A PetroReconcavo encerrou 2025 com um resultado que mistura resiliência operacional e pressão de mercado. Mesmo com a queda de 14% no preço médio do Brent ao longo do ano, a companhia biana conseguiu ampliar o lucro líquido e acelerar investimentos, reforçando sua estratégia de longo prazo. A produção média ficou em 26,5 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), alta de 1% sobre 2024. O avanço, embora modesto, veio acompanhado de um ambiente mais adverso de preços – fator que pesou diretamente sobre a receita.
A receita líquida somou pouco mais R$ 3,157 bilhões no ano, queda de 3% na comparação anual. O principal impacto veio do petróleo, cuja receita recuou 8%, refletindo tanto a desvalorização do Brent quanto ajustes contratuais que ampliaram descontos. Ainda assim, a companhia preservou sua rentabilidade. O Ebitda atingiu R$ 1,4 bilhão (-12%), enquanto o lucro líquido avançou 46%, para R$ 638 milhões – um salto relevante em um cenário de preços mais baixos.
Do lado dos investimentos, o movimento foi claro: aceleração. O Capex, excluindo midstream, chegou a R$1,1 bilhão, alta de 36% em relação a 2024. Considerando aquisições, os investimentos totais somaram R$1,5 bilhão (+77%).
A estratégia incluiu perfuração de poços profundos na Bahia, o primeiro poço horizontal no Rio Grande do Norte e expansão de projetos de recuperação secundária – iniciativas que miram aumento de reservas e produtividade.
Avaliação
Na avaliação do presidente da empresa, José Firmo, 2025 foi um ano de avanço técnico e consolidação operacional. “Encerramos 2025 fortalecendo a maturidade operacional da PetroReconcavo, guiados por criação de valor e visão de longo prazo”, afirmou. Segundo ele, a companhia assumiu “risco calculado” ao avançar em novas fronteiras exploratórias, mesmo diante de desafios como a baixa permeabilidade em reservatórios profundos. “Evoluímos tecnicamente e seguimos amadurecendo alternativas para destravar novas alavancas de valor”, destacou.
A empresa também avançou na integração da cadeia, com destaque para a aquisição de 50% da UPGN de Guamaré e novas rotas logísticas para o petróleo. O movimento amplia controle operacional e reduz custos.
No campo financeiro, a PetroReconcavo manteve disciplina. A dívida líquida encerrou o ano em R$1,6 bilhão, com alavancagem de 1,10x Ebitda – patamar considerado confortável. A empresa ainda levantou R$750 milhões em debêntures, com custo competitivo.
Além disso, reforçou a política de retorno ao acionista, com R$300 milhões em dividendos anunciados.
Foco em midstream
O plano de investimentos da PetroReconcavo em 2025 foi um dos mais agressivos de sua história, totalizando R$1,5 bilhão (alta de 77% vs 2024). Deste montante, R$ 1,1 bilhão foi destinado organicamente ao desenvolvimento de reservas, enquanto uma fatia estratégica de R$331 milhões marcou a entrada definitiva da companhia no segmento de midstream.Midstream é o setor intermediário da indústria de petróleo e gás, focado no transporte (oleodutos/gasodutos, navios, trens), armazenamento e processamento de hidrocarbonetos brutos
A aquisição de 50% dos ativos de midstream da Brava Energia no Rio Grande do Norte (UPGN Guamaré) é um divisor de águas. A operação já gerou uma economia de R$11 milhões em custos de escoamento apenas no último trimestre de 2025.
Além disso, a parceria com a GNLink inaugurou a primeira unidade de liquefação de gás do estado, permitindo que o gás da companhia chegue a clientes a mais de 1.000 km de distância por via rodoviária.
Para 2026, a PetroReconcavo sinaliza uma postura mais seletiva. “Nossos investimentos serão focados em workovers e perfurações convencionais, priorizando o aumento do fator de recuperação de nossos reservatórios”, indicou José Firmo.
Midstream é o setor intermediário da indústria de petróleo e gás, focado no transporte (oleodutos/gasodutos, navios, trens), armazenamento e processamento de hidrocarbonetos brutos
Aposta em integração e tecnologia
Com 26 anos de atuação, a PetroReconcavo se consolidou como uma das principais operadoras independentes de petróleo e gás onshore no Brasil, com foco na revitalização de campos maduros. Seu modelo combina eficiência operacional, disciplina financeira e uso de técnicas como recuperação secundária por injeção de água para maximizar a produção.
A empresa atua em três bacias terrestres – Recôncavo, Potiguar e Sergipe – com dois grandes polos operacionais: Ativo Bahia e Ativo Potiguar.
Nos últimos anos, a estratégia evoluiu para além da produção. A companhia avançou na verticalização e passou a investir em midstream, ampliando o controle sobre processamento e escoamento de gás.
Em 2025, esse movimento ganhou escala com a aquisição de 50% da UPGN de Guamaré, além da inauguração de uma unidade de liquefação de gás no Rio Grande do Norte e novos contratos logísticos no Ceará.
A lógica é clara: reduzir custos, aumentar previsibilidade e capturar mais valor na cadeia.
Com reservas 2P de 182,2 milhões de barris e valor presente estimado em US$2,4 bilhões, a PetroReconcavo busca agora transformar ganho técnico em crescimento sustentável.

PetroReconcavo em 2025
- Produção média: 26,5 mil boe/dia (+1%)
- Receita líquida: R$ 3,2 bilhões (-3%)
- Ebitda: R$ 1,4 bilhão (-12%)
- Lucro líquido: R$ 638 milhões (+46%)
- Investimentos totais: R$ 1,5 bilhão (+77%)
- Capex (ex-midstream): R$ 1,1 bilhão (+36%)
- Dívida líquida: R$ 1,6 bilhão
- Alavancagem: 1,10x Ebitda
- Dividendos anunciados: R$ 300 milhões
- Reservas 2P: 182,2 milhões de boe
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