O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20) que a Petrobras pode recomprar a Refinaria de Mataripe, na Bahia – antiga Rlam, vendida durante o governo de Jair Bolsonaro ao fundo árabe Mubadala Capital, controlador da Acelen. Foi a primeira vez que Lula tratou publicamente da possibilidade de reestatização do ativo, um dos mais relevantes do parque de refino nacional.
“Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”, disse o presidente, durante evento na Refinaria Gabriel Passos (Regap), ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
A refinaria baiana, hoje operada pela Acelen, é a segunda maior do país em capacidade. A empresa privada mantém planos de expansão e deve elevar a produção de diesel de 12,4 mil para 13,7 mil m³/dia a partir de junho.
A possível recompra retoma um debate que esteve no centro do início do atual governo. O ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, chegou a defender abertamente a reestatização do ativo, enquanto a atual gestão tem adotado postura mais cautelosa.
Decisão estratégica ou recuo de mercado?
O que está por trás
A fala de Lula não é isolada. Ela sinaliza uma inflexão na política de refino do país. A venda da Rlam foi o marco inicial da abertura do mercado brasileiro de refino, com a entrada de players privados e promessa de mais competição.
Agora, ao falar em recompra, o governo recoloca a Petrobras no centro da cadeia, reduzindo o espaço para operadores privados.
Por que isso importa (e muito para a Bahia)
A Refinaria de Mataripe não é um ativo qualquer – é um dos pilares industriais da Bahia.
Reestatizar (ou tentar) muda o jogo em três frentes:
- Preço de combustíveis: sob controle estatal, aumenta a pressão por políticas de preços menos alinhadas ao mercado internacional.
- Ambiente de negócios: sinal negativo para investidores estrangeiros, especialmente após uma venda recente.
- Cadeia produtiva local: pode haver impacto direto sobre fornecedores, logística e contratos já estabelecidos pela Acelen.
Em resumo: o tema deixa de ser técnico e volta a ser político, com efeitos diretos na economia regional.
Riscos no radar
- Insegurança jurídica: uma recompra pode gerar disputas ou exigir pagamento elevado ao fundo árabe.
- Custo fiscal: o ativo não será barato e a conta, direta ou indireta, pode cair no colo da estatal.
- Fuga de investimentos: movimentos desse tipo aumentam a percepção de risco no Brasil.
Oportunidades (se bem conduzido)
- Integração estratégica: maior controle da Petrobras sobre refino e distribuição.
- Política energética coordenada: possibilidade de alinhar produção, preços e abastecimento.
- Reindustrialização regional: dependendo da estratégia, pode fortalecer a cadeia baiana.
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