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Capa Petróleo, Gás & Biocombustível

Petrobras negocia recompra de refinaria, mas preço e cenário político travam avanço

Valor do ativo e eleições de 2026 influenciam estratégia do Mubadala

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
09/04/2026
em Petróleo, Gás & Biocombustível
Tempo de Leitura: 3 minutos
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Petrobras negocia recompra de refinaria, mas preço e cenário político travam avanço

A refinaria - antiga Landulpho Alves - é operada atualmente pela Acelen, controlada pelo Mubadala

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A  possível recompra da Refinaria de Mataripe, na Bahia, voltou ao centro do debate energético nacional. Segundo revelou o jornal Valor Econômico, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, confirmou que a Petrobras negocia com o fundo Mubadala a recompra do ativo, vendido em 2021. De acordo com o Valor Econômico, as tratativas ocorrem há cerca de dois anos e meio, mas ainda esbarram no preço. Silveira reforçou que a decisão será estritamente comercial, respeitando a governança da estatal e os interesses dos acionistas.

“As pessoas muitas vezes acham que o governo vai decidir comprar. Não é isso. A Petrobras é uma empresa listada na Bolsa do Nova York, tem seus acionistas, que têm que ser respeitados. E a gente respeita a sua governança. Então, é uma negociação comercial. Ela só vai recomprar se o preço for interessante”, disse o ministro ao Valor.

A refinaria – antiga Landulpho Alves – é operada atualmente pela Acelen, controlada pelo Mubadala. O ativo foi adquirido por US$1,8 bilhão no governo Jair Bolsonaro e, desde então, já recebeu mais de R$ 3 bilhões em investimentos para modernização e ganho de eficiência.

Alexandre Silveira
Ministro Alexandre Silveira: “É uma negociação comercial. Ela [a Petrobras]  só vai recomprar se o preço for interessante” (Foto: Ricardo Botelho/MME)

Ativo estratégico e histórico no radar do governo

A unidade, inaugurada em 1950, é a segunda maior refinaria do país e tem peso simbólico e operacional relevante. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já declarou publicamente o interesse na recompra, reforçando a mudança de visão sobre o papel da Petrobras no refino.

Ainda assim, como destacou o Valor Econômico, o avanço da negociação depende de alinhamento de expectativas financeiras,  um ponto que segue travando o negócio.

Preço e eleição entram no cálculo dos investidores

Além do valor do ativo, outro fator começa a pesar nos bastidores: o calendário político. A proximidade das eleições de outubro adiciona incerteza à mesa de negociação.

Para os atuais controladores, o cenário eleitoral pode redefinir completamente o rumo da Petrobras. Em caso de vitória de nomes da oposição, como Flávio Bolsonaro ou Ronaldo Caiado, há expectativa de retomada mais agressiva da política de desinvestimentos da estatal.

Esse contexto cria um dilema: vender agora ou esperar um ambiente potencialmente mais favorável no futuro. “Vamos lá: imagine uma vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições. Muito provavelmente, teremos uma política completamente diferente na Petrobras a partir de janeiro de 2027. Certamente, o novo governo vai retormar a política de privatização de refinarias e aí a Acelen entra no jogo de novo. Agora, se Lula for reeleito, não fará mais o menor sentido a Acelen permanecer no negócio. Serão mais 4 anos sendo atacada,  o governo dizendo que vai recomprar…isso não faz bem para o negócio”, diz um especialista do setor de petróleo e gás.

Análise: negócio vai além do preço e expõe disputa de modelos

A negociação da Mataripe não é apenas uma transação comercial  –  é um termômetro da política energética brasileira. Primeiro, o impasse sobre o preço mostra que, apesar do interesse do governo, a Petrobras não deve repetir movimentos sem lógica econômica. A disciplina financeira se tornou uma barreira real, não apenas retórica.

Segundo, o ativo ganhou valor. Os mais de R$3 bilhões investidos pela Acelen aumentaram eficiência e competitividade, o que naturalmente eleva o preço pedido pelo Mubadala  e dificulta a recompra.

Terceiro, o fator eleitoral pesa mais do que se admite publicamente. A incerteza sobre o futuro da Petrobras influencia diretamente a estratégia dos investidores. Dependendo do resultado das urnas, o ativo pode voltar ao centro de uma nova onda de privatizações – ou de reestatização.

Quarto, há um choque de visões em jogo: de um lado, a Petrobras como indutora do refino nacional; do outro, a lógica de mercado e desinvestimento.

Por fim, para a Bahia, o desfecho é estratégico. A refinaria é peça-chave para a economia industrial do estado. Seu controle define não apenas investimentos, mas também o papel da Bahia no mapa energético do país.

No fim, Mataripe virou mais do que um ativo: é um ativo político, econômico e simbólico  e a decisão final ainda está longe de ser simples.


Leia também: O ‘elefante branco’ da Pituba e o custo da ineficiência

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Tags: AcelenAlexandre SilveiraBahiaJair BolsonaroLulaPetrobrasRefinaria de Mataripe
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