No momento em que a corrida global por terras raras reacende o debate sobre soberania nacional em minerais críticos, a Cabo Verde Mineração, empresa de capital 100% brasileiro, avança em um dos projetos nacionais mais promissores do setor. A companhia controla 57 direitos minerários e mais de 96 mil hectares em pesquisa em um corredor mineral que atravessa Cabo Verde, Muzambinho e Botelhos, em Minas Gerais, e alcança Caconde, no estado de São Paulo.
Na última semana, a empresa concluiu uma etapa relevante de perfuração por trado no alvo Caconde, que servirá de base para os estudos de futura avaliação de recursos inferidos. Os resultados preliminares indicam mineralização de Elementos de Terras Raras em perfil de argilas iônicas, com zonas enriquecidas em disprósio e térbio (Dy-Tb), elementos críticos para ímãs permanentes usados em motores elétricos, turbinas eólicas, tecnologias industriais e sistemas de defesa.
A Cabo Verde trabalha com uma meta exploratória interna de até 100 milhões de toneladas apenas em Caconde, enquanto o potencial conceitual do conjunto de alvos regionais pode superar 500 milhões de toneladas, condicionado à continuidade das sondagens, validação independente e certificação técnica internacional.
Em paralelo, a companhia está finalizando a malha de perfuração por trado no alvo Botelhos e anuncia o detalhamento de um novo alvo no município de Divisa Nova, onde foram identificadas anomalias relevantes de disprósio e térbio, com presença expressiva de Terras Raras pesadas em proporções preliminarmente consideradas excepcionais quando comparadas à distribuição média observada em importantes depósitos globais de terras raras.
As terras raras estão no centro da disputa global por cadeias produtivas ligadas à transição energética, mobilidade elétrica, turbinas eólicas, eletrônica avançada, defesa e tecnologias industriais. No Brasil, o tema ganhou força não apenas pelo potencial geológico do país, mas também pelo aumento de movimentações de empresas internacionais em busca de ativos minerais estratégicos, o que tem ampliado o debate sobre controle nacional, agregação de valor e desenvolvimento de uma cadeia produtiva brasileira.
Sócios da Cabo Verde
Nesse contexto, a Cabo Verde Mineração afirma que mantém seu quadro societário original, sem alteração na estrutura de controle. A empresa tem sido abordada por players internacionais interessados no projeto, mas segue conduzindo os trabalhos técnicos de forma independente, com apoio de sua operação atual de minério de ferro e aportes de seus acionistas. A companhia, no entanto, afirma estar aberta a parcerias técnicas, comerciais e financeiras com grupos nacionais e estrangeiros, especialmente em etapas ligadas ao desenvolvimento tecnológico, financiamento, offtake e integração com a cadeia downstream.
“O Brasil não pode ser apenas fornecedor de potencial geológico. O país precisa transformar seus projetos de terras raras em ativos estratégicos, com pesquisa séria, desenvolvimento tecnológico e visão de longo prazo. A Cabo Verde Mineração nasce dessa lógica: um projeto brasileiro, conduzido por brasileiros, mas com vocação global e padrão técnico internacional. Temos conversado com players de todo o mundo, principalmente neste momento de superaquecimento do mercado de minerais críticos, mas até agora mantivemos nosso quadro de sócios inalterado. Buscamos parceiros que entendam o valor estratégico do projeto e que possam contribuir para uma cadeia de terras raras mais robusta, inclusive no downstream, onde o Brasil ainda precisa avançar”, afirma Túlio Rivadávia, CEO da Cabo Verde Mineração.
Segundo relatório técnico divulgado pela companhia, a base de dados atualizada reúne 736 resultados químicos provenientes de amostragens de superfície, canais e sondagens por trado. No alvo Caconde, os resultados preliminares retornaram teores de até 4.421 ppm de TREO, sigla para óxidos totais de terras raras, 895 ppm de MREO, grupo dos óxidos de terras raras magnéticas, relação MREO/TREO de até 39,5% e até 82,4 ppm de Dy+Tb. O relatório também destaca resultados positivos em outras frentes exploratórias, como a área da atual operação de minério de ferro em Muzambinho, Botelhos e o novo alvo em Divisa Nova.
A assinatura enriquecida em Dy-Tb é um dos principais pontos de atenção técnica do projeto. Esses elementos pertencem ao grupo das terras raras pesadas e são considerados altamente estratégicos por sua aplicação em ímãs permanentes de alta performance, usados em motores elétricos, aerogeradores, sistemas industriais, componentes eletrônicos e tecnologias de defesa.
Além dos resultados químicos, a empresa informa que testes de lixiviação com amostras do alvo Caconde, conduzidos pela SGS Geosol com sulfato de amônio a 0,5 mol/L, indicaram resposta metalúrgica positiva em amostras selecionadas. A recuperação de TREO chegou a 55,76%, enquanto a recuperação de MREO atingiu 83,77% e a recuperação conjunta de Dy+Tb chegou a 79,20%, indicando seletividade favorável para os elementos de maior valor estratégico.
Portfólio
A Cabo Verde Mineração controla um amplo portfólio de direitos minerários em uma região considerada prospectiva para terras raras no entorno do Complexo Alcalino de Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais. Diferentemente de projetos historicamente concentrados no interior do complexo, a companhia vem desenvolvendo alvos localizados em sua borda e em corredores regionais ainda em processo de avaliação geológica.
O alvo Caconde é atualmente a principal frente de avanço da empresa. A companhia concluiu uma malha sistemática de sondagem por trado de 400 m x 400 m, com 21 furos executados. Até o momento do relatório, a empresa havia recebido resultados analíticos de 13 furos, enquanto oito permaneciam pendentes. A próxima etapa inclui validação dos dados, levantamento topográfico detalhado, novos ensaios, modelagem geológica, estudos mineralógicos e metalúrgicos adicionais e preparação para futura estimativa de recursos conforme padrões internacionais.
“Existe interesse internacional, e isso é natural em um projeto com essa assinatura geológica e este potencial. Mas a nossa prioridade é avançar tecnicamente. Já investimos mais de R$15 milhões neste projeto e acreditamos não apenas no potencial da Cabo Verde Mineração, mas no potencial brasileiro para ocupar uma posição relevante na cadeia global de terras raras. Terras raras não são apenas uma commodity. O desenvolvimento dessa cadeia, da pesquisa mineral à separação dos óxidos e à fabricação de componentes de maior valor agregado, será fundamental para a transformação da indústria nacional. O Brasil tem geologia, capital humano e capacidade técnica para deixar de ser apenas fornecedor de matéria-prima e se tornar protagonista em uma nova economia mineral”, afirma Rivadávia.
Com a conclusão da etapa em Caconde, o avanço da malha em Botelhos e o detalhamento do novo alvo em Divisa Nova, a Cabo Verde Mineração entra em uma nova fase de desenvolvimento técnico do projeto. As próximas etapas incluem a integração dos resultados pendentes, novos programas de sondagem, estudos mineralógicos e metalúrgicos adicionais e a preparação para uma futura certificação conforme padrões internacionais. Para a companhia, o objetivo é transformar um ativo brasileiro de alto potencial geológico em uma plataforma mineral competitiva globalmente, combinando governança, rastreabilidade técnica, abertura a parcerias estratégicas e visão de longo prazo para a cadeia de terras raras no Brasil.
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