumou’ a Cidade Baixa

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Fonte: COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA PETROBRAS
Tags: BahiaCamaçariFafenfertilizantesfertilizantes nitrogenadosgás naturalPetrobrasSergipeureia
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