
A filipina ICTSI, uma das maiores operadoras portuárias independentes do mundo, vai assumir o controle da CS Porto Aratu, responsável pelos terminais ATU 12 e ATU 18, no Porto de Aratu-Candeias. A operação foi anunciada nesta quinta-feira (23) pela Simpar e movimenta R$1,8 bilhão, marcando a entrada definitiva de um operador global em um dos mais modernos projetos de infraestrutura logística implantados recentemente na Bahia.
A negociação envolve a venda de 100% da HSIM Participações e Holding, empresa que controla integralmente a CS Porto Aratu. O valor considera um Enterprise Value de R$1,8 bilhão, composto por R$750 milhões referentes ao patrimônio da empresa (Equity Value) e cerca de R$1 bilhão em dívida líquida.
O pagamento será dividido em duas etapas. Serão desembolsados R$650 milhões na conclusão da operação e outros R$ 100 milhões poderão ser pagos posteriormente por meio de um mecanismo de earn-out, condicionado ao cumprimento de metas previstas em contrato.
O fechamento da operação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da autorização do poder concedente.
De terminal antigo a ativo estratégico
A venda ocorre poucos meses depois da conclusão do maior ciclo de investimentos da história recente do Porto de Aratu. Desde que assumiu os terminais em 2022, a CS Infra investiu cerca de R$900 milhões na modernização completa da infraestrutura, transformando instalações construídas ainda na década de 1970 em um complexo portuário de padrão internacional.
O projeto incluiu a construção integral do terminal ATU 18, modernização do ATU 12, dragagem, novos sistemas automatizados, ampliação da capacidade de armazenagem para 270 mil toneladas e aquisição de equipamentos capazes de elevar a produtividade para até 2 mil toneladas por hora.
Como resultado, a capacidade operacional do complexo saltou cinco vezes, alcançando potencial para movimentar 9,5 milhões de toneladas por ano.
O que foi feito
Entre os destaques da geração de valor criada pela Simpar no CS Porto Aratu com investimento realizado de
R$ 900 milhões, estão:
- Investimentos em inovação operacional e excelência na execução que transformaram um ativo
obsoleto que datava da década de 70 e com baixos níveis de eficiência e produtividade em uma
plataforma portuária moderna e de alta performance; - Ampliação de 5x da capacidade operacional em quatro anos, alcançando movimentação potencial
de 9,5 milhões de toneladas por ano, com infraestrutura preparada para sustentar um novo ciclo de
crescimento; - Criação de uma infraestrutura portuária de padrão internacional, com construção integral do
terminal ATU18, modernização completa do ATU12, ampliação da armazenagem para 270 mil
toneladas, novos silos, dragagem e equipamentos de última geração; - Desenvolvimento de um ativo logístico estratégico para o corredor agrícola do Matopiba, já apto a
operar navios Panamax e com potencial para evolução para operações com navios Post-Panamax,
ampliando sua competitividade e oportunidades futuras.
Aratu na rota do agronegócio
A transformação dos terminais também mudou o perfil econômico do Porto de Aratu. Criado para atender principalmente às demandas do Polo Industrial de Camaçari, o complexo passou a operar, pela primeira vez em mais de cinco décadas, granéis vegetais destinados ao mercado externo.
Em fevereiro deste ano entrou em operação o terminal ATU 18, especializado na movimentação de grãos. Pouco depois, o porto realizou seu primeiro embarque de sorgo produzido no oeste baiano, inaugurando uma nova rota logística para o agronegócio da Bahia e da região do Matopiba.
O terminal possui capacidade para movimentar até 3,5 milhões de toneladas de grãos por ano, enquanto o ATU 12 continua atendendo fertilizantes, enxofre e outros granéis minerais, com capacidade de até 6 milhões de toneladas anuais.

Corredor estratégico
A localização de Aratu tornou-se um diferencial competitivo.
Além de atender o Polo Industrial de Camaçari, o porto funciona como alternativa para o escoamento da produção agrícola do oeste da Bahia e do Matopiba, reduzindo distâncias logísticas em relação a outros corredores nacionais.
Os terminais já estão preparados para operar navios Panamax e possuem potencial para futura adaptação a embarcações Post-Panamax, ampliando sua competitividade internacional.
Monetização de ativos
Para a Simpar, a venda representa mais uma etapa da estratégia de desenvolver ativos de infraestrutura, elevar sua eficiência operacional e posteriormente realizar sua monetização. Segundo o fato relevante, os aportes realizados diretamente pelos acionistas na CS Porto Aratu somaram R$ 128 milhões, gerando retorno equivalente a 5,8 vezes o capital investido em prazo médio de 3,6 anos.
A companhia afirma que a operação evidencia sua capacidade de criar valor em ativos de infraestrutura antes de transferi-los para operadores especializados.
Quem é a ICTSI
A compradora, ICTSI Americas, integra o grupo International Container Terminal Services Inc. (ICTSI), multinacional com sede em Manila, nas Filipinas e operações em dezenas de portos distribuídos pela Ásia, Europa, África e Américas.
A chegada da companhia amplia a presença de operadores internacionais na infraestrutura portuária brasileira e reforça a importância estratégica do Porto de Aratu dentro da logística nacional.
Além da proximidade com o Polo Industrial de Camaçari, o complexo tornou-se uma das principais alternativas para o abastecimento de fertilizantes e para a exportação da produção agrícola do Matopiba — região que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e figura entre as principais fronteiras agrícolas do país.
Análise
A venda da CS Porto Aratu vai além de uma operação societária. Ela funciona como um selo internacional sobre a qualidade do ativo construído nos últimos anos na Bahia.
Operadores globais como a ICTSI não compram apenas infraestrutura física. Compram localização estratégica, potencial de crescimento e capacidade futura de geração de receita.
Aratu reúne exatamente esses três elementos.
Nos últimos anos, o porto deixou de depender quase exclusivamente da indústria petroquímica e passou a integrar uma cadeia que tende a crescer durante décadas: a logística do agronegócio.
O Matopiba continua expandindo sua produção agrícola e demanda novos corredores de exportação. Ao mesmo tempo, o Polo Industrial de Camaçari permanece como um dos maiores complexos industriais do país, mantendo forte demanda por fertilizantes, insumos minerais e produtos químicos.
Poucos ativos logísticos conseguem reunir esses dois mercados.
A chegada de uma operadora global também pode acelerar novos investimentos, ampliar a carteira internacional de clientes e fortalecer a inserção do Porto de Aratu nas rotas marítimas mundiais.

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