O BNDES aprovou um financiamento de R$950 milhões para a Inpasa Agroindustrial implantar sua sexta biorrefinaria no Brasil – e a primeira na Bahia. A unidade está endo instalada em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste do estado, e será voltada à produção de etanol anidro e hidratado a partir do processamento de milho, sorgo e outros grãos. O investimento total no projeto é da ordem de R$1,2 bilhão.
Do total de recursos, R$350 milhões virão do Fundo Clima e R$600 milhões da linha Finem, voltada a grandes projetos industriais. A planta terá capacidade para processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano, produzindo 498 milhões de litros de etanol, além de DDGs, óleo vegetal e energia elétrica. A expectativa é que a operação atinja plena capacidade a partir de 2027.
Projetada para ocupar uma área superior a 125 mil metros quadrados, a nova unidade está sendo construída na zona rural do município, um dos principais polos do agronegócio brasileiro. Durante a fase de obras, a estimativa é de 300 empregos diretos e mais de 3 mil indiretos. Na operação, a planta deverá empregar entre 450 e 500 trabalhadores, majoritariamente ligados às atividades industriais.
Para o BNDES, o projeto reforça a estratégia de ampliar a cadeia de biocombustíveis no país. Segundo o presidente do banco, Aloizio Mercadante, o investimento contribui para que a Bahia deixe de ser importadora e passe a atuar como exportadora de biocombustíveis, gerando emprego, renda e agregação de valor à produção agrícola local.
Já a Inpasa destaca que esta é sua primeira captação junto ao BNDES. Presente no Brasil desde 2018, a companhia vem acelerando sua expansão no segmento de etanol de milho e vê a unidade baiana como um passo estratégico para consolidar sua presença no Nordeste.
“Fechamos nossa primeira captação de recursos junto ao BNDES e estamos muito satisfeitos com o resultado. A Inpasa, empresa relativamente nova no mercado de biocombustível no Brasil, desde 2018 vem expandindo sua atuação e se orgulha de poder contar com o apoio do BNDES na implantação de sua 6ª biorrefinaria no Brasil, 1ª na Bahia”, diz Moacir Marcos Junior, diretor de RI e Captação da Inpasa.
Mais do que um financiamento, o projeto da Inpasa sinaliza uma virada de chave: a Bahia entra de vez no mapa do etanol de milho, com indústria, escala e financiamento verde. O impacto vai muito além da planta – e ajuda a redesenhar o futuro do agronegócio industrial no estado
Importância
O que aconteceu
O BNDES entrou como financiador-chave de um dos maiores projetos recentes de bioenergia na Bahia, viabilizando a chegada de uma biorrefinaria de grande escala ao Oeste do estado.
Por que isso importa
- Mudança estrutural na matriz industrial da Bahia – A Bahia deixa de ser apenas produtora de grãos para avançar na industrialização do agronegócio, capturando mais valor dentro do próprio estado.
- Etanol de milho ganha força no Nordeste – Tradicionalmente concentrado no Centro-Oeste e Sudeste, o etanol de milho começa a redesenhar o mapa da bioenergia no país – e a Bahia entra nesse jogo com escala.
- Financiamento verde com impacto real – O uso de recursos do Fundo Clima mostra uma inflexão prática: transição energética associada a indústria pesada, emprego e geração de receita.
- Novo papel logístico para Luís Eduardo Magalhães – A cidade se consolida não só como polo agrícola, mas como hub agroindustrial, com efeitos em transporte, armazenagem, energia e serviços.
- Sinal claro do BNDES ao mercado – O banco reforça que está disposto a financiar projetos grandes, industriais e intensivos em capital — desde que alinhados a eficiência, escala e sustentabilidade.
O que fazer com essa informação
- Empresas de energia e logística: atenção às oportunidades na cadeia (armazenagem, transporte, subprodutos, energia).
- Municípios do Oeste baiano: o projeto reforça a necessidade de infraestrutura urbana, mão de obra qualificada e planejamento territorial.
- Investidores e mercado: a Inpasa emerge como player cada vez mais relevante no etanol de milho, agora com respaldo do BNDES.
- Governo estadual: o desafio passa a ser garantir que novos projetos encontrem ambiente regulatório, logístico e energético à altura.
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