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Capa Petróleo, Gás & Biocombustível

Petrobras vende bunker com conteúdo renovável para a Noruega

Acordo com a norueguesa Odfjell posiciona o Brasil na rota europeia de combustíveis navais de baixo carbono

INDÚSTRIA NEWS por INDÚSTRIA NEWS
15/01/2026
em Petróleo, Gás & Biocombustível
Tempo de Leitura: 5 minutos
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Bow Leopard - Odfjell. Tankers

A Odfjell, empresa norueguesa com presença em rotas pelas Américas, Europa e Ásia, é referência no transporte marítimo de produtos químicos e granéis líquidos

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APetrobras firmou um acordo para fornecer bunker com conteúdo renovável (VLS B24) à Odfjell, uma das maiores armadoras globais no transporte marítimo de produtos químicos e líquidos a granel. A operação fortalece a presença da estatal brasileira no mercado internacional de combustíveis de baixo carbono e responde à crescente demanda por soluções sustentáveis no setor marítimo.

O VLS B24 é um VLSFO (Very Low Sulfur Fuel Oil) — combustível marítimo com baixo teor de enxofre — composto por 24% de biodiesel e 76% de óleo mineral produzido nas refinarias da Petrobras. O produto possui certificação ISCC EU (International Sustainability and Carbon Certification – União Europeia), sistema internacional que garante rastreabilidade, critérios de sustentabilidade e redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) ao longo de toda a cadeia produtiva, atendendo às exigências do mercado europeu.

Entenda o termo
O que é bunker

Bunker é o combustível utilizado por navios para propulsão e geração de energia, sendo um dos principais focos da descarbonização do transporte marítimo.

O combustível também está em conformidade com a FuelEU Maritime, regulamentação da União Europeia que estabelece metas progressivas de redução da intensidade de GEEs dos combustíveis utilizados por navios que operam em portos europeus, incentivando o uso de alternativas renováveis e de menor impacto ambiental.

Segundo Claudio Schlosser, diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, a comercialização do VLS B24 com uma empresa de atuação global reforça a estratégia da companhia no mercado de baixo carbono, alinhada ao Plano de Negócios 2026–2030, ao mesmo tempo em que gera valor econômico e avança em soluções de descarbonização.

O abastecimento será realizado por barcaças dedicadas a partir do Terminal de Rio Grande (Terig), no Rio Grande do Sul, onde ocorrerá a mistura do combustível. O contrato prevê a entrega de até 12 mil toneladas ao longo de 2026. [Fonte: Petrobras]

Por que isso importa

O transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de CO₂, segundo organismos internacionais do setor. A União Europeia tem sido a principal força regulatória a pressionar armadores e fornecedores de combustível por soluções mais limpas — e a FuelEU Maritime é um dos instrumentos centrais dessa estratégia.

Neste contexto, o acordo entre Petrobras e Odfjell vai além de uma simples venda de combustível. Ele sinaliza reposicionamento estratégico, acesso a mercados regulados e vantagem competitiva em um setor em rápida transição.
A questão central é: como esse movimento altera o papel do Brasil e da Petrobras na nova economia marítima de baixo carbono?

Por que isso está acontecendo agora

1. Pressão regulatória europeia

A FuelEU Maritime cria obrigações claras de redução de emissões para navios que operam em portos da UE. Armadores globais precisam adaptar rapidamente sua matriz energética para manter competitividade e conformidade regulatória.

2. Busca por soluções “drop-in”

Combustíveis como o VLS B24 são considerados soluções drop-in, ou seja, podem ser utilizados sem modificações significativas nos motores ou na infraestrutura dos navios, acelerando a adoção no curto prazo.

3. Estratégia de descarbonização da Petrobras

O acordo está alinhado ao Plano de Negócios 2026–2030, que prevê a ampliação do portfólio de produtos de baixo carbono, combinando rentabilidade com transição energética gradual.

4. Cooperação Brasil–Noruega

A criação do corredor verde marítimo, formalizada por um Memorando de Entendimento em fevereiro de 2025, fornece base diplomática e institucional para projetos conjuntos focados em combustíveis sustentáveis no transporte naval.

O que isso significa na prática

Para empresários

O acordo abre oportunidades comerciais na cadeia de combustíveis marítimos sustentáveis, logística portuária, mistura (blending) e certificações ambientais. Empresas que atuam como fornecedoras, operadoras portuárias ou desenvolvedoras de biocombustíveis podem se beneficiar.
Ação recomendada: mapear exigências regulatórias internacionais e avaliar investimentos em produtos compatíveis com padrões europeus.

Para profissionais

Para quem atua em energia, logística, comércio exterior e sustentabilidade, o movimento é positivo. Cresce a demanda por especialistas em regulação ambiental, certificação ISCC, combustíveis alternativos e operações portuárias verdes.
Ação recomendada: buscar capacitação técnica em transição energética e normas internacionais do setor marítimo.

Para o setor

Três tendências estruturais se destacam:

  • Hibridização de combustíveis: misturas com biocombustíveis ganham escala antes de soluções totalmente novas.
  • Portos como hubs de transição energética: infraestrutura de blending e abastecimento sustentável se torna estratégica.
  • Integração entre política externa e energia: acordos bilaterais passam a influenciar diretamente cadeias produtivas.

Em síntese, o acordo Petrobras–Odfjell indica que a transição energética no transporte marítimo já começou na prática — e quem se posicionar agora tende a capturar valor antes que as exigências se tornem obrigatórias em escala global.

1️⃣ Monitoramento de desdobramentos

A execução do acordo e a adoção desse tipo de combustível devem ser acompanhadas de perto pelo setor, especialmente diante do avanço das exigências ambientais e da pressão por soluções de menor emissão no transporte marítimo internacional.


2️⃣ Próximos passos regulatórios

A medida ocorre em um momento de transição regulatória e pode antecipar ajustes operacionais e estratégicos de empresas que operam em rotas internacionais sujeitas a normas ambientais mais rígidas.


3️⃣ Impacto estrutural

Movimentos como esse tendem a influenciar decisões de investimento, renovação de frota e contratação de combustíveis, indicando uma mudança gradual no padrão energético da navegação comercial.


4️⃣ Conexão com agenda global

A iniciativa se insere em uma agenda global de descarbonização do transporte marítimo, cujos efeitos práticos sobre custos, competitividade e logística ainda devem se intensificar nos próximos anos.

Novos desdobramentos devem ocorrer ao longo de 2026.

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Tags: bunkerPetrobras
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