A Belov Engenharia iniciou 2026 ampliando sua presença no segmento offshore com a conquista de um novo contrato para o abandono permanente de poços marítimos e o descomissionamento completo das jaquetas do Campo de Itaparica, localizado na Baía de Todos-os-Santos.
Formalizado neste ano, o projeto será executado por meio do consórcio Belov-Braserv e envolve seis poços. O escopo inclui desde reabilitação estrutural (quando necessária) até abandono permanente, arrasamento, remoção de linhas e sucatas metálicas, além do descomissionamento integral das chamadas “jaquetas” — um pacote de alta complexidade operacional que demanda integração entre engenharia, mergulho raso, survey, operações subaquáticas, logística marítima e gestão ambiental.
O contrato prevê prazo de 360 dias corridos, com mobilização em até 180 dias. A localização do campo, inserida em área sensível da Área de Proteção Ambiental da Baía de Todos os Santos, impõe exigências rigorosas de conformidade ambiental, elevando o nível técnico e de controle das operações.
Do ponto de vista conceitual, as jaquetas – ou jackets – são estruturas metálicas fixas e treliçadas que funcionam como a base de sustentação de plataformas de petróleo no mar. Instaladas no leito marinho e ancoradas por estacas, elas conectam o fundo do oceano ao convés, garantindo estabilidade às operações de produção. Com o avanço da idade dos campos, o descomissionamento dessas estruturas se torna uma etapa crítica da indústria, envolvendo desmontagem, remoção e, em alguns casos, destinação para reaproveitamento ambiental, como recifes artificiais.
Localização
Localizado a cerca de 24 km a oeste de Salvador, na costa da Ilha de Itaparica, o campo integra a Bacia do Recôncavo, uma das mais tradicionais províncias petrolíferas do país. Descoberto na década de 1940 em sua porção terrestre e nos anos 1960 na área marítima, o ativo possui histórico relevante de exploração, com dezenas de poços perfurados ao longo das últimas décadas.
Para o Grupo Belov, o novo contrato reforça a estratégia de consolidação no mercado de descomissionamento, um segmento que ganha tração no Brasil diante do envelhecimento de ativos offshore. A empresa já acumula experiência em operações similares, incluindo desmontes de dois navios (convertidos em duas balsas e uma draga, tendo o aço excedente destinado à reciclagem) e projetos na região de Madre de Deus, ampliando seu portfólio em soluções integradas no ciclo completo da indústria de óleo e gás.
Mais do que uma demanda técnica, o avanço do descomissionamento no país sinaliza uma mudança estrutural no setor, com impactos diretos na cadeia de serviços, geração de empregos especializados e novas oportunidades para a engenharia nacional.
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