Criada em 2024, em Salvador, a Ecoari vem consolidando espaço no ecossistema de reciclagem ao combinar tecnologia, incentivo financeiro e educação ambiental. Em entrevista ao Webinar da Indústria, do Indústria News, a CEO Isadora Alencar detalhou os resultados da startup em 2025 e os planos de expansão para este ano. A empresa encerrou o último exercício com 135.711 itens doados, o equivalente a 79,3 toneladas de resíduos recicláveis ressignificados, além de cerca de 30 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) instalados em cinco cidades brasileiras.
Segundo Isadora, o primeiro ano completo de operação foi marcado por amadurecimento e ganho de escala. “A expansão de pontos e a capilaridade do modelo estão ligadas à capacidade de adaptação às particularidades locais. Cada nova praça exige um desenho próprio de incentivos, comunicação e operação”, afirmou. A startup projeta dobrar sua presença geográfica ainda em 2026, chegando a dez cidades no primeiro semestre e até 15 até o fim do ano, com foco em consolidação e eficiência operacional.
O principal diferencial da Ecoari está na aplicação da tecnologia para estimular mudança de comportamento. Por meio de um aplicativo, o usuário localiza o PEV mais próximo, registra a entrega e acumula pontos convertidos em benefícios como cashback ou Pix. Em 2025, foram distribuídos R$ =10 mil em prêmios e gerados aproximadamente 500 mil pontos. “Queremos convencer o adulto a reciclar por meio do benefício. Quando ele percebe a vantagem e entende o impacto, o hábito se consolida”, explicou a executiva.

Parceria
Além do engajamento via aplicativo, a educação ambiental tornou-se um dos pilares estratégicos da empresa. Ao longo do ano, mais de 15 mil alunos participaram de ações educativas, enquanto cerca de 500 professores foram capacitados. A CEO destaca que o impacto vai além da coleta: “Quando a criança entende o caminho do resíduo, ela influencia a família inteira. Isso gera transformação real”, conta ela. A empresa também atua em parceria com cooperativas, fortalecendo a ponta mais sensível da cadeia e ampliando a geração de renda na economia circular.
Para 2026, a Ecoari aposta na expansão nacional e no aprofundamento das parcerias com indústria e varejo. O cenário regulatório, como o avanço das políticas voltadas ao conteúdo reciclado e à ampliação de PEVs, é visto como um ambiente favorável ao crescimento do setor.
“Nosso sonho é que a reciclagem seja acessível em qualquer cidade, que o aplicativo seja uma ferramenta para quem quer fazer a destinação correta onde estiver”, projetou Isadora. Em um mercado que ainda enfrenta desafios culturais e estruturais, a startup baiana busca posicionar a reciclagem não como custo, mas como oportunidade econômica e social.
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