Por Rogério Quirino*
A dinâmica das plantas industriais mudou drasticamente nos últimos anos. Se no passado o sucesso de uma operação dependia da simples substituição de peças e de uma manutenção puramente reativa, hoje a realidade exige previsibilidade, eficiência energética e mitigação rigorosa de riscos ambientais. Na esteira da transição energética e da transformação digital, a indústria não busca mais apenas fornecedores de produtos; ela demanda parceiros estratégicos de confiabilidade.
Essa evolução se sustenta em três pilares fundamentais que estão redefinindo o chão de fábrica: a maturidade dos modelos de contratação, o avanço tecnológico em prol da sustentabilidade e a chegada definitiva do monitoramento inteligente em tempo real.
Comprar um componente e esperar que ele funcione de forma isolada é um conceito ultrapassado. Equipamentos de alta complexidade, como os compressores centrífugos, que operam como o verdadeiro “coração” de plataformas offshore e refinarias, exigem um olhar integrado. Uma parada não planejada nesses ativos impacta diretamente a linha de produção e o faturamento de uma companhia.
Por isso, o mercado tem evoluído rapidamente para modelos que valorizam a confiabilidade dos equipamentos por meio da integração de gestão eficiente e tecnologia avançada. Mais do que simplesmente fornecer produtos, o foco passa a ser garantir a disponibilidade, a performance e a previsibilidade operacional.
Paralelamente à gestão, a tecnologia de vedação desempenha um papel essencial nas metas de ESG e transição energética das grandes indústrias. Sistemas tradicionais de vedação a óleo úmido podem envolver pequenas perdas de óleo e gás inerentes ao processo. Atualmente, as exigências regulatórias e a responsabilidade ambiental fazem com que reduzir essas perdas seja cada vez mais importante em aplicações críticas, encorajando a adoção de selos mecânicos avançados.
A indústria que deseja se manter competitiva e alinhada às demandas globais de sustentabilidade precisa encarar seus ativos críticos não como custos de manutenção, mas como vetores de inovação e eficiência operacional
A transição para selos de gás seco (DGS), que substituíram os antigos selos a óleo em muitos compressores, elevou o padrão de confiabilidade do setor. Quando aplicados e operados sob condições adequadas e com a manutenção correta, esses selos podem operar continuamente por um período de sete a dez anos. Além de reduzirem significativamente as perdas de óleo e gás para a atmosfera, inovações mais recentes, como os selos de separação coaxiais de última geração, aprimoram ainda mais esse desempenho ao operar sem contato, criando uma barreira estável que ajuda a proteger o DGS contra a contaminação por óleo e reduz o risco de falhas.
O terceiro pilar que fecha esse ecossistema de eficiência é a digitalização. O método tradicional de manutenção preditiva, no qual um técnico percorre a planta coletando dados pontuais, já não é suficiente para instalações com milhares de ativos — qualquer anomalia fora desse intervalo ainda representa um risco significativo.
A resposta está no monitoramento contínuo e inteligente. Soluções como o John Crane Sense® Turbo levam essa capacidade a um novo patamar ao integrar sensores diretamente no selo de gás seco, capturando variáveis críticas como temperatura, emissões acústicas e presença de líquidos no coração do compressor. Esses dados são transmitidos de forma segura e praticamente em tempo real para plataformas digitais, onde a análise de dados e a identificação de padrões transformam as informações em alertas, diagnósticos e indicadores precoces de possíveis falhas.
Com a visibilidade contínua da condição do selo e tendências de desempenho, é possível antecipar intervenções, reduzir paradas não planejadas e otimizar o desempenho operacional. Trata-se de transformar dados em inteligência acionável, permitindo decisões mais rápidas, seguras e estratégicas.
Essa tríade, composta por gestão baseada em desempenho, tecnologias sustentáveis e monitoramento preditivo, já está moldando o crescimento do setor. O investimento na expansão de centros de serviços locais (como o Centro de Serviços de Selos de Gás Seco da John Crane em Rio Claro, equipado para atender à demanda em toda a América Latina) reflete a necessidade de descentralizar o suporte técnico avançado e de estar mais próximo dos clientes.
A indústria que deseja se manter competitiva e alinhada às demandas globais de sustentabilidade precisa encarar seus ativos críticos não como custos de manutenção, mas como vetores de inovação e eficiência operacional.
* Rogério Quirino é gerente regional da John Crane
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