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Capa Atualidades

Bahia reage ao tarifaço e define agenda para proteger a indústria

Nova sobretaxa eleva a exposição das exportações baianas e leva indústria e governo a definir agenda conjunta para proteger os setores mais afetados

MARCELO SAMPAIO por MARCELO SAMPAIO
25/07/2026
em Atualidades
Tempo de Leitura: 3 minutos
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Fieb

O governador Jerônimo Rodrigues e o presidente da Fisb, Carlos Henrique Passos, coduziram a reunião com representantes dos segmentos industriais mais afetados pelo tarifaço (Foto: Sistema Fieb)

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CONTEÚDO ORIGINAL

A  indústria baiana entrou em estado de alerta após o governo dos Estados Unidos ampliar as barreiras comerciais contra produtos brasileiros. A nova tarifa adicional de 12,5%, anunciada nesta semana pelo presidente Donald Trump, será acumulada à sobretaxa de 25% que entrou em vigor no último dia 22, aumentando a pressão sobre setores estratégicos da economia estadual.

Os efeitos das medidas foram discutidos nesta sexta-feira (24), em Salvador, durante reunião entre representantes do Governo da Bahia, da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e lideranças empresariais. Participaram do encontro o governador Jerônimo Rodrigues, o presidente da Fieb, Carlos Henrique de Oliveira Passos;  o CEO da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), Rodrigo Navarro;  o presidente do Sindpacel, Fernando Guimarães;  o presidente do Sinpeq e vice-presidente da Fieb, Carlos Alfano; do presidente do Sindifibras, Wilson Andrade; e o superintendente da Fieb em exercício, Marcus Verhine.

Mais do que uma manifestação política, o encontro consolidou uma avaliação técnica sobre os segmentos mais expostos e definiu as prioridades que serão levadas às negociações com o governo federal.

Os números mostram a dimensão do problema. Com base na pauta exportadora de 2025, US$273,1 milhões em produtos baianos continuam sujeitos às tarifas americanas, o equivalente a 33,2% de tudo o que a Bahia exportou para os Estados Unidos no ano passado. Dependendo da aplicação das exceções previstas pela legislação americana, essa parcela pode alcançar 40,4%.

Na prática, a maior parte do impacto se concentra sobre a indústria de transformação. Papel e celulose, borracha e plásticos e produtos químicos respondem por quase 90% do valor das exportações atingidas, segundo levantamento apresentado pela Fieb e pelo governo estadual.

Outro setor que preocupa é a cadeia de calçados e couro, uma das maiores empregadoras do interior baiano. Embora represente uma parcela menor das exportações, o segmento pode sofrer perda de competitividade justamente em um momento em que buscava recuperar parte da produção e das vendas.

Celulose lidera lista de prioridades

Entre os pedidos que serão defendidos nas negociações com Brasília está a reinclusão da celulose solúvel na lista de produtos isentos das tarifas americanas. O segmento ocupa posição estratégica na pauta exportadora baiana e, segundo a indústria, perdeu competitividade ao ficar de fora das exceções concedidas para outros tipos de celulose.

Também estão entre as prioridades a inclusão dos produtos petroquímicos do Polo Industrial de Camaçari e dos pneumáticos em futuras listas de exceções negociadas com os Estados Unidos.

Além das negociações internacionais, empresários defendem medidas para proteger o mercado brasileiro diante do risco de redirecionamento do comércio global. Entre elas estão a aplicação de mecanismos antidumping para produtos petroquímicos, revisão das alíquotas de importação e a criação de preços de referência para pneus importados.

Monitoramento dos impactos

Outro encaminhamento definido durante o encontro prevê o levantamento contínuo dos efeitos do tarifaço sobre a economia baiana. Empresas exportadoras serão convidadas a informar eventuais cancelamentos de pedidos, suspensão de contratos, redução da produção ou impactos sobre o emprego.

Essas informações deverão subsidiar as negociações conduzidas pelo governo federal e servir de base para eventuais medidas de apoio à indústria.

Análise

A reunião desta sexta-feira produziu um diagnóstico mais preciso sobre o tamanho da exposição da Bahia ao tarifaço americano. A novidade não está na crítica às medidas adotadas por Washington, mas na identificação das cadeias produtivas mais vulneráveis e na definição de uma agenda de prioridades.

Os números reforçam que a disputa comercial deixou de ser um tema restrito à diplomacia. Ela passa a influenciar diretamente decisões de investimento, produção e geração de empregos em alguns dos principais polos industriais do estado, especialmente em segmentos exportadores de maior valor agregado.


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Tags: BahiacalçadoscelulosedestaqueDonald TrumpEstados UnidosFederação das Indústrias do Estado da BahiaFiebindústria
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