A indústria da construção manteve a trajetória de recuperação em abril. O índice que mede a evolução do nível de atividade do setor subiu pelo terceiro mês consecutivo, saltando de 46,3 pontos para 47 pontos. Vale destacar que, em janeiro, o indicador chegou a marcar 43,1 pontos. Os dados são da Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), nesta segunda-feira (25).
O índice de evolução do número de empregados teve comportamento parecido: aumentou para 47,1 pontos em abril, após alta de 0,9 ponto em relação a março. No início do ano, o indicador registrava 45,3 pontos. Segundo os empresários, tanto a atividade quanto o número de postos de trabalho estão acima da média para o mês de abril.
“A melhora observada nos últimos meses reflete as medidas de estímulo ao setor, como o aumento do valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e a disponibilização de financiamentos para a reforma de moradias de famílias de baixa renda, anunciadas pelo governo no fim do ano passado”, acredita Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Apesar disso, a Utilização da Capacidade Operacional (UCO) da indústria da construção fechou abril em 66%, 1 ponto percentual abaixo do observado no mesmo mês em 2024 e 2025, quando registrou 67%.
A percepção de alta da atividade e do emprego, no entanto, não foi suficiente para reverter o humor dos empresários do setor. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Indústria da Construção cresceu 0,3 ponto, para 46,7 pontos em maio. O indicador permaneceu abaixo da linha de 50 pontos — que separa falta de confiança de confiança — pelo 17º mês consecutivo, demonstrando que os industriais da construção seguem pessimistas.
Perspectivas positivas para o emprego
Em maio, as perspectivas dos empresários para o mercado de trabalho da indústria da construção mudaram. O índice que mede a expectativa de novas vagas nos próximos seis meses cruzou a linha de 50 pontos, passando de 48,8 pontos para 50,7 pontos. Com isso, a projeção para o número de empregados, que antes era de queda, passou a ser de alta.
Os índices de expectativa de compras de insumos e matérias-primas e de nível de atividade recuaram. O primeiro caiu 0,6 ponto, para 50,9 pontos; o segundo diminuiu 0,8 ponto, para 51,1 pontos. Apesar dos resultados negativos, ambos continuam acima de linha de 50 pontos, apontando que os empresários projetam aumento de compras de insumos e da atividade do setor nos próximos seis meses.
Por outro lado, o índice de expectativa de novos empreendimentos e serviços permaneceu praticamente estável, após variação de 0,2 ponto. O indicador fechou o mês em 49,2 pontos, patamar que aponta para queda dos lançamentos do setor nos próximos seis meses.
Intenção de investimento volta a cair
Diante do cenário incerto, os empresários demonstram cautela ao projetar investimentos. Em maio, o índice de intenção de investimentos caiu 1,3 ponto, de 43,4 pontos para 42,1 pontos. Com isso, o indicador registra o pior valor para o mês desde 2021, quando ficou em 41,8 pontos.
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