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Capa Metalurgia & Siderurgia

Tempestade no aço: líder do setor fecha ano de 2025 no vermelho

ArcelorMittal recua com importações e tarifas globais

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
01/05/2026
em Metalurgia & Siderurgia
Tempo de Leitura: 5 minutos
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 ArcelorMittal

A produção total de aço somou 15,14 milhões de toneladas – um recuo de 1,3%

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A ArcelorMittal Brasil divulgou seus resultados financeiros e operacionais consolidados (*) relativos ao exercício de 2025. As importações predatórias, sobretudo da China, e as tarifas impostas pelo Governo dos Estados Unidos afetaram os resultados financeiros e operacionais da organização e de todo o setor do aço brasileiro. Ainda assim, a empresa manteve-se como líder no Brasil, com 42% da produção nacional de aço bruto, os investimentos programados e permaneceu firme em seus valores de segurança, sustentabilidade, qualidade e liderança.

A produção total de aço somou 15,14 milhões de toneladas – um recuo de 1,3% em relação a 2024. A produção de minério de ferro atingiu 2,34 milhões de toneladas, montante 18,3% menor que 2024. Neste caso, o resultado foi impactado pela transição da Mina de Serra Azul, que concluiu a implantação de uma planta de produção de pellet feed, cujo início da produção ocorreu em agosto de 2025, e encontra-se em ramp up para atingir sua capacidade esperada de produção.

O volume de vendas de aço atingiu 14,9 milhões de toneladas, com queda de 1,9% em relação a 2024. Deste total, 8,4 milhões de toneladas (57%) foram destinadas ao mercado interno e 6,4 milhões de toneladas (43%) ao mercado externo. A receita líquida consolidada somou R$61,76 bilhões, recuo de 7,2% em relação a 2024.

Já o Ebitda consolidado atingiu R$ 8,08 bilhões em 2025, com recuo de 12% em relação a 2024. Além disto, a empresa contabilizou no resultado financeiro o fechamento de acordo relativo à aquisição da Votorantim Siderurgia, no valor de R$2,9 bilhões. O resultado final da ArcelorMittal Brasil foi negativo em R$2,2 bilhões.

DESAFIOS

Segundo dados do Instituto Aço Brasil, as importações de laminados atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, uma alta de 20,5% ante 2024. Se comparado à média anual de 2000 a 2019, as importações cresceram 160%. A taxa de penetração de laminados alcançou 21% – um patamar insustentável para a indústria nacional. O aço proveniente principalmente da China chega ao mercado brasileiro fortemente subsidiado, com preços predatórios.

Já as tarifas de 50% impostas ao aço pelo Governo dos Estados Unidos afetaram diretamente a margem de rentabilidade da empresa. Para continuar vendendo no mercado norte-americano, a ArcelorMittal teve que assimilar parte das tarifas, impactando negativamente os resultados financeiros, principalmente no segmento de aços planos.

Além disso, 2025 foi marcado por uma conjuntura geopolítica mundial complexa, com conflitos entre países e tensões tarifárias entre blocos econômicos, aumentando as incertezas globais. O mundo enfrentou uma persistente sobrecapacidade de aço, que pode superar 700 milhões de toneladas já em 2027, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e alimentar a competição predatória. Internamente, o Brasil enfrentou um ambiente macroeconômico menos dinâmico, com crescimento moderado do PIB e juros altos, exigindo resiliência e eficiência operacional para navegar em um ano de horizontes limitados para a expansão da demanda.

AVANÇOS

Apesar do cenário adverso, a empresa manteve os investimentos programados no Brasil, que somam R$25 bilhões entre 2022 e 2026. A fabricante de aço expandiu a capacidade de atuação nos principais segmentos consumidores no país, como construção civil, infraestrutura, automotivo e de energia.

A Unidade Sabará (MG) recebeu novas linhas de trefilação automotiva e aporte de R$144 milhões; a Mina de Serra Azul (MG) colocou em operação a nova unidade de pellet feed após investimentos de R$2,5 bilhões (o que estendeu sua vida útil até 2058); e a Unidade Barra Mansa (RJ) recebeu um novo laminador, que demandou R$1,6 bilhão.

A ArcelorMittal Brasil também finalizou os investimentos de R$5,8 bilhões em energia renovável, com a entrada em operação do Complexo Babilônia Centro (parque eólico e solar) na Bahia, uma joint venture com a Casa dos Ventos, e o Parque Solar ArcelorMittal Energia Paracatu, em Minas Gerais. A energia produzida por essas unidades será destinada principalmente às operações da organização no Brasil, assegurando previsibilidade de fornecimento e custo competitivo. Somadas, as três plantas acrescentaram 1 GW de capacidade instalada à ArcelorMittal.

Na área de aquisições, os destaques foram a Tuper, uma das maiores transformadoras de aço da América Latina; a Dânica, que atua no segmento de painéis termoisolantes; e a Tekno, referência em soluções de revestimento e pré-pintura de metais planos, além da aquisição indireta, via Tekno, do controle total da Perfilor, que atua também no segmento de painéis termoisolantes. As aquisições fazem parte da estratégia da empresa de diversificação do portfólio e de ampliação da oferta de soluções completas e de alto valor agregado para seus principais mercados.

“A ArcelorMittal enfrentou essa conjuntura adversa com determinação, adotando as medidas necessárias de redução de custos e buscando novas oportunidades. Os impactos foram inevitáveis e afetaram nosso desempenho financeiro e operacional. Ainda assim, avançamos em frentes estratégicas, com destaque para a evolução consistente dos indicadores de segurança — um valor inegociável. Também seguimos investindo na modernização e ampliação de unidades industriais e em aquisições, o que demonstra nossa capacidade de operar e crescer mesmo em ambientes desafiadores. Esses resultados só foram possíveis graças ao compromisso e à alta performance dos nossos empregados e parceiros. Para nós, o respeito, o cuidado e a valorização das pessoas são a base do nosso sucesso”, afirma Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO ArcelorMittal Aços Planos Latam.

DEFESA COMERCIAL

Frente ao cenário de importações desleais, a ArcelorMittal, conjuntamente com o Instituto Aço Brasil, ao qual é afiliada, se posicionou em relação à defesa comercial. A empresa fomentou discussões sobre o tema e propôs soluções junto ao governo federal. A ideia foi mostrar a necessidade de adoção de medidas que equilibrassem o jogo comercial, como a renovação do modelo atual de sistema cota-tarifa e o acréscimo de novas NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul), em 2025, e a aplicação de medidas antidumping, em janeiro e fevereiro de 2026.

“O Brasil é um país estratégico para a ArcelorMittal, e estamos posicionados para um novo ciclo de investimentos. A efetivação desses aportes, no entanto, depende das condições de mercado e previsibilidade. Temos monitorado continuamente o volume de importações e, para enfrentar os desafios, seguimos investindo em inovação, tecnologia, eficiência e sustentabilidade. O fortalecimento da defesa comercial continua sendo uma de nossas prioridades. Fortalecer a indústria nacional significa gerar empregos e valor no Brasil”, afirma Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil.

(*) Resultados consolidados incluem ArcelorMittal Brasil (todas unidades de aço, minério – Andrade e Serra Azul, AM Project), AM Pecém, AM Bioflorestas, AM Acindar, AM Costa Rica, Unicon Venezuela, Belgo Arames, AM Bioflorestas, AM Sistemas, Tuper, Dânica, Perfilor, Tekno e AM Energias Renováveis (antes Atlas).


Leia também: Natural Gurt: a força do interior que virou potência no setor de laticínios no Nordeste

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Tags: açoArcelorMittalArcelorMittal BrasilBrasilChinaInstituto Aço Brasilminério de ferro
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