O setor de materiais de construção inicia 2026 desenhando um cenário de transição. Embora os indicadores de produção imediata ainda ecoem a estabilidade de 2025, o novo Termômetro Abramat revela um dado que destoa da inércia: 62% das indústrias do setor planejam investir nos próximos 12 meses. O salto de 7 pontos percentuais em relação a dezembro sugere que o empresariado está olhando para além das dificuldades conjunturais, preparando-se para uma retomada da demanda no médio prazo.
O hiato entre expectativa e realidade produtiva
Apesar do otimismo nos investimentos, o “chão de fábrica” ainda opera em ritmo cadenciado. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) manteve-se estagnada em 70% em janeiro, o mesmo patamar do mês anterior e significativamente abaixo dos 77% registrados no mesmo período do ano passado.
Essa ociosidade de 30% reflete um mercado interno que a maioria das empresas (62%) ainda classifica como “regular”. No entanto, a análise do sentimento para o curtíssimo prazo aponta para uma inflexão:
- Projeção para fevereiro: Quase metade do setor (48%) já espera um desempenho “bom ou muito bom”.
- Baixa negatividade: Apenas 5% das empresas preveem um cenário ruim, o que indica que o setor acredita ter encontrado seu “piso” de sustentação.
Os vetores da retomada: Selic e Infraestrutura
A análise da Abramat identifica que a confiança não é infundada, mas sim ancorada em variáveis macroeconômicas sólidas. A sinalização de cortes contínuos na taxa Selic pelo Copom é o principal combustível para essa melhora na percepção de risco. Juros mais baixos aliviam o custo do crédito – essencial para o financiamento imobiliário – e estimulam o consumo das famílias.
Além da política monetária, o setor aposta em alavancas governamentais e institucionais. Segundo Paulo Engler, presidente executivo da Abramat, o avanço em infraestrutura e o fortalecimento de programas como o Reforma Casa Brasil são os pilares necessários para converter a intenção de investimento em produção efetiva.
“A indústria de materiais de construção começa o ano de 2026 em uma posição de atenção, mas com confiança moderada e perspectiva de melhora. A continuidade da redução da Selic e o avanço nos investimentos em infraestrutura e programas como o Reforma Casa Brasil são vetores importantes para a retomada da atividade industrial”, diz.
- Perspectiva: O início de 2026 para a indústria de materiais não é de euforia, mas de posicionamento estratégico. O setor está “limpando os trilhos” para quando a redução dos juros chegar plenamente à economia real.
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