Mesmo após o fim da alta temporada, viajar de ônibus pelo Nordeste continua mais caro para os passageiros. É o que mostra um levantamento baseado no monitoramento de preços praticados em rotas interestaduais da região entre novembro de 2025 e março de 2026. A análise compara os valores médios das passagens antes, durante e após a alta temporada de verão — período tradicionalmente marcado pelo aumento da demanda por viagens entre dezembro e janeiro.
O objetivo foi observar como os preços se comportaram após o pico de movimentação de passageiros, especialmente a partir de fevereiro, quando há redução natural da procura por viagens. Os dados mostram que, em parte das rotas analisadas, os preços permaneceram elevados mesmo após o fim das férias. Em alguns mercados, isso ocorreu junto à redução do número de partidas disponíveis depois da alta temporada, reduzindo também as opções de horários e categorias para os passageiros.
O levantamento considera preços médios disponíveis para venda em plataformas virtuais de comercialização de passagens rodoviárias interestaduais. Foram analisadas categorias como convencional, executivo e leito em rotas com diferentes perfis de demanda na região Nordeste, sem comparação direta com o mesmo período do ano anterior.
Cidades baianas registram forte aumento
Entre os destaques está a rota Recife (PE) – Salvador (BA), em que o serviço executivo apresentou aumento médio de 42,2%, enquanto a categoria leito registrou variação de 23% no período analisado. No trecho entre Natal (RN) e Feira de Santana (BA), os preços médios da categoria executivo registraram alta de 54,2%.
Já na rota Salvador (BA) – São Paulo (SP), o serviço convencional apresentou alta média de 9,2%, indicando manutenção dos preços em patamares elevados mesmo após o período de maior demanda do verão. Os dados indicam que, nas rotas conectadas à Bahia, a redução da oferta após a alta temporada impactou principalmente os serviços de maior valor agregado, além de diminuir a disponibilidade de opções competitivas para os passageiros.
Rotas saindo de Fortaleza também foram impactadas
Na rota Fortaleza (CE) – Natal (RN), os preços médios subiram 38,9% na categoria leito. Já no trecho Fortaleza (CE) – Recife (PE), o aumento foi de 6% na mesma categoria. Mesmo com comportamentos diferentes entre os mercados analisados, os dados apontam uma tendência comum: após a redução do fluxo da alta temporada, parte das rotas passou a operar com menos partidas e menor presença de operadores, mantendo pressão sobre os preços das passagens. Com isso, viajar de ônibus continua exigindo mais planejamento financeiro dos passageiros, mesmo fora dos períodos de maior demanda.
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