
A semana industrial de 1º a 7 de fevereiro trouxe o retrato definitivo de um setor em encruzilhada: enquanto a CNI divulgou que o faturamento da indústria de transformação ficou estagnado em 2025 (+0,1%), pressionado por juros elevados e importações, a BYD firmou parceria estratégica com a Fieb para acelerar a nacionalização de componentes em Camaçari e consolidar a Bahia como plataforma de exportação para o Mercosul, sinalizando que o futuro da indústria baiana passa pela diversificação tecnológica.
INDICADOR EM DESTAQUE
Indústria de transformação estagnada
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou na sexta-feira (6 de fevereiro) os Indicadores Industriais de 2025, revelando que o faturamento real da indústria de transformação brasileira registrou variação de apenas 0,1% em relação a 2024, praticamente estável. O dado marca uma inflexão abrupta em relação ao ano anterior, quando o faturamento havia crescido 6,2% — a maior alta em 14 anos. Em dezembro de 2025, o indicador recuou 1,2%, a quarta queda em um intervalo de seis meses, revertendo o desempenho positivo acumulado até junho (+5,7%).
O QUE ISSO SIGNIFICA?
A estagnação do faturamento industrial reflete a mudança brusca do ambiente macroeconômico ao longo de 2025. Segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, o desempenho está diretamente ligado ao patamar elevado das taxas de juros, que encarecem o crédito tanto para empresários quanto para consumidores. “O crédito mais caro reduz o ritmo da atividade, cenário agravado pela forte entrada de produtos importados, especialmente bens de consumo, que ocupam parte relevante do mercado interno”, explicou.
Tendência: A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também sinalizou desaceleração: caiu 0,4 ponto percentual em dezembro (de 77,2% para 76,8%) e, na média anual, ficou 1,2 ponto abaixo de 2024. O número de horas trabalhadas na produção recuou 1% em dezembro, embora tenha fechado o ano com alta de 0,8% (sustentado pelo primeiro semestre). Esses indicadores reforçam que a perda de fôlego ocorreu especificamente no segundo semestre, quando os juros elevados e a competição com importados começaram a pesar mais intensamente.
Comparação Histórica: O contraste é evidente quando se compara com 2024, que registrou o melhor desempenho de faturamento industrial desde 2011. A inversão sinaliza que a indústria encerrou uma fase de recuperação pós-pandemia e entra em 2026 em território de incerteza, com riscos de continuidade da desaceleração caso as condições macroeconômicas não melhorem. Para a indústria baiana, que projetava crescimento de apenas 1,5% em 2026 (segundo a Fieb), esse cenário nacional reforça a necessidade de buscar diferenciação via novos setores, como automotivo eletrificado (BYD) e biocombustíveis avançados.

NOTÍCIA DA SEMANA
BYD e Fieb firmam parceria estratégica
Na quinta-feira (5 de fevereiro), o presidente da BYD no Brasil, Tyler Li, reuniu-se com o presidente da Fieb, Carlos Henrique Passos, e executivos do Sistema Fieb, na sede da Federação em Salvador. A pauta foi técnica e estratégica: qualificação de mão de obra especializada, certificação de origem de componentes, ampliação do conteúdo local e viabilização de exportações para países do Mercosul (México, Argentina, Uruguai) ainda em 2026.
A BYD solicitou apoio específico para formação de engenheiros, técnicos em automação e especialistas em baterias, além de orientação sobre processos regulatórios para certificação de origem que permitam exportar. A fábrica de Camaçari, que já produziu 25 mil veículos desde outubro, tem meta de atingir 50% de componentes nacionais até o final de 2026, conforme compromisso assumido com os governos estadual e federal.
POR QUE ISSO IMPORTA?
A parceria BYD-Fieb marca a institucionalização do projeto de nacionalização da montadora chinesa. Mais que uma reunião protocolar, o encontro evidencia que a BYD está enfrentando gargalos concretos: falta de mão de obra qualificada em volumes suficientes para expandir a capacidade produtiva e dificuldades em encontrar fornecedores locais que atendam aos padrões técnicos exigidos pela montadora.
O pedido explícito de Tyler Li por uma “relação duradoura” com a Fieb sinaliza que a empresa enxerga o estado como plataforma estratégica de longo prazo, não apenas um local de montagem. A meta de exportar ainda em 2026 para o Mercosul é ambiciosa e depende de alcançar rapidamente o índice de nacionalização de 50%, o que exigirá atração massiva de fornecedores de autopeças, eletrônica embarcada e componentes de baterias.
Empresas locais que conseguirem entrar na cadeia da BYD nos próximos meses terão vantagem competitiva estrutural, pois o volume de produção projetado (meta de 300 mil veículos/ano, podendo chegar a 600 mil) garantirá demanda estável por anos.

ALERTA LIGADO
Emprego industrial cai pelo quarto mês consecutivo
Os dados da CNI mostraram que o emprego industrial caiu 0,2% em dezembro na comparação com novembro, marcando o quarto recuo mensal consecutivo. Apesar disso, o setor fechou 2025 com crescimento de 1,6% no emprego em relação a 2024, sustentado pelo desempenho do primeiro semestre. A massa salarial real também recuou 0,3% em dezembro (quinta queda em seis meses) e acumulou retração de 2,1% no ano.
O rendimento médio real ficou praticamente estável em dezembro (+0,2%), mas terminou 2025 com queda de 3,6% frente a 2024. Segundo Larissa Nocko, da CNI, “no fim do ano passado, os indicadores relacionados ao emprego deram sinais mais claros de desaceleração, mas o mercado de trabalho segue aquecido, ainda que em ritmo mais fraco”.
POR QUE ISSO IMPORTA?
O dado revela uma contradição aparente que merece atenção: o emprego industrial cresceu em 2025, mas os rendimentos caíram significativamente (massa salarial -2,1%, rendimento médio -3,6%). Isso sugere que as contratações ocorreram em postos de menor remuneração ou que houve pressão deflacionária nos salários, reflexo da desaceleração econômica e do menor poder de barganha dos trabalhadores.
Para a indústria da Bahia, que gerou 14.829 empregos industriais em 2025 (terceiro melhor resultado do país), o alerta é claro: o crescimento quantitativo do emprego não se traduziu em melhoria qualitativa da renda, o que pode comprometer a sustentabilidade da demanda interna. A tendência de queda nos quatro últimos meses do ano reforça que o segundo semestre foi de ajuste e contenção, com empresas reduzindo quadros diante da queda de faturamento.
Para 2026, a expectativa é de que a criação de empregos seja ainda mais moderada, concentrando-se em setores específicos (como automotivo com a BYD e construção civil com obras de infraestrutura).
AGENDA DA SEMANA
Terça-feira – dia 10
- O IBGE divulga: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de janeiro / O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) de janeiro e a Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física (PIM-PF) Regional de dezembro e do ano de 2025.
- O IBGE divulga o Índice de Preços ao Produtor – Indústrias Extrativas e de Transformação (IPP) de dezembro e do ano de 2025.
Quinta-feira – dia 12
- A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) de fevereiro. Os dados mostram a percepção dos industriais sobre as condições atuais das empresas e da economia, além das expectativas para os próximos seis meses.
- O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) divulga também na quinta-feira, às 8h, as novas vagas para o Programa Inova Talentos, com bolsas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para técnicos de nível superior, graduandos e graduados, mestres e doutores de diversas áreas.
- O IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de dezembro e do ano de 2025, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de janeiro e a Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha: Primeiros resultados – 4º Trimestre de 2025.
Sexta-feira – dia 13
- O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) divulga, a quantidade de vagas abertas pelo país. São oportunidades para cursos técnicos, de qualificação e aperfeiçoamento, aprendizagem industrial e outras modalidades de formação profissional. Para conferir informações sobre preços, grade curricular, certificação e carga horária, acesse o Futuro.Digital.
- O IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de dezembro e do ano de 2025.
Fontes: CNI (Indicadores Industriais — 6/fev/2026), Novo Caged/MTE, BYD Brasil, FIEB, Indústria News, BM&C News, Mix Vale. Análise: Indústria News | Período: Semana de 1º a 7 de fevereiro de 2026. Esta análise consolida os principais movimentos da semana industrial baiana e nacional, oferecendo contexto estratégico para tomadores de decisão. Conteúdo produzido com base em fontes públicas, dados oficiais e noticiário especializado.
- A coluna Indústria em Foco é publicada às segundas-feiras. Análise elaborada pela equipe Indústria News
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