A Seara, empresa do grupo JBS, atingiu um marco em sua estratégia de sustentabilidade ao registrar que cerca de 75% dos produtores integrados de aves e suínos no Brasil já utilizam fontes limpas e renováveis de energia, como painéis solares e biodigestores, com apoio técnico da companhia.
Na avicultura, mais de 73% das granjas integradas operam com energia solar, distribuídas em dez estados e no Distrito Federal. Bahia e Paraná lideram a adoção, com 82% das granjas, seguidas por Mato Grosso do Sul (81%) e Minas Gerais (77%).
Há seis anos, apenas 5,6% das propriedades utilizavam energia solar, o que representa um crescimento de aproximadamente 1.208% no período. Somente no último ano, essas unidades geraram 215,4 milhões de kWh, volume suficiente para abastecer, por um ano, uma cidade com cerca de 94,4 mil habitantes.
A energia produzida é utilizada diretamente nos aviários, reduzindo a dependência das concessionárias e garantindo fornecimento para sistemas essenciais como climatização, automação, distribuição de ração, coleta de ovos e controle ambiental, com impacto direto sobre produtividade, bem-estar animal e qualidade do produto.
Na suinocultura, a Seara avançou na adoção de biodigestores, com 46% das propriedades integradas com potencial para a tecnologia já equipadas. A maior concentração dessas granjas está na região Centro-Oeste, onde o sistema tem contribuído para eficiência produtiva e redução de custos.
Segundo Vamiré Luiz Sens Júnior, gerente-executivo de Agropecuária da Seara, a energia renovável no campo reduz custos, amplia margens, viabiliza investimentos em automação e fortalece a competitividade das propriedades, além de gerar benefícios ambientais, econômicos e sociais.
Por que isso importa
O avanço da energia renovável nas granjas integradas da Seara revela uma mudança estrutural no modelo produtivo do agro industrial brasileiro. Energia, tradicionalmente um dos maiores custos operacionais, passa a ser tratada como ativo estratégico, com impacto direto na rentabilidade e na gestão.
O caso evidencia três vetores centrais que serão analisados a seguir: redução estrutural de custos, ganho de eficiência produtiva e novo papel do produtor integrado na agenda ESG.
A questão-chave é: a autogeração de energia está deixando de ser diferencial e se tornando pré-requisito competitivo no agro?
O que explica esse movimento no campo
Por que isso está acontecendo?
- Pressão permanente sobre custos operacionais
Energia elétrica é um insumo crítico na avicultura e suinocultura, especialmente em sistemas intensivos e automatizados. A autogeração reduz a exposição às tarifas e traz previsibilidade financeira. - Maturidade tecnológica e escala
A queda nos custos de painéis solares e a maior eficiência dos biodigestores tornaram essas soluções economicamente viáveis em larga escala, inclusive para propriedades integradas. - Integração entre sustentabilidade e rentabilidade
Os sistemas não apenas reduzem emissões, mas geram economia média de até 62% na conta de energia, transformando sustentabilidade em vantagem econômica mensurável. - Atuação ativa da integradora
O suporte técnico e o incentivo da Seara reduziram barreiras de adoção, acelerando a disseminação das tecnologias e criando um padrão produtivo mais eficiente dentro da cadeia.
O que isso significa na prática
a) Para empresários rurais
A principal oportunidade está na transformação de um centro de custo em fonte de ganho competitivo. A redução ou eliminação da conta de energia libera capital para automação, expansão produtiva e melhoria de gestão. A ameaça está em ficar para trás: propriedades sem autogeração tendem a perder competitividade. A ação recomendada é avaliar o potencial técnico da propriedade e estruturar projetos de solar ou biodigestores com foco em retorno de médio prazo.
b) Para profissionais do agro
É uma boa notícia. Cresce a demanda por técnicos, engenheiros e gestores com domínio em energia renovável, automação, eficiência energética e ESG aplicado ao campo. A recomendação é buscar qualificação específica nessas áreas, cada vez mais valorizadas nas cadeias integradas.
c) Para o setor
Três tendências estruturais se consolidam:
- Autossuficiência energética no campo, reduzindo dependência externa.
- Integração entre produção agropecuária e geração de energia, ampliando margens.
- Economia circular como padrão produtivo, com reaproveitamento de resíduos e calor.
O avanço da Seara indica que energia limpa deixou de ser apenas compromisso ambiental e passou a ser instrumento central de competitividade no agro industrial brasileiro.

















