
A Bahia encerrou 2025 consolidando sua hegemonia logística no Nordeste, mas com um sinal amarelo aceso. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) revelam que os portos baianos movimentaram 42,3 milhões de toneladas, volume que mantém os vizinhos Pernambuco (25,8 milhões toneladas) e Ceará (25,3 milhões toneladas) a uma distância confortável no retrovisor.
No entanto, enquanto o Brasil viu sua movimentação portuária saltar 6,1%, o complexo baiano remou contra a maré nacional e registrou uma queda de 1,09%.
O “vilão” do desempenho global foi o granel líquido, que recuou 8,71%.
O impacto é direto na espinha dorsal da nossa movimentação: o Terminal de Madre de Deus (Temadre).
Sozinho, o terminal da Refinaria de Mataripe responde por quase metade de tudo o que entra e sai pelo mar na Bahia (47,6%), e sua queda de 3,1% acabou “puxando” o índice geral para baixo, apesar do fôlego extraordinário do agronegócio.
No lado positivo, o Terminal de Cotegipe brilhou com uma alta de quase 28%, impulsionado pela soja e pelo granel sólido (+25,3%).
É a prova de que o interior da Bahia está produzindo e escoando com força, mas esbarra na estagnação de outros segmentos.
A queda de 8,8% no Porto de Salvador e o recuo na carga conteinerizada (-6,11%) preocupam, pois indicam uma desaceleração no consumo de bens de maior valor agregado e possíveis gargalos de infraestrutura urbana e portuária na capital.

E agora?
O sinal amarelo está aceso: em um país que cresce acima de 6% na movimentação portuária, a queda baiana exige atenção. A dependência de petróleo e derivados continua pesando – e reforça a necessidade de diversificação e ganho de competitividade logística.
E mais: num momento em que logística é peça-chave para atrair investimentos e ampliar exportações, o desempenho de 2025 levanta uma pergunta incômoda: a infraestrutura portuária baiana está preparada para competir em escala nacional?

Calçados da Bahia perdem mercado
O ano começou apertado para os exportadores baianos de calçados. Em janeiro, foram embarcados 334 mil pares – uma queda expressiva de 35% frente ao mesmo mês do ano passado. Em receita, o recuo foi de 32,8%, somando pouco mais de US$4,8 milhões.
O dado da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) revela um freio relevante para um segmento que já vinha operando sob pressão internacional.
O valor médio até reagiu, passando de US$14,01 para US$ 14,49 o par, mas o ajuste de preço não compensou a forte retração em volume.
A inclusão do item “calçados” na nova lista tarifária dos Estados Unidos aprofundou o impacto negativo. As alíquotas variam conforme material e classificação do produto – e atingem diretamente um dos mercados mais relevantes para o setor.
No cenário nacional, o quadro também é de encolhimento nas exportações (-17,7% em volume), mas o alerta maior está no outro lado da balança.
As importações seguem em trajetória acelerada: cresceram 34,3% em volume e 31,2% em valor em janeiro, mantendo um ritmo sustentado de expansão há cinco anos.
Vietnã, China e Indonésia concentraram 84% das importações do mês.
O contraste é evidente: enquanto a Bahia perde espaço lá fora, o mercado interno segue cada vez mais ocupado por asiáticos.
A pergunta que fica é até que ponto a indústria local conseguirá sustentar competitividade diante de tarifas externas e concorrência internacional crescente.
R$ 12,4 bilhões
O Carnaval da Bahia vai além da festa. É, sobretudo, um motor econômico. De acordo com projeção da Fecomércio-BA, os setores de comércio e turismo devem movimentar R$12,4 bilhões em fevereiro, o que representa crescimento real de 6% em relação ao mesmo mês do ano passado. O número confirma a força estrutural da cadeia carnavalesca, que envolve hotelaria, bares, restaurantes, transporte, serviços e varejo.
Insatisfação na Embasa
A mudança que prometia ajuste virou novo foco de desgaste. Desde dezembro, a Embasa substituiu a Unimed Nacional pela Promédica no atendimento aos seus quase 13 mil beneficiários.
O problema é que, segundo relatos internos, o que já era alvo de críticas acabou ficando ainda mais sensível.
As queixas se concentram na redução da rede credenciada, especialmente no interior.
Municípios como Ipiaú, Itabuna, Santo Antônio de Jesus, Senhor do Bonfim e Teixeira de Freitas registram reclamações sobre falta de cobertura em clínicas, laboratórios e hospitais.
A ausência do Hospital São Rafael, em Salvador, também gerou forte insatisfação.
A inclusão predominante de unidades de médio porte – muitas delas ligadas à própria operadora – acendeu outro alerta: deslocamentos maiores, filas extensas e percepção de queda na qualidade do atendimento.
Em uma empresa pública estratégica, com atuação em todo o estado, o impacto vai além da saúde suplementar.
Plano de saúde não é apenas benefício. É clima organizacional, retenção e produtividade. A troca pode até ter fechado a conta no papel. A dúvida é se fechou na prática.
Radar da Indústria é uma coluna semanal sobre os movimentos que moldam a indústria e a economia da Bahia. Aqui, investimentos, negócios, energia, infraestrutura e política econômica são analisados sem maquiagem. O foco está no que muda o jogo – e no que trava o desenvolvimento. Com informação, bastidor e leitura crítica, o Radar aponta riscos, oportunidades e contradições. Porque entender a indústria é entender o futuro do estado.
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