Indústria News
  • Colunas
    • Análises
    • Indústria em Foco
    • Memória da Indústria
    • O Lado B dos Destinos
    • Radar da Indústria
  • Giro das 21h
  • Leitura Rápida
  • Petróleo, Gás & Biocombustível
  • Webinar da Indústria
  • Mais…
    • Atualidades
    • Bebidas & Alimentos
    • Beleza & Higiene Pessoal
    • Calçados & Têxtil
    • Construção
    • Glossário
    • Metalurgia & Siderurgia
    • Mineração
    • Papel & Celulose
    • Química & Petroquímica
    • Radar de Oportunidades
    • Turismo & Aviação
    • Veículos & Pneus
Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Colunas
    • Análises
    • Indústria em Foco
    • Memória da Indústria
    • O Lado B dos Destinos
    • Radar da Indústria
  • Giro das 21h
  • Leitura Rápida
  • Petróleo, Gás & Biocombustível
  • Webinar da Indústria
  • Mais…
    • Atualidades
    • Bebidas & Alimentos
    • Beleza & Higiene Pessoal
    • Calçados & Têxtil
    • Construção
    • Glossário
    • Metalurgia & Siderurgia
    • Mineração
    • Papel & Celulose
    • Química & Petroquímica
    • Radar de Oportunidades
    • Turismo & Aviação
    • Veículos & Pneus
Sem resultado
Ver todos os resultados
Indústria News
Sem resultado
Ver todos os resultados
Capa O Lado B dos Destinos
capão

A Cachoeira da Fumaça é uma das principais atrações da região (Foto: Chapada Adventure Daniel /Reprodução)

Vale do Capão: o paraíso alternativo que virou modelo – e desafio – de turismo sustentável

Por trás da cachoeira mais alta do Brasil, um município da Chapada Diamantina tenta transformar paisagem em receita. A questão é: para quem?

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
02/05/2026
em O Lado B dos Destinos
Tempo de Leitura: 6 minutos
A A
Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no LinkedinCompartilhar no WhatsappCompartilhar no Telegram

Lado B

Existe um lugar no interior da Bahia onde a água cai de uma altura de quase 400 metros, some no ar antes de tocar o chão e vira névoa. A Cachoeira da Fumaça, no distrito de Caeté-Açu, mais conhecido pelo nome que o turismo consagrou, Vale do Capão, não é apenas um cartão postal. É a âncora econômica de um município de pouco mais de 10 mil habitantes que aprendeu, nas últimas décadas, a sobreviver da experiência de quem chega de fora.

O Vale do Capão está no município de Palmeiras, a cerca de 470 quilômetros de Salvador, encravado entre serras, dentro dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina. O nome oficial, Caeté-Açu, vem do tupi e significa “mata verdadeira grande”. O nome popular vem do cotidiano,  e do turismo que foi chegando aos poucos, remodelando o lugar sem pedir licença.

O ciclo que nunca termina

O Vale do Capão cresceu à sombra do desenvolvimento da mineração, e a vila foi um dos principais fornecedores de alimentos para os centros maiores da região. Durante muitos anos, o vale era, em quase sua totalidade, fazendas de café. Com o declínio da mineração e a erradicação dos cafezais, entre 1951 e 1952, veio um grande êxodo para as capitais, esvaziando a região.

A partir dos anos 1980, os habitantes do Vale do Capão acharam um novo rumo econômico: o turismo e o neo-ruralismo transformaram seus modos de vida. Hoje, o Vale do Capão é claramente um lugar turístico,  com atrações, infraestrutura e atores trabalhando na atividade,  mas também um território neo-ruralista, com atividades culturais, culinária e propostas educativas.

Esse movimento trouxe consigo um perfil de visitante – e de morador – diferente do original. O povoado é formado atualmente por uma mistura de nativos com pessoas de cidades grandes que optaram por uma vida mais saudável cercada de natureza. Pousadas sofisticadas, restaurantes com cardápios autorais, cervejarias artesanais, licoterias, práticas de yoga e massagem ayurvédica. O Capão foi se tornando, progressivamente, um produto.

Um destino que cresceu sem virar resort

Diferente de outros polos turísticos, o Capão nunca seguiu o roteiro clássico de grandes investimentos ou redes hoteleiras. O crescimento veio de baixo: pequenas pousadas, restaurantes independentes, terapias alternativas, guias locais.

O resultado é uma economia pulverizada e resiliente. Ali, o dinheiro gira mais dentro da própria comunidade. O turista que paga uma trilha contrata um guia local. Quem se hospeda consome no restaurante da vila. Quem volta, recomenda. É um ciclo curto, mas eficiente.

E tem mais: o destino construiu uma identidade clara. Sustentabilidade, alimentação natural, conexão com a natureza. Não é só marketing é produto.

A hora da conta

No fim de dezembro de 2025, enquanto boa parte do Brasil pensava em reveillon, a Câmara Municipal de Palmeiras entrou em sessão extraordinária – e votou algo inédito para a região.

Os nove vereadores aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei que institui a Taxa de Fomento à Infraestrutura Turística e Sustentável do município, estabelecendo cobrança para a visitação de áreas classificadas como de interesse ambiental ou turístico, como o Vale do Capão. A taxa terá  valor inicial de R$ 13,32 por semana durante períodos de alta estação, podendo chegar a R$ 53,28 para estadias mensais.

A lógica é conhecida  e funciona em outros destinos do mundo. Amsterdã cobra taxa hoteleira por noite. Veneza experimenta ingressos diários. O dinheiro, em tese, vai para infraestrutura e preservação ambiental. O problema foi o processo –  e o tom.

Movimentos sociais e entidades do Vale do Capão manifestaram preocupação com a possível votação do projeto durante o recesso legislativo, às vésperas do Ano Novo, sem a realização de audiências públicas e sem divulgação clara do texto aos moradores. Segundo o portal Bahia Notícias, a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) recomendou o arquivamento do projeto por falta de participação popular, ausência de estudos técnicos e riscos de retrocesso socioambiental.

E, como se faltasse apenas uma faísca para incendiar o debate, veio a declaração de um vereador. Ao defender a taxa em plenário, o vereador Eduardo Antônio (Solidariedade), conhecido como Dudu, foi direto: “Turista que não puder pagar no mês R$ 50, pode voltar, não precisa nem vir para cá. Turista duro, não.” A declaração viralizou e reacendeu um debate que vai muito além da cobrança em si.

O que está em jogo

O Vale do Capão vive uma tensão clássica de destinos que “deram certo” no turismo: o sucesso atrai, o volume pressiona, a pressão exige solução –  e qualquer solução divide. De um lado, quem mora lá e vê a infraestrutura pública ser engolida pelo fluxo de visitantes sem contrapartida financeira. Do outro, quem construiu ali um modelo de turismo alternativo, acessível, diverso   e não quer ver isso desaparecer atrás de uma catraca.

Os coletivos locais afirmaram: “Não somos contra cuidar do meio ambiente. Pelo contrário. Mas decisões desse impacto não podem ser tomadas às pressas, sem ouvir moradores, comerciantes, trabalhadores do turismo, hospedarias e visitantes.”

É uma frase que resume bem o problema de gestão de destinos no Brasil: há vontade de monetizar, mas raramente há governança para isso.

O dilema do crescimento

O Capão enfrenta hoje uma escolha clássica do turismo: crescer ou preservar?

A resposta não é simples. Expandir demais pode descaracterizar o destino. Crescer de menos pode limitar renda e oportunidades para quem vive ali. No meio disso, está a necessidade de profissionalizar sem perder identidade. Esse é o ponto onde muitos destinos falham –  e onde o Capão ainda está em construção.

O que o empresário leva dessa história

O Vale do Capão é um laboratório vivo de um dilema que qualquer destino turístico que cresce vai enfrentar. A taxa em si não é o problema é, inclusive, necessária. O problema é quando a ferramenta chega antes do planejamento, e o debate chega depois do conflito.

Para quem pensa turismo como indústria, a lição aqui é dupla: receita sem gestão participativa vira imposto sem legitimidade. E destino sem identidade preservada vira produto descartável. O Capão ainda tem muito para contar. A questão é quem vai decidir como essa história continua.


O Lado B dos Destinos é uma coluna semanal do Indústria News que revela a economia, a indústria e as decisões que fazem um destino funcionar – ou entrar em tensão. Aqui, viagem não é fuga do noticiário. É outra forma de entender como cidades e regiões geram valor, emprego e identidade. A paisagem atrai. O modelo sustenta. O que você vai encontrar aqui? Análise leve, sem jargão; textos de fim de semana, com narrativa e contexto econômico;  infraestrutura, investimentos, empregos, conflitos e oportunidades. Casos reais: o que deu certo, o que cobra seu preço e o que pode ser replicado.

Leia também: Bahia avança na mineração e ganha fôlego com alta dos royalties


💡 Outros conteúdos exclusivos do Indústria News

  • Indústria em Foco
  • Memória da Indústria
  • Radar da Indústria
  • Webinar da Indústria

Oh, olá 👋 Prazer em conhecê-lo.

Cadastre-se para receber nosso conteúdo em seu e-mail todos os dias.

Verifique sua caixa de entrada ou a pasta de spam para confirmar sua assinatura.

Tags: BahiaChapada DiamantinaSalvadorturismoVale do Capão
Artigo Anterior

Do zero à liderança: BYD domina varejo brasileiro em tempo recorde

Próximo Artigo

Petrobras inicia produção da P-79 no pré-sal com 5 meses de antecedência

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Arraial d’Ajuda

O paraíso baiano que virou uma máquina de turismo e investimentos

maraú

Península de Maraú tenta crescer sem perder a alma

Boipeba

Entre preservar e crescer: a encruzilhada de Boipeba

cachoeira

Cachoeira entre o passado e o potencial

Próximo Artigo
P-79 Búzios

Petrobras inicia produção da P-79 no pré-sal com 5 meses de antecedência

Fábrica da Veracel Celulose

Veracel abre inscrições para projetos sociais, culturais e esportivos

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

mineração bahia

Royalties turbinam interior da Bahia e reforçam o avanço da mineração

Carlo Ancelotti

Giro das 21h: um dia de Seleção, ameaças e disputa por riquezas

Lula

Lula defende exploração na Margem Equatorial com ‘responsabilidade’

WEBINAR DA INDÚSTRIA

Como o Paraguai se tornou destino estratégico para a indústria brasileira

Como o Paraguai se tornou destino estratégico para a indústria brasileira

Index Bahia amplia escala e projeta R$300 milhões em negócios este ano

Index Bahia amplia escala e projeta R$300 milhões em negócios este ano

COLUNAS

Carlo Ancelotti

Giro das 21h: um dia de Seleção, ameaças e disputa por riquezas

indústria em foco

Petrobras reacende a Bahia industrial em meio a ventos contrários

Arraial d’Ajuda

O paraíso baiano que virou uma máquina de turismo e investimentos

Eduardo Bolsonaro

PF encurrala clã Bolsonaro e operação joga governo do Rio no olho do furacão

+VISTAS EM 24 hORAS

  • biometano

    Biometano dispara em São Paulo com alta de 235% nas licenças ambientais

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Royalties turbinam interior da Bahia e reforçam o avanço da mineração

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Amaggi compra 40% da FS e amplia a presença na cadeia de biocombustíveis

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • De oficina familiar a potência industrial: Mepel inaugura nova fábrica no RS

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Tramontina diversifica atuação em alumínio e mira veículos elétricos, agro e linha branca

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mercado projeta inflação de 4,92% em 2026

    0 compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Quem somos
  • Fale com a gente
  • Anuncie conosco
  • Política de privacidade
redacao@industrianews.com.br

© 2022 Indústria News

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Capa
  • Análises
  • Atualidades
  • Bebidas & Alimentos
  • Beleza & Higiene Pessoal
  • Calçados & Têxtil
  • Construção
  • Giro das 21h
  • Indústria em Foco
  • Leitura Rápida
  • Memória da Indústria
  • Metalurgia & Siderurgia
  • Mineração
  • O Lado B dos Destinos
  • Papel & Celulose
  • Petróleo, Gás & Biocombustível
  • Radar da Indústria
  • Radar de Oportunidades
  • Química & Petroquímica
  • Turismo & Aviação
  • Veículos & Pneus
  • Webinar da Indústria

© 2022 Indústria News

Utilizamos cookies. Ao continuar navegando no site você concorda com estas condições. Confira nossa Política de Privacidade e Uso de Cookies.