
A produção industrial brasileira perdeu ritmo em junho e registrou queda de 1,8% na comparação com maio, no segundo recuo mensal do ano. Apesar do resultado negativo, o setor continua operando acima do nível observado em 2025. Na comparação com junho do ano passado, a atividade cresceu 1,7%, enquanto o acumulado do primeiro semestre aponta expansão de 1,5%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado, porém, é desigual entre os setores na comparação junho 2026 X junho 2025. Das quatro grandes categorias econômicas, só duas cresceram: bens de consumo duráveis (5,2%) e bens intermediários (2,7%). Bens de consumo semi e não duráveis ficaram estáveis, com variação nula, e bens de capital, a categoria que mede investimento produtivo, recuou 1,6%, terceira queda seguida nessa comparação, ainda que menos intensa que os recuos de maio (-6,7%) e abril (-4,9%).
O setor automotivo puxou o resultado positivo do mês. A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias saltou 16,5% frente a junho de 2025, com destaque para automóveis (16,3%), autopeças e veículos de carga. As indústrias extrativas também tiveram papel relevante, com alta de 5,2%, impulsionadas pela maior extração de petróleo bruto, minério de ferro e gás natural – atividades que também sustentam o desempenho positivo do ano.
Do lado negativo, o setor de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos recuou 14,1%, a maior queda entre os 25 ramos pesquisados, seguido por produtos químicos (-3,8%) e outros equipamentos de transporte (-11,9%). A confecção de vestuário também segue em dificuldade, com retração de 7,4% no mês.
Investimentos
A queda persistente em bens de capital é o dado que merece atenção de quem acompanha investimento industrial.
O grupo vem de três meses seguidos de resultado negativo nessa comparação, puxado por bens de capital de uso misto (-21,4%) e agrícolas (-22,7%). Como esse indicador mede a fabricação de máquinas e equipamentos que outras indústrias usam para produzir, sua queda sinaliza que o setor produtivo ainda hesita em ampliar capacidade instalada, mesmo com o crescimento geral da indústria no mês.
Junho contra maio
Na comparação direta com maio, a produção industrial recuou 1,8%, resultado negativo puxado por coque e derivados de petróleo (-5,9%) e produtos químicos (-4,3%). O dado mensal tende a ser mais volátil e menos representativo de tendência que a comparação interanual, mas confirma que o crescimento de junho ante 2025 não veio de um patamar de produção em expansão contínua. Veio de uma base de comparação mais fraca no ano passado.
1º Semestre
No acumulado do primeiro semestre, a indústria cresce 1,5% frente ao mesmo período de 2025, ritmo puxado principalmente por indústrias extrativas (7,4%), refino de petróleo e biocombustíveis (4,3%) e veículos automotores (5,3%). Bens de capital é a única categoria em queda no acumulado do ano, com recuo de 5,4%, reforçando que a fraqueza no investimento não é um dado isolado de junho, mas uma tendência que já dura seis meses.
Análise
A indústria brasileira continua crescendo em 2026, mas esse crescimento ainda depende de poucos motores.
Enquanto petróleo, mineração e automóveis sustentam os indicadores, parte importante da indústria de transformação segue enfrentando dificuldades para recuperar produção e investimentos. Outro ponto de atenção é o desempenho dos bens de capital. Quando esse segmento permanece em queda, o mercado costuma interpretar que as empresas ainda estão investindo com cautela na ampliação da capacidade produtiva, limitando uma recuperação mais robusta da indústria.
O desafio para os próximos meses será ampliar essa recuperação para um número maior de segmentos, tornando o crescimento industrial menos dependente das commodities e mais disseminado por toda a cadeia produtiva.
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