A Vale voltou ao centro das atenções após identificar três novas ações judiciais relacionadas aos extravasamentos registrados, em janeiro de 2026, nas unidades operacionais de Fábrica e Viga, localizadas em Ouro Preto e Congonhas (MG). As medidas, movidas por diferentes instâncias do poder público, elevam a pressão sobre a mineradora e incluem pedidos de bloqueio patrimonial que, somados, ultrapassam R$2 bilhões.
O Ministério Público Federal solicitou o bloqueio de R$200 milhões em razão do extravasamento na unidade de Viga. Já o Estado de Minas Gerais avançou com um pedido mais robusto: R$1 bilhão, também relacionado à mesma unidade. Em outra frente, o Ministério Público de Minas Gerais e o governo estadual pedem o bloqueio de R$846 milhões por conta dos eventos registrados na unidade de Fábrica.
Em nota ao mercado, assinada por Marcelo Feriozzi Bacci, vice-presidente Executivo de Finanças e Relações com Investidores , a Vale fez questão de reforçar que os extravasamentos não têm qualquer relação com barragens da companhia na região, que seguem, segundo a empresa, com condições de segurança inalteradas e monitoramento contínuo.
A mineradora afirma ainda que está colaborando com as autoridades, iniciou a remoção de sedimentos e trabalha na elaboração de um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). “A prioridade da Vale permanece sendo a proteção das pessoas, das comunidades e do meio ambiente”, disse Bacci.
Por que tantos vazamentos?
Embora a Vale se apresse em separar os episódios das barragens – um tema sensível e inevitável em Minas Gerais -, a recorrência de extravasamentos acende um alerta que vai além da engenharia. O problema já não é apenas técnico; é reputacional, regulatório e de governança.
A multiplicação de ações judiciais em curto espaço de tempo sugere uma perda de tolerância institucional. Órgãos públicos parecem menos dispostos a esperar conclusões técnicas e mais inclinados a agir preventivamente, usando bloqueios patrimoniais como instrumento de pressão. Isso revela desconfiança, não apenas sobre os eventos em si, mas sobre a capacidade da empresa de antecipar riscos operacionais.
Para o mercado, o recado é claro: mesmo sem barragens envolvidas, falhas operacionais repetidas ampliam o custo regulatório e jurídico da Vale. Para a companhia, o desafio não está só em explicar o que aconteceu, mas em convencer que episódios como esses não fazem parte de um padrão. Porque, quando os vazamentos se tornam frequentes, a narrativa da exceção perde força – e a conta, quase sempre, chega mais cara.
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