Estão abertas as inscrições para a 7ª edição do projeto “Elas na Indústria“, programa de mentoria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que se tornou referência na promoção da equidade de gênero no setor produtivo brasileiro. A iniciativa busca capacitar mulheres em cargos de pré-liderança e liderança com orientações práticas para o desenvolvimento de novas habilidades e a definição de estratégias para o crescimento profissional.
Desde que foi lançado como um projeto piloto, em 2021, o programa saltou de 15 mentoradas, na primeira edição, para 723 participantes, em 2025. Ao todo, 1.598 mulheres foram formadas pelo “Elas na Indústria” no período, e uma em cada quatro participantes relata que passou por uma ascensão na carreira depois da experiência. A estrutura do programa consiste em sessões individuais com foco em autoconhecimento, protagonismo profissional e planos de ação.
“Ter alguém que te oriente, que é mulher e é da indústria, tem um valor imenso. Uma pessoa de uma instituição financeira não teria essa visão”, conta Michele Araújo, que, depois de participar da mentoria do Elas na Indústria, tornou-se a primeira gestora de RH a atuar em obras de uma multinacional do setor de engenharia e construção no Brasil. “Dos 15 países onde a empresa está presente, existia apenas uma mulher como gerente de RH em obras. Já faz oito meses desde essa quebra de paradigma.”
“Tanto como mentorada quanto como mentora, pude testemunhar o impacto transformador do programa na trajetória das participantes”, avalia Ana Lúcia de Souza, que também fez parte do Elas na Indústria e atua como gerente jurídica na América Latina de uma das maiores fabricantes de vidro do mercado mundial. “O crescimento profissional, as conexões construídas e, principalmente, o ambiente seguro de troca, acolhimento e apoio mútuo criado ao longo da jornada são legados que levarei para toda a minha carreira.”
Benefícios
Os benefícios do aumento da participação feminina nas empresas são ilustrados por uma série de dados econômicos. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), equipes profissionais com maior equidade de gênero têm 20% mais probabilidade de obter melhores resultados de negócios. O Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que a renda per capita de longo prazo poderia ser quase 20% maior se as mulheres estivessem empregadas na mesma proporção que os homens.
De acordo com o Banco Mundial, em São Paulo, as mulheres representam mais de 40% do total de profissionais com doutorado nas indústrias. Na fabricação de produtos farmacêuticos, a presença feminina é maioria, com mais de 50% dos postos. Outro dado que chama a atenção aparece na construção de edifícios: a remuneração feminina chega a ser 37% superior à masculina no segmento.
“Ao conectar mulheres experientes com profissionais em ascensão, o Elas na Indústria cria uma rede de apoio e desenvolvimento que vai muito além da mentoria. Estamos formando lideranças capazes de transformar organizações e contribuir para uma indústria mais diversa, mais humana e mais preparada para o futuro, diz a presidente do Conselho Superior Multidisciplinar (Cosmu) da Fiesp, Silvina Mirabella. O colegiado da entidade exerce papel importante para aproximar executivas de empresas de ponta e mulheres com potencial para atuar em funções de liderança no setor produtivo.
“O Elas na Indústria consolidou-se como uma relevante iniciativa de desenvolvimento de lideranças femininas no Brasil. Por meio de um programa de mentoria, com executivas altamente qualificadas, a Fiesp amplia seu compromisso com a presença feminina em posições de liderança e com uma indústria mais inovadora, competitiva e contemporânea”, afirma Andrea Matarazzo, vice-presidente da Fiesp e diretor do Departamento Social de Cultura e de Esportes da entidade.
Para participar do programa, as interessadas podem se inscrever gratuitamente pelo site oficial do Elas na Indústria até o dia 31 de julho. As inscrições para mentoras e mentoradas são realizadas simultaneamente, e as mentoradas devem atuar em cargos a partir de analista sênior no setor industrial. Após o processo de seleção, as participantes são definidas e conectadas por meio de um “match humanizado”, baseado na compatibilidade de seus cargos e perfis profissionais, com o objetivo de favorecer uma jornada de desenvolvimento mais enriquecedora para ambas.
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