A inflação até desacelerou, mas 2025 não foi exatamente barato para o baiano da Região Metropolitana de Salvador (RMS). Mesmo fechando o ano em 3,80% – a menor taxa desde 2017, segundo o IBGE – alguns produtos e serviços fizeram questão de lembrar que o custo de vida segue cheio de armadilhas.
Dezembro deu o tom dessa contradição. O IPCA da RMS avançou 0,59%, uma forte aceleração frente aos tímidos 0,01% de novembro. Foi o segundo maior resultado mensal do ano, atrás apenas de fevereiro, e colocou Salvador entre as regiões mais inflacionadas do país no mês.
No acumulado de 2025, saúde e cuidados pessoais (5,68%) e alimentação e bebidas (3,58%) foram os principais motores da alta. Não por acaso. Planos de saúde subiram 6,42% – pelo segundo ano seguido como maior pressão individual sobre o índice – enquanto os medicamentos avançaram 6,36%. Saúde pesa no orçamento e, quando sobe, quase não dá alternativa ao consumidor.
Na mesa do baiano, o café virou artigo de luxo. O café moído disparou 42,91%, ficando atrás apenas do campeão do ano: transporte por aplicativo, com alta impressionante de 47,87%. Chocolate, manga, cebola e até o repolho completam a lista dos alimentos que mais esticaram a conta do supermercado. Seis dos dez maiores aumentos do ano vieram justamente da alimentação.

Quedas
Mas nem tudo foi aperto. Alguns preços trabalharam a favor do consumidor e ajudaram a segurar a inflação. O arroz caiu 25,42%, o leite longa vida recuou 13,37% e a batata-inglesa despencou 28,29%. A maior queda, porém, veio da laranja-pera (-29,11%). Já fora da cozinha, a gasolina (-4,63%) foi o item que mais contribuiu, individualmente, para aliviar o IPCA da RMS em 2025.
Outro destaque curioso do ano veio das despesas pessoais, que subiram 6,98%, a maior alta em nove anos. Serviços como cabeleireiro, barbeiro e empregado doméstico ficaram mais caros – um sinal claro de pressão nos serviços, mesmo em um cenário de inflação geral mais comportada.
O retrato final de 2025 é claro: a inflação perdeu força, mas o alívio foi seletivo. Enquanto alguns preços caíram e ajudaram no controle do índice, outros – essenciais e cada vez mais presentes no dia a dia – trataram de manter o bolso do baiano sob constante vigilância.
O peso da inflação no seu bolso
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Consumo mais seletivo no dia a dia – Com altas concentradas em itens essenciais – como café, alimentação fora de casa, saúde e transporte por aplicativo – o consumidor foi obrigado a priorizar gastos, cortar supérfluos e trocar marcas e hábitos.
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Serviços pesando mais que produtos – Mesmo com inflação geral menor, serviços como planos de saúde, cuidados pessoais e transporte pressionaram o orçamento, reduzindo a sensação de alívio captada apenas pelo índice oficial.
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Alívio pontual no supermercado – Quedas expressivas em itens básicos, como arroz, leite e batata, ajudaram a conter o avanço da inflação, mas não foram suficientes para compensar os aumentos de produtos de consumo recorrente.
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Mobilidade urbana mais cara – O forte avanço do transporte por aplicativo alterou a lógica de deslocamento do consumidor, estimulando a busca por alternativas mais baratas ou a redução de viagens não essenciais.
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Perda de previsibilidade no orçamento familiar – Com altas concentradas e quedas pontuais, o consumidor enfrentou maior dificuldade para planejar gastos mensais, reforçando a sensação de aperto mesmo em um cenário de inflação mais controlada.
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