
A mineração brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 em expansão e reforçou sua importância para a economia nacional. O setor respondeu por 48% de todo o saldo da balança comercial brasileira, faturou R$ 150,7 bilhões e mantém uma carteira de investimentos de US$ 76,9 bilhões prevista para o período entre 2026 e 2030. Ao mesmo tempo, a indústria mineral iniciou uma mobilização contra a regulamentação do Imposto Seletivo, que poderá incidir sobre as exportações de minério de ferro e, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), comprometer a competitividade do país no mercado internacional.
Os números foram apresentados nesta terça-feira (28) pelo Ibram e mostram uma indústria em crescimento, impulsionada principalmente pelo minério de ferro, ouro e cobre. O desempenho também evidencia o papel estratégico da Bahia, que aparece entre os estados que mais faturam com a atividade mineral e que concentram os maiores investimentos previstos para os próximos anos.
A indústria mineral gerou US$20,3 bilhões de saldo comercial entre janeiro e junho, crescimento de 25,4% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ajudou o Brasil a alcançar superávit comercial de US$42,36 bilhões, reforçando o peso da mineração na geração de divisas.
As exportações minerais somaram US$25,1 bilhões, avanço de 24,1% na comparação anual. O minério de ferro permaneceu como principal produto da pauta, respondendo por 53,6% das vendas externas e movimentando US$13,4 bilhões.
Na avaliação do presidente do Ibram, Pablo Cesário, esse desempenho reforça a necessidade de preservar a competitividade do setor diante da regulamentação do Imposto Seletivo.
Segundo o dirigente, a incidência do tributo sobre o minério de ferro representaria, na prática, uma taxação das exportações brasileiras.
“Não existe nenhum imposto seletivo no mundo que inclua a mineração. Se esse novo tributo incidir sobre o setor, teremos o risco real de reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional”, afirmou.
Bahia amplia participação
Os dados também consolidam a Bahia entre os principais polos minerais do país. O estado registrou faturamento de R$7,5 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 11,2% sobre igual período do ano passado. O resultado colocou a Bahia na terceira posição nacional, atrás apenas de Minas Gerais e Pará.
Mais do que o desempenho atual, chama atenção a carteira de investimentos prevista para os próximos anos.
Até 2030, a expectativa é que a Bahia receba US$11,687 bilhões em novos projetos minerais, terceiro maior volume do país. O estado fica atrás apenas de Minas Gerais (US$19,675 bilhões) e Pará (US$14,661 bilhões), mantendo ampla vantagem sobre o Ceará, quarto colocado, com US$5,463 bilhões.
Hoje, a atividade mineral está presente em 201 municípios baianos, consolidando-se como uma das cadeias industriais de maior capilaridade econômica do estado.
Ouro e cobre impulsionam crescimento
Embora o minério de ferro continue liderando as exportações, outros minerais ganharam protagonismo ao longo do semestre.
As vendas externas de ouro cresceram 69,3%, alcançando US$4,6 bilhões, enquanto o cobre registrou avanço ainda maior, de 83,8%, totalizando US$ 3,87 bilhões.
No mercado interno, o faturamento do ouro aumentou 44,2%, chegando a R$25,3 bilhões, e o cobre movimentou R$20,6 bilhões, alta de 41%.
A China permaneceu como principal destino da produção mineral brasileira, absorvendo 70,1% das exportações do setor.
Investimentos dependem de previsibilidade
Além do crescimento da produção, o Ibram destaca que o ciclo de investimentos segue em expansão. A carteira prevista para 2026-2030 soma US$76,9 bilhões, valor 12,5% superior ao estimado no planejamento anterior.
Os chamados minerais críticos, como cobre, níquel, terras raras, grafita, lítio, nióbio e zinco, concentram US$21,3 bilhões, refletindo o aumento da demanda global por matérias-primas ligadas à transição energética e à eletrificação da economia.
Para o Instituto, entretanto, esse volume de investimentos dependerá da manutenção de segurança jurídica, estabilidade regulatória e previsibilidade tributária.
Guerra no Oriente Médio preocupa
Outro tema que entrou no radar do setor foi o mercado internacional de enxofre. Segundo Pablo Cesário, os conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã afetaram o fornecimento global da matéria-prima, provocando aumento superior a 1.200% nos preços desde janeiro de 2024.
O impacto preocupa porque o enxofre é insumo básico para a produção de ácido sulfúrico, utilizado na fabricação de fertilizantes, papel e celulose, produtos químicos, biocombustíveis, saneamento e minerais críticos.
No primeiro semestre, as importações brasileiras de enxofre recuaram 41,9%, enquanto o país deverá perder, em setembro, suas duas últimas unidades produtoras de ácido sulfúrico.
Análise Indústria News
Os números apresentados pelo Ibram mostram uma mineração em um momento de fortalecimento econômico, mas também de crescente pressão regulatória.
O setor vive um cenário favorável de demanda internacional, impulsionado principalmente pela China e pelos minerais utilizados na transição energética. Ao mesmo tempo, discute a possibilidade de aumento da carga tributária justamente sobre o produto que responde por mais da metade das exportações minerais brasileiras.
Nesse contexto, a Bahia amplia sua relevância nacional. O estado não aparece apenas entre os maiores produtores. Também figura entre os principais destinos dos investimentos que deverão moldar a expansão da mineração brasileira até o fim da década.
Se esses projetos forem executados, a tendência é de fortalecimento das cadeias de mineração, logística, energia, metalurgia, fertilizantes e fornecedores industriais, ampliando o peso do setor na economia baiana.
O que fica dessa história
A mineração brasileira inicia o segundo semestre em uma posição confortável do ponto de vista operacional, mas entra em um período decisivo na agenda regulatória.
Enquanto o setor tenta preservar sua competitividade internacional, estados como a Bahia disputam novos investimentos ligados aos minerais estratégicos da transição energética.
O resultado dessa discussão poderá influenciar não apenas as exportações, mas também o ritmo de expansão de uma indústria que hoje responde por quase metade do saldo comercial do Brasil.
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