O custo da construção civil voltou a ganhar ritmo em março e acendeu um alerta para o setor. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) avançou 0,37% no mês, acima dos 0,23% registrados em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de 12 meses, a alta chega a 6,73%, enquanto no ano o índice já soma 2,15%.
O dado nacional, por si só, indica pressão moderada. Mas o recorte regional revela um movimento mais intenso – e com destaque claro para a Bahia. O estado registrou a maior variação do país em março, com alta de 2,16%, bem acima da média nacional. No acumulado do ano, a Bahia também lidera, com avanço de 4,49%, reforçando um cenário de custos mais pressionados para obras e investimentos locais.
A explicação está, principalmente, na mão de obra. Reajustes salariais decorrentes de acordos coletivos tiveram impacto direto no resultado, elevando o custo dos serviços de construção.
“Com um peso em torno de 40% no custo agregado do Sinapi, a parcela da mão de obra tem grande influência na variação do custo por metro quadrado”, destacou o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira. Segundo ele, esse movimento explica o desempenho mais forte da Bahia no mês.
No Brasil, o custo médio da construção passou de R$1.925,08 para R$1.932,27 por metro quadrado em março. Desse total, R$1.089,78 correspondem aos materiais e R$842,49 à mão de obra. Na Bahia, o custo médio da construção ficou em R$1.818,93 no mês passado.
Os materiais registraram alta de 0,43% no mês, mantendo uma trajetória de pressão gradual. Já a mão de obra avançou 0,31%, acelerando de forma significativa em relação a fevereiro (0,06%), justamente por conta dos reajustes salariais.
No acumulado de 12 meses, o contraste é ainda mais evidente: enquanto os materiais subiram 4,45%, a mão de obra disparou 9,89%, consolidando-se como o principal vetor de custo na construção civil.
Nordeste
Regionalmente, o Nordeste liderou a inflação do setor em março, com alta de 0,95%, puxada sobretudo por Bahia e Paraíba, estados impactados por dissídios recentes. Outras regiões apresentaram variações mais contidas: Norte (0,16%), Sudeste (0,14%), Sul (0,03%) e Centro-Oeste (0,25%).
Na prática, o avanço dos custos na Bahia pressiona margens de construtoras, encarece novos projetos e pode impactar o ritmo de lançamentos, especialmente em um ambiente ainda sensível ao crédito e à demanda.
O movimento também reforça um ponto estrutural: mais do que os insumos, é a dinâmica do mercado de trabalho que hoje dita o ritmo da inflação na construção. E, pelo menos neste início de ano, a Bahia está no centro dessa pressão.
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