A indústria da mineração brasileira fechou 2025 com desempenho robusto, mas foi a Bahia que chamou a atenção ao registrar o maior crescimento percentual de faturamento do país. Segundo dados consolidados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o setor movimentou R$13,4 bilhões no estado, uma alta expressiva de 32,6% em relação a 2024, desempenho que colocou a Bahia à frente de todos os demais estados em ritmo de expansão.
Com esse resultado, a Bahia respondeu por 4,5% do faturamento nacional da mineração, figurando entre os três maiores polos do país, ao lado de Minas Gerais (39,9%) e Pará (34,5%). No total, o faturamento da mineração brasileira alcançou R$298,8 bilhões em 2025, crescimento de 10,3% na comparação anual, confirmando a relevância do setor para a economia nacional.
O minério de ferro seguiu como principal produto da atividade mineral, com R$157,2 bilhões em faturamento, equivalente a 52,6% do total, apesar de uma leve retração de 2,2% no valor arrecadado. Para o vice-presidente do Ibram, Fernando Azevedo, os números refletem uma indústria economicamente sólida, com forte inserção no comércio exterior e ampliação do ciclo de investimentos, especialmente em minerais estratégicos ligados à transição energética e à tecnologia.
Comércio exterior
No comércio exterior, a mineração exportou 431 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 7,1% em volume, gerando receitas de aproximadamente US$ 46 bilhões, alta de 6,2% em dólares. O saldo da balança comercial mineral atingiu US$37,6 bilhões, respondendo por 55% do saldo total do comércio exterior brasileiro, percentual superior ao registrado em 2024. As importações minerais somaram US$8,5 bilhões, com estabilidade em valor e queda em volume, sinalizando menor dependência externa em alguns insumos.
A contribuição fiscal do setor também avançou. Em 2025, a mineração recolheu R$103 bilhões em tributos e encargos, crescimento de cerca de 10%, dos quais R$ 7,9 bilhões vieram da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). No mercado de trabalho, o setor registrou 229,3 mil empregos diretos até novembro, com a criação de 8.330 novas vagas formais no acumulado do ano.
O bom momento se reflete, sobretudo, nas perspectivas de investimento. Para o período de 2026 a 2030, o Ibram projeta US$ 76,9 bilhões em investimentos no setor mineral brasileiro, valor 12,5% superior ao ciclo anterior. Desse total, a Bahia deve atrair US$11,687 bilhões, o equivalente a 15,2% dos investimentos previstos, ficando atrás apenas de Minas Gerais e do Pará.
Parte relevante desses recursos será direcionada a minerais críticos e estratégicos, cuja previsão de aportes chega a US$ 21,3 bilhões até 2030, alinhando o setor às demandas globais por energia limpa e reindustrialização.
O que os números dizem e por que a Bahia importa
O desempenho da mineração em 2025 mostra um setor que cresce não apenas por volume, mas por reposicionamento estratégico. Em um cenário geopolítico marcado pela disputa por minerais críticos, a mineração brasileira ganhou ainda mais centralidade na balança comercial e na geração de receitas fiscais. O caso da Bahia é emblemático: o forte avanço do faturamento indica ganhos de escala, maturidade de projetos e maior integração do estado às cadeias produtivas globais, especialmente em um momento em que a transição energética redefine prioridades de investimento.
Para o futuro, o dado mais relevante não é apenas o crescimento passado, mas o volume de investimentos projetados. Os quase US$11,7 bilhões previstos para a Bahia colocam o estado em posição estratégica para capturar valor industrial, gerar empregos qualificados e ampliar arrecadação, desde que haja ambiente regulatório estável, infraestrutura adequada e políticas públicas alinhadas à mineração sustentável.
Para governos e agentes econômicos, a leitura é clara: a mineração deixou de ser apenas uma atividade extrativa e passou a ser um ativo geoeconômico, e a Bahia tem a oportunidade concreta de se consolidar como um dos principais hubs minerais do país na próxima década.
Mineração na Bahia – Números-chave de 2025
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Faturamento: R$ 13,4 bilhões
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Crescimento anual: +32,6% (maior alta percentual do Brasil)
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Participação no faturamento nacional: 4,5%
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Posição no ranking nacional: Top 3, ao lado de MG (39,9%) e PA (34,5%)
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Investimentos previstos (2026–2030): US$ 11,687 bilhões
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Participação nos investimentos nacionais: 15,2%
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Foco dos aportes: minerais críticos e estratégicos ligados à transição energética
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