O desenvolvimento econômico da Bahia entrou no centro do debate entre o setor produtivo e os candidatos ao Governo do Estado. Em uma iniciativa conjunta, a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio-BA) e a Federação das Empresas de Transportes dos Estados da Bahia e Sergipe (Fetrabase) reuniram, nesta terça-feira (4), o governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), e o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) para apresentar uma agenda de propostas voltadas ao fortalecimento da competitividade do estado.
Realizado no Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador, o encontro teve como foco aproximar o próximo governo das prioridades apontadas por quem representa os principais setores da economia baiana. Cada candidato participou de um painel separado, com tempo igual para expor suas propostas e responder aos questionamentos formulados pelas entidades.
Ao final de cada apresentação, recebeu a Agenda do Setor Produtivo, documento elaborado em conjunto pelas quatro federações e estruturado em cinco eixos considerados estratégicos para o futuro da Bahia: educação, infraestrutura, segurança pública, ambiente de negócios e modernização do licenciamento ambiental.
Uma agenda construída pelo setor produtivo
Mais do que um conjunto de reivindicações, o documento busca servir de referência para a formulação de políticas públicas voltadas à expansão dos investimentos, da produtividade e da geração de empregos.
Na área de educação, as entidades defendem uma gestão baseada em resultados, ampliação da educação profissional e maior integração entre a formação dos trabalhadores e as vocações econômicas de cada região.
Em infraestrutura, as prioridades incluem a conclusão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e do Porto Sul, recuperação da malha rodoviária, fortalecimento dos portos e aeroportos, ampliação da infraestrutura hídrica e universalização da conectividade digital.
A segurança pública aparece como uma das principais preocupações do setor produtivo. Entre as propostas estão a criação de um plano estadual voltado ao ambiente de negócios, com ações para combater o roubo de cargas, ampliar o uso de inteligência policial, fortalecer o videomonitoramento e proteger as atividades econômicas no meio urbano e rural.
As entidades também defendem a simplificação do ambiente regulatório, redução da burocracia, fortalecimento da segurança jurídica e modernização do licenciamento ambiental para dar mais previsibilidade aos investimentos.
Competitividade exige diálogo permanente
Na abertura do encontro, o presidente da Fecomércio Bahia, Kelsor Gonçalves Fernandes, afirmou que a iniciativa foi concebida para fortalecer o diálogo institucional entre o futuro governo e as entidades empresariais.
“Este não é um espaço de disputa política, mas de construção em prol do desenvolvimento da Bahia”
O presidente da Fieb, Carlos Henrique Passos, destacou que a reforma tributária exigirá uma nova estratégia para atração de investimentos e alertou para a necessidade de ampliar a competitividade do estado.
“Não haverá indústria competitiva sem infraestrutura logística, energia, conectividade, ciência, tecnologia e educação de qualidadw”
Representando a Faeb, Humberto Miranda defendeu a criação de um canal permanente de interlocução entre o governo e o setor produtivo e afirmou que a segurança pública se tornou um fator determinante para novos investimentos.
“Precisamos de segurança para que a atividade produtiva possa acontecer”
Já o presidente da Fetrabase, Décio Sampaio Barros, ressaltou que o transporte conecta todos os segmentos da economia.
“Nenhuma indústria recebe matéria-prima, nenhum produtor escoa sua produção e nenhum comércio funciona sem uma logística eficiente”
ACM Neto defende gestão por resultados
Primeiro a participar do encontro, ACM Neto afirmou que pretende manter diálogo permanente com as entidades empresariais e defendeu uma administração baseada em planejamento, metas e avaliação de desempenho.
Entre os compromissos apresentados estão a expansão da educação profissional, investimentos em infraestrutura logística, fortalecimento da segurança pública, simplificação do ambiente de negócios e modernização do licenciamento ambiental.
O candidato também propôs a criação de uma Secretaria de Parcerias e Investimentos para ampliar a capacidade do estado de atrair novos empreendimentos.
“Os desafios da Bahia não serão enfrentados apenas pelo governador. As contribuições apresentadas pelas entidades oferecem um diagnóstico consistente dos principais desafios econômicos do estado”, afirmou.
Jerônimo destaca investimentos
No segundo painel, Jerônimo Rodrigues ressaltou a parceria construída com o setor produtivo e com o Sistema S e apresentou indicadores econômicos da Bahia para defender a continuidade da estratégia de investimentos.
Entre as prioridades destacadas pelo governador estão a integração entre ferrovias e portos, ampliação da segurança hídrica, melhoria das principais rodovias federais, fortalecimento da educação profissional em parceria com o Sistema S e ampliação da estrutura dos órgãos de licenciamento ambiental.
Na área da segurança pública, Jerônimo destacou a realização de concursos para as polícias Civil e Militar, investimentos em inteligência e o fortalecimento do sistema prisional.
“Reconhecemos que as estradas federais estão ruins na Bahia, temos que fazer a crítica. Por isso já pleiteamos a duplicação e melhoria de diversos trechos importantes. No caso da nossa valiosa BR-324, o processo final de julgamento está no TCU. Esperamos que, em breve, possamos destravar isso para podermos ter uma nova administração da rodovia”, disse.
ANÁLISE INDÚSTRIA NEWS
O encontro deixou uma mensagem clara: independentemente do resultado das eleições, o setor produtivo pretende ocupar um espaço mais ativo na formulação das políticas públicas para a Bahia.
A agenda apresentada pelas quatro federações vai além de reivindicações setoriais. Ela reúne temas que há anos aparecem entre os principais obstáculos à competitividade baiana, como infraestrutura logística, segurança pública, qualificação profissional, ambiente regulatório e segurança jurídica.
Ao promover o encontro em formato equilibrado, oferecendo o mesmo espaço aos dois candidatos, as entidades deslocaram o foco da disputa eleitoral para aquilo que interessa diretamente ao ambiente de negócios: quais compromissos efetivamente poderão transformar a capacidade da Bahia de atrair investimentos, gerar empregos e ampliar sua competitividade.
Leia também: Mineração sustenta quase metade do superávit do Brasil, mas setor vê novo imposto como ameaça















