A indústria calçadista da Bahia viveu um agosto de contrastes. O estado exportou 376,3 mil pares, um salto de 49% em relação ao mesmo mês de 2024. Mas, apesar do volume expressivo, a receita caiu 1,5%, somando pouco mais de US$ 6 milhões. O motivo está no preço médio do par vendido, que despencou de US$24,37 para US$16,11 em um ano, uma queda de quase 34%. Ou seja: vende-se mais, mas por bem menos.
No acumulado de janeiro a agosto, o setor embarcou 2,94 milhões de pares, alta de 18,8%. Porém, o faturamento recuou 5,8%, de US$ 57,35 milhões para US$ 54 milhões. Os dados são da Abicalçados e expõem um dilema: o setor ganha mercado em volume, mas perde em valor, o que acende o alerta para a sustentabilidade desse crescimento.
De acordo com a Abicalçados, em todo o país, em agosto, as exportações do setor somaram 7,64 milhões de pares, que geraram US$77 milhões, quedas de 0,5% em volume e de 9,1% em receita na relação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado dos oito meses do ano, foram embarcados 67,52 milhões de pares por US$651,1 milhões, incremento de 5,7% em volume e queda de 0,6% em receita no comparativo com intervalo correspondente de 2025.
O resultado de agosto foi impactado fortemente pela performance nos Estados Unidos, principal destino internacional do calçado brasileiro. No mês oito, as exportações para os Estados Unidos registraram 803,7 mil pares e US$ 21,4 milhões, quedas tanto em volume (-17,6%) quanto em receita (-1,4%) em relação ao mesmo mês de 2024.
Já no acumulado do ano, as exportações para lá somaram 7,7 milhões de pares e US$156,3 milhões, incrementos de 10,7% em pares e de 5,8% em receita no comparativo com o mesmo ínterim de 2024.
“O tarifaço imposto pelos Estados Unidos, país que responde por mais de 20% do total gerado pelas exportações brasileiras de calçados, já foi sentido em agosto. Em setembro, quando teremos um mês inteiro de vigência da tarifa adicional, esse revés deve ser ainda maior”, lamenta o presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira. Segundo ele, as tarifas praticadas tornam as exportações brasileiras “praticamente inviáveis” diante da concorrência voraz dos asiáticos, em especial dos chineses naquele país.

Estados exportadores
Entre os principais estados exportadores de calçados aparecem, no acumulado, o Rio Grande do Sul (21,4 milhões de pares e US$315 milhões, incremento de 1,1% em volume e queda de 4% em receita ante o mesmo período do ano passado); o Ceará (21,33 milhões de pares e US$127,73 milhões, incremento de 8,4% em volume e queda de 5% em receita); e São Paulo (4,73 milhões de pares e US$68,2 milhões, incrementos de 26,5% em volume e de 18,6% em receita). A Bahia aparece em quarto lugar.
Invasão chinesa
Com as importações em elevação, chama a atenção da Abicalçados a entrada de calçados chineses. “Com a tarifa aplicada pelos Estados Unidos contra os produtos chineses, os produtores daquele país vêm escoando seus excedentes em outros mercados, inclusive no brasileiro, com preços muito baixos”, explica Ferreira, ressaltando que o fato gera um desequilíbrio concorrencial no mercado doméstico brasileiro, trazendo prejuízos à indústria nacional.
No mês de agosto, entraram no Brasil 492 mil pares chineses, pelos quais foram pagos US$3,7 milhões, incrementos tanto em volume (+41,5%) quanto em receita (+67,2%) em relação ao mesmo mês de 2024. Já no acumulado do ano, as importações chinesas somaram 8,45 milhões de pares e US$ 31,18 milhões, aumentos em pares (+9%) e em valores (+14,1%) em relação ao mesmo ínterim do ano passado.
No total, as importações de agosto somaram 3,55 milhões de pares e US$49,27 milhões, incrementos de 23% em pares e de 18,4% em receita no comparativo com o mesmo mês de 2024. No acumulado do ano, as importações somaram 30,13 milhões de pares e US$387 milhões, aumentos tanto em volume (+26,9%) quanto em receita (+28,8%) em relação ao mesmo período do ano passado.
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