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Capa Petróleo, Gás & Biocombustível

Lula mira Refinaria de Mataripe e mexe com o jogo do refino no Brasil

Presidente sinaliza reversão da venda da Rlam e levanta preocupações sobre segurança jurídica, investimentos e política de combustíveis no Brasil

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
20/03/2026
em Petróleo, Gás & Biocombustível
Tempo de Leitura: 3 minutos
A A
Mataripe

A refinaria baiana, hoje operada pela Acelen, é a segunda maior do país em capacidade

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O  presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (20) que a Petrobras pode recomprar a Refinaria de Mataripe, na Bahia –  antiga Rlam, vendida durante o governo de Jair Bolsonaro ao fundo árabe Mubadala Capital, controlador da Acelen. Foi a primeira vez que Lula tratou publicamente da possibilidade de reestatização do ativo, um dos mais relevantes do parque de refino nacional.

“Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos”, disse o presidente, durante evento na Refinaria Gabriel Passos (Regap), ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

A refinaria baiana, hoje operada pela Acelen, é a segunda maior do país em capacidade. A empresa privada mantém planos de expansão e deve elevar a produção de diesel de 12,4 mil para 13,7 mil m³/dia a partir de junho.

A possível recompra retoma um debate que esteve no centro do início do atual governo. O ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, chegou a defender abertamente a reestatização do ativo, enquanto a atual gestão tem adotado postura mais cautelosa.

Decisão estratégica ou recuo de mercado?

O que está por trás

A fala de Lula não é isolada. Ela sinaliza uma inflexão na política de refino do país. A venda da Rlam foi o marco inicial da abertura do mercado brasileiro de refino, com a entrada de players privados e promessa de mais competição.

Agora, ao falar em recompra, o governo recoloca a Petrobras no centro da cadeia, reduzindo o espaço para operadores privados.

Por que isso importa (e muito para a Bahia)

A Refinaria de Mataripe não é um ativo qualquer –  é um dos pilares industriais da Bahia.

Reestatizar (ou tentar) muda o jogo em três frentes:

  • Preço de combustíveis: sob controle estatal, aumenta a pressão por políticas de preços menos alinhadas ao mercado internacional.
  • Ambiente de negócios: sinal negativo para investidores estrangeiros, especialmente após uma venda recente.
  • Cadeia produtiva local: pode haver impacto direto sobre fornecedores, logística e contratos já estabelecidos pela Acelen.

Em resumo: o tema deixa de ser técnico e volta a ser político,  com efeitos diretos na economia regional.

Riscos no radar

  • Insegurança jurídica: uma recompra pode gerar disputas ou exigir pagamento elevado ao fundo árabe.
  • Custo fiscal: o ativo não será barato  e a conta, direta ou indireta, pode cair no colo da estatal.
  • Fuga de investimentos: movimentos desse tipo aumentam a percepção de risco no Brasil.

Oportunidades (se bem conduzido)

  • Integração estratégica: maior controle da Petrobras sobre refino e distribuição.
  • Política energética coordenada: possibilidade de alinhar produção, preços e abastecimento.
  • Reindustrialização regional: dependendo da estratégia, pode fortalecer a cadeia baiana.

Leia também: Com DNA baiano, Voltxs redefine a gestão de energia no Brasil

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Tags: AcelenBahiaLuiz Inácio Lula da SilvaLulaRefinaria de MataripeRlam
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